Mercados

O que está por trás da queda de mais de 1% do Ibovespa nesta sexta-feira (14)

14 ago 2026, 15:54 - atualizado em 14 ago 2026, 16:03
mercado morning ibovespa wall street
(Imagem: iStock/MF3d)

O Ibovespa (IBOV), o principal índice da bolsa brasileira, marca o nono recuo consecutivo nesta sexta-feira (14), em meio à saída dos investidores estrangeiros com temores fiscais e eleitorais no radar. Com isso, o IBOV caminha para uma perda semanal de mais de 4%.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Por volta das 15h31 (horário de brasília), o índice opera com baixa de 1,02%, aos 165.398,74 pontos. Na mínima, o Ibovespa caiu 1,31%, aos 164.911,63 pontos.



Ainda hoje será divulgada a nova pesquisa Quaest, encomendada pelo Grupo Globo, de cenário eleitoral para a disputa à Presidência em 2026. Segundo a coluna do jornalista Lauro Jardim, no jornal O Globo, o levantamento será divulgado às 18h (horário de Brasília), após o fechamento do mercado.

O que pesa no Ibovespa hoje?

Na avaliação de Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, o Ibovespa aprofunda o seu viés negativo tendo como principal motor a fuga dos investidores externos da bolsa brasileira, com grandes fundos globais reduzindo a exposição no país para se protegerem de volatilidade do período eleitoral e das incertezas do campo fiscal.

“Além do cenário político e do risco fiscal, a bolsa local sofre com a repercussão da temporada de balanços do segundo trimestre, que trouxe leituras cautelosas e pressionou as ações de empresa com grande participação no índice”, diz.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Segundo Nossig, a fuga de recursos internacionais é agravada pela manutenção da Selic em patamares elevados, que garante retornos atrativos na renda fixa, drena o capital doméstico da renda variável e encarece o financiamento das empresas listadas, bloqueando qualquer tentativa de reação da bolsa ao longo do dia.

Além disso, na noite de quinta-feira (13), o governo brasileiro iniciou o processo de análise de possíveis medidas de reciprocidade em resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos, de acordo com um comunicado da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom).

Na mesma linha, Bruna Sene, analista de renda variável da Rico, considera que essa decisão do governo adicionou uma nova frente de incerteza. “O resultado foi um Ibovespa que se descolou por completo da melhora externa, encerrando a semana com a nona sessão consecutiva de queda, a pior sequência desde 2023”, afirma.

Na avalição de Sene, no campo eleitoral, a maior incerteza é relacionada à condução das contas públicas, e o mercado lê como menor probabilidade de um ajuste fiscal consistente a partir de 2027.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Na terça-feira (11), o JP Morgan rebaixou a recomendação para o Brasil de compra para neutra, citando o menor espaço para cortes de juros, a desaceleração da atividade e a incerteza política. “O relatório funcionou como gatilho para uma venda mais generalizada, com os saques de estrangeiros somando mais de R$ 7 bilhões apenas nos primeiros dias do mês. Como o investidor externo responde por cerca de 60% do volume da B3, o impacto foi expressivo”, avalia a analista da Rico.

Fator técnico do Ibovespa

Para Sene, da Rico, do ponto de vista técnico, o quadro segue desafiador. “O índice perdeu com folga a região dos 170 mil pontos que vínhamos monitorando e opera abaixo dos 166 mil, no menor nível desde janeiro. Sem um gatilho positivo claro, a correção pode se estender no curto prazo”, explica.

Ainda assim, a analista considera que é importante separar o ruído do fundamento. O valuation da bolsa brasileira está em patamares historicamente atrativos, os dados de inflação seguem favoráveis e a curva ainda precifica novos cortes da Selic, acrescenta.

“Os problemas atuais são de percepção de risco e de fluxo, não de deterioração dos fundamentos das empresas. Para quem tem horizonte de médio e longo prazo, esse tipo de movimento costuma abrir oportunidades relevantes, mas o momento pede paciência e seletividade”, afirma.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ainda assim, a corretora segue com foco em qualidade, empresas com balanços sólidos, boa geração de caixa e menor sensibilidade ao ciclo doméstico.

Altas e baixas do Ibovespa

A ponta negativa do Ibovespa é liderada pela Braskem (BRKM5), com queda de 8,61% (R$ 4,87), por volta das 15h30 (horário de Brasília), depois da divulgação do balanço do segundo trimestre de 2026 (2T26).

O Citi considera que os resultados do segundo trimestre da Braskem foram positivos do ponto de vista operacional, impulsionados por uma forte recuperação dos spreads internacionais e pelo impacto positivo dos créditos do REIQ no Brasil.

“Entretanto, a recuperação operacional é ofuscada pelas necessidades de capital de giro, pela grave deterioração do balanço patrimonial e pelas pressões de liquidez“, afirma o banco.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Já a ponta positiva é liderada pela Minerva (BEEF3), com alta de 4,93% (R$ 3,19), também depois da divulgação dos resultados corporativos de 2T26.

Para BTG Pactual, BB Investimentos e XP, porém, o balanço ainda não é suficiente para mudar a percepção sobre as ações. A elevada alavancagem e, principalmente, a dificuldade da companhia em converter o desempenho operacional em geração de caixa continuam no centro das preocupações

Câmbio

O dólar à vista, na máxima, chegou a saltar mais de 1%, encostando nos R$ 5,25. Por volta das 15h48, a divisa subia 0,56%, a R$ 5,2219.

Na avaliação do economista-chefe do Banco Bmg, Flavio Serrano, o real continua sofrendo com o movimento de aversão a risco nos mercados domésticos.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“O movimento diverge das demais moedas, que se fortalecem contra o dólar. Nos últimos dias, os dados mais fracos de atividade e inflação levaram o mercado a reduzir as apostas de juros nos EUA em 2026, o que explica o movimento de dólar mais fraco no âmbito global”, detalha.

Por aqui, porém, as preocupações com o fiscal estão por trás do movimento descorrelacionado com as demais moedas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhar

WhatsAppTwitterLinkedinFacebookTelegram
Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies.

Fechar