O que mudou desde o último Copom? Os dados que o Banco Central terá na mesa para decidir a Selic
Antes da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) desta quarta-feira (17), o mercado praticamente fechou consenso para mais um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, que passaria de 14,50% para 14,25% ao ano. Mais do que o movimento em si, porém, investidores e economistas estão atentos ao comunicado do Banco Central para tentar decifrar quais serão os próximos passos da autoridade monetária no segundo semestre.
- Veja também: O último corte do ano? Mercado discute próximos passos do Copom; veja o que esperar para a Selic
Desde a última reunião do Copom, uma série de indicadores ajudou a redesenhar o cenário econômico. Enquanto a inflação continua acima da meta, a atividade econômica mostrou força e o mercado de trabalho segue aquecido, fatores que podem influenciar o tom do Banco Central daqui para frente.
Inflação desacelera, mas segue acima da meta
O principal dado observado pelo Copom, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), mostrou desaceleração na passagem de abril para maio.
A inflação oficial subiu 0,58% em maio, após avanço de 0,67% em abril. Apesar da perda de ritmo, o índice acumulado em 12 meses alcançou 4,72%, permanecendo acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,5% considerando o centro de 3% e a banda de tolerância de 1,5 ponto percentual.
O resultado veio ligeiramente acima das expectativas. A mediana das projeções do mercado apontava alta mensal de 0,55% e inflação acumulada de 4,68% em 12 meses.
Embora o dado tenha sido recebido de forma relativamente positiva, o nível da inflação ainda impõe cautela ao Copom, especialmente diante da persistência dos núcleos inflacionários e das expectativas desancoradas para os próximos anos.
PIB surpreende e reforça preocupação com demanda
Outro dado que ganhou destaque desde a última decisão foi o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).
A economia brasileira avançou 1,1% no primeiro trimestre de 2026 na comparação com os três meses anteriores, acelerando em relação à alta de 0,3% observada no quarto trimestre de 2025.
Economistas destacaram que parte relevante do resultado foi impulsionada por setores menos ligados ao ciclo econômico, como agropecuária e indústria, além de medidas de estímulo ao consumo das famílias.
Ainda que a composição do crescimento sugira perda de fôlego nos próximos trimestres, o número reforçou a percepção de uma atividade econômica mais resiliente do que o esperado, cenário que costuma dificultar o trabalho do Banco Central no combate à inflação.
Mercado de trabalho segue apertado
Os indicadores de emprego também permaneceram no radar da autoridade monetária.
Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o Brasil criou 85.888 vagas formais em abril. O resultado ficou abaixo da expectativa do mercado, que apontava geração líquida de 211,1 mil postos de trabalho.
Apesar da desaceleração na criação de vagas, o saldo acumulado em 12 meses continua robusto, com mais de 1 milhão de empregos formais criados no período.
Ao mesmo tempo, a taxa de desemprego caiu para 5,8% no trimestre encerrado em abril, ante 6,1% no trimestre anterior. Trata-se da menor taxa para um trimestre encerrado em abril desde o início da série histórica da Pnad Contínua, em 2012.
O dado reforça a leitura de um mercado de trabalho ainda bastante aquecido, o que tende a sustentar a renda e o consumo das famílias, mas também pode dificultar uma desaceleração mais consistente da inflação de serviços.
- Leia mais: Copom deveria manter jogo aberto sobre juros diante das incertezas, afirma economista-chefe do Inter