Shein

O que o IPO da Shein revela sobre a ameaça ao varejo brasileiro, segundo analistas

29 jul 2026, 12:54
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(Imagem: REUTERS/Dado Ruvic)

A abertura de capital da Shein na Bolsa de Hong Kong revelou detalhes financeiros e operacionais da gigante chinesa de moda e reforçou a percepção de que a empresa continuará sendo uma das principais ameaças ao varejo de vestuário brasileiro, de acordo analistas.

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Segundo eles, o prospecto do IPO traz informações importantes para entender como a empresa pretende sustentar seu crescimento em um ambiente mais desafiador para o comércio eletrônico internacional.

Ao mesmo tempo, os analistas avaliam que o perfil da concorrência está mudando, com a companhia se tornando menos dependente de benefícios tributários e mais focada em eficiência operacional e expansão do marketplace.

A Shein registrou US$ 41,8 bilhões em vendas no ano fiscal de 2025, avanço de 8% em relação ao ano anterior. No entanto, o ritmo perdeu força no início de 2026: a receita cresceu apenas 1% no primeiro trimestre.

O catalisador da baixa veio dos Estados Unidos, principal consumidor da companhia. No país, a receita caiu 4% em 2025 e recuou mais 14% no primeiro trimestre de 2026, refletindo o fim da isenção para importações de pequeno valor e a adoção de novas tarifas.

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A União Europeia também passou a impor uma taxa sobre encomendas de baixo valor, enquanto, no Brasil, há discussões sobre um eventual retorno da isenção do imposto federal para compras internacionais de até US$ 50.

Para a XP Investimentos, a tributação representa um desafio para o modelo da Shein, mas não elimina sua competitividade. Na visão dos analistas, o sucesso da empresa continua baseado em dois pilares principais: uma cadeia de suprimentos altamente integrada e preços competitivos.

Segundo o Bradesco BBI, uma das principais mudanças reveladas é a evolução do modelo de negócios da Shein.

O marketplace de terceiros cresceu mais de cinco vezes desde 2023 e já responde por 14% da receita no primeiro trimestre de 2026, ante aproximadamente 3% em 2023.

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Para o BBI, esse movimento indica que a Shein está deixando de depender exclusivamente do modelo tradicional de importação direta da China e ampliando sua base de fornecedores locais em diferentes mercados.

Na avaliação dos analistas, a Shein continua sendo uma concorrente relevante para empresas brasileiras de vestuário, especialmente em um momento em que o consumidor segue sensível a preços.

A XP afirma que a Shein segue fortalecida, mas destaca que os varejistas locais têm espaço para reagir.

Já o Bradesco acredita que a Shein passa a competir menos por vantagens tributárias e mais por escala, logística, tecnologia e fornecedores locais. Esse movimento pode elevar a pressão sobre o varejo da América Latina, especialmente se o Brasil flexibilizar a tributação sobre compras internacionais de baixo valor.

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*Com supervisão de Kaype Abreu

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Repórter estagiária no Money Times e jornalista em formação pela Universidade de São Paulo, com passagem pela Sapienza Università di Roma. Antes, trabalhou no UOL, no Terra e no Laboratório Agência de Comunicação da ECA-USP.
Repórter estagiária no Money Times e jornalista em formação pela Universidade de São Paulo, com passagem pela Sapienza Università di Roma. Antes, trabalhou no UOL, no Terra e no Laboratório Agência de Comunicação da ECA-USP.

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