Oncoclínicas (ONCO3) aceita proposta de MAK Capital e Lumina de injetar até R$ 150 milhões; entenda
O conselho de administração da Oncoclínicas (ONCO3) aprovou proposta apresentada pela MAK Capital e pela Lumina Capital para dar fôlego financeiro à companhia, dois dias após o fim das negociações para uma operação com a Porto (PSSA3) e o Fleury (FLRY3).
De acordo com o fato relevante divulgado ao mercado nesta quinta-feira (16), a proposta será financiada pela Lumina, no valor entre R$ 100 milhões e R$ 150 milhões, a depender do valor das garantias disponíveis.
A injeção de dinheiro terá como objetivo viabilizar a aquisição de medicamentos pela companhia junto à OncoProd e preservar a geração de receitas de ambas as companhias e a continuidade de sua cadeia de fornecimento essencial.
“A operação contará com a constituição de garantia fiduciária de recebíveis oriundos de contratos celebrados pela rede credenciada da companhia com operadoras de planos de saúde, hospitais e/ou seguradoras, e sua implementação estará sujeita à celebração dos documentos definitivos e ao cumprimento de condições precedentes usuais”, diz o documento.
A operação depende de condições precedentes específicas, incluindo a formalização dos instrumentos aplicáveis entre a Oncoclínicas e a OncoProd, além da definição do montante de recebíveis a serem cedidos fiduciariamente em valor compatível com a operação.
Por fim, é necessária a obtenção das anuências necessárias de operadoras de planos de saúde, hospitais e seguradoras para a vinculação e direcionamento desses recebíveis.
Proposta da MAK Capital
O mercado já estava de olho em uma potencial proposta da MAK Capital para a Oncoclínicas. A gestora, no entanto, apresentou uma “salvação” de curto prazo para a companhia com base em algumas condições.
Em cumprimento à isso, o conselho de administração recebeu a renúncia do fundador da Oncoclínicas, Bruno Lemos Ferrari, aos cargos de membro e vice-presidente do conselho da companhia, com efeitos imediatos.
Para preencher os dois cargos vagos em função das renúncias de Marcelo Gasparino (que renunciou na última semana) e Bruno Ferrari, o conselho nomeou Mateus Affonso Bandeira, indicado pela MAK Capital, e Carlos Gil Ferreira, diretor-presidente da companhia, como membros do consleho, com mandato até a Assembleia Geral Ordinária e Extraordinária da Companhia convocada para o dia 30 de abril de 2026.
O momento da Oncoclínicas
Na última semana, a Oncoclínicas reportou um prejuízo líquido de R$ 1,516 bilhão referente ao quarto trimestre de 2025, aumentando as perdas de R$ 759 milhões que já haviam sido registradas no mesmo período de 2024.
A companhia apurou um resultado operacional medido pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de R$ 238,8 milhões no último trimestre de 2025, recuo de 24% sobre o quarto trimestre de 2024.
A receita líquida no 4T25 também registrou queda, sendo 12,6% inferior ao mesmo período de 2024, para R$ 1,37 bilhão.
A empresa surgiu com tratamentos oncológicos como o core do negócio. No entanto, após o IPO em 2021, a Oncoclínicas expandiu o foco de clínicas que realizavam o diagnóstico e tratamentos como radioterapia e quimioterapia para uma parte de alta complexidade do tratamento oncológico.
Para fomentar a continuidade da expansão, a estratégia se voltou para aquisições de hospitais. O movimento, contudo, não deu certo, dada a falta de expertise para gerir outras áreas hospitalares além da oncológica.
Como resultado, a companhia, que chegou a adquirir três hospitais gerais e trabalhava na construção de três outros, vem lidando com piora nos resultados, alta alavancagem e elevado consumo de caixa.
Nesse processo, a companhia passou por diversas capitalizações e chegou a estar envolvida com o Banco Master, com parte de caixa da companhia aplicado em CDBs do banco de Daniel Vorcaro, que injetou capital na companhia.
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