Oncoclínicas (ONCO3) atinge quórum mínimo e avança com plano de recuperação extrajudicial
A Oncoclínicas (ONCO3) informou na sexta-feira (30) que o plano de recuperação extrajudicial da companhia e de algumas controladas atingiu o quórum mínimo exigido pela Lei de Falências para seguir com o processo de homologação na Justiça.
Segundo fato relevante, a adesão de credores ao plano atualizado ultrapassou metade do total de créditos abrangidos pela reestruturação, excluídos os créditos intercompany.
Na prática, a companhia conta com credores titulares de mais de R$ 3,5 bilhões em créditos, o equivalente a 61,6% da base considerada para cálculo do quórum. O montante total dos créditos, sem considerar operações entre empresas do grupo, é de cerca de R$ 5,7 bilhões.
Com o quórum atingido, a Oncoclínicas afirmou que vai dar prosseguimento ao pedido de homologação do plano perante o Juízo da Recuperação Extrajudicial, em São Paulo. Caberá ao juízo determinar a publicação do edital previsto no artigo 164 da Lei 11.101/2005.
O avanço ocorre após a companhia ter protocolado uma versão atualizada do plano de reestruturação, em meio às negociações com credores.
Reestruturação da Oncoclínicas
A companhia apresentou uma nova versão de seu plano de recuperação extrajudicial, em mais um passo para reorganizar seu endividamento. O documento substitui a proposta protocolada em agosto e contempla cerca de R$ 5,7 bilhões em créditos quirografários, excluindo dívidas entre empresas do próprio grupo.
Na primeira versão, o plano previa a renegociação de R$ 5,1 bilhões em dívidas financeiras.
Na prática, a proposta reúne diferentes modalidades de pagamento e reestruturação, incluindo:
- a troca de parte da dívida por novos instrumentos financeiros,
- o alongamento dos prazos de pagamento,
- a entrega de determinados ativos,
- a emissão de debêntures conversíveis e
- a quitação parcial dos débitos por meio de ações da própria companhia.
O plano também prevê descontos em determinadas opções de pagamento e condições específicas para fornecedores que mantêm relações comerciais com a empresa.
Como a Oncoclínicas chegou a esse ponto?
A situação atual da Oncoclínicas é resultado de uma sucessão de acontecimentos, sendo o principal deles a estratégia de expansão adotada após a oferta pública inicial de ações (IPO) realizada em 2021.
A empresa surgiu com tratamentos oncológicos como o core do negócio. No entanto, após o IPO, expandiu o foco das clínicas que realizavam diagnósticos e tratamentos como radioterapia e quimioterapia para áreas de alta complexidade do tratamento oncológico.
Para fomentar a continuidade da expansão, a estratégia se voltou para aquisições de hospitais. O movimento, contudo, não deu certo, dada a falta de expertise para gerir outras áreas hospitalares além da oncológica.
Entre as medidas para pôr a casa em ordem, houve a venda de hospitais adquiridos e o cancelamento de hospital que seria construído.
Nesse processo, a companhia passou por diversas capitalizações e chegou a estar envolvida com o Banco Master, com parte do caixa da companhia aplicada em CDBs do banco de Daniel Vorcaro, que injetou capital na companhia.
Somaram-se a isso um ambiente de juros elevados, dificuldades de integração dos ativos adquiridos e a necessidade de reforçar o caixa, fatores que culminaram no atual processo de recuperação extrajudicial e na busca por uma reestruturação ampla das dívidas da companhia.