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Oncoclínicas (ONCO3): Porto e Fleury desistiram, mas JP Morgan vê opções melhores para os minoritários

14 abr 2026, 17:12 - atualizado em 14 abr 2026, 17:12
Oncoclínicas
(Imagem: Divulgação)

O prazo de negociação para uma operação entre Oncoclínicas (ONCO3), Porto (PSSA3) e Fleury (FLRY3) se encerrou no último domingo (12), com a desistência das duas últimas para uma possível capitalização na rede de oncologia. Apesar disso, o JP Morgan avalia que opções melhores para os acionistas minoritários ainda estão em discussão.

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Para recapitular, corria o prazo de 30 dias para negociações exclusivas entre as empresas. Nesse meio tempo, a Oncoclínicas teve seu conselho destituído, entrou com pedido de medida cautelar contra seus credores e anunciou que acionistas pré-IPO (Centaurus e Josephina III) estão reduzindo suas participações.

Na visão dos analistas do JP Morgan, a desistência de Fleury e Porto Seguro das negociações não é surpreendente, tendo em vistra as grandes incertezas em torno da Oncoclínicas. A dissolução do conselho e a iminente eleição de novos membros adicionaram uma incerteza significativa a um potencial investimento estratégico das companhias.

“Além disso, a transação proposta não deixaria muito valor em termos de patrimônio líquido, se é que deixaria algum, para os acionistas da ONCO3, que correriam o risco de se tornarem acionistas de uma holding insolvente com investimentos ilíquidos em uma subsidiária alavancada”, ponderam.

Nesse contexto, o banco gringo destaca a existência de outras opções de capitalização em discussão que seriam melhores para os acionistas minoritários da empresa, embora não resolvam completamente a questão da alavancagem.

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“Dito isto, nossa opinião permanece a de que uma possível capitalização deve ocorrer no nível da ONCO3, enquanto, após os recentes acontecimentos, pode haver uma reestruturação adicional da dívida“, diz o vanco.

A recomendação do JP Morgan para as ações da Oncoclínicas permanece de “venda”.

As propostas diante da Oncoclínicas

Apesar do encerramento da potencial operação envolvendo Porto Seguro e Fleury, a Oncoclínicas ainda tem alternativas no horizonte.

Isso porque, recentemente, houve o anúncio ao mercado de que o acionista MAK Capital Fund LP estaria interessado em realizar um aporte de aproximadamente R$ 500 milhões na companhia, com algumas condições.

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A Oncoclínicas também confirmou o recebimento, no dia 24 de março, de uma oferta não vinculante de financiamento da Mak Capital Fund LP, da Lumina Capital Management e da Lumina Fund III GP (as duas últimas, em conjunto “Lumina”) no valor de R$ 100 milhões a R$ 150 milhões.

A proposta se operacionalizaria por meio da constituição pela companhia de um fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC) e da cessão de R$ 200 milhões de recebíveis ao FIDC.

“A empresa realizará sua assembleia de acionistas em 30 de abril, quando deveremos ter notícias sobre a possível aprovação, ou não, da oferta da MAK Capital e visibilidade sobre o novo conselho”, diz o JP Morgan.

O momento da Oncoclínicas

Na última semana, a Oncoclínicas reportou um prejuízo líquido de R$ 1,516 bilhão referente ao quarto trimestre de 2025, aumentando as perdas de R$ 759 milhões que já haviam sido registradas no mesmo período de 2024.

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A companhia apurou um resultado operacional medido pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de R$ 238,8 milhões no último trimestre de 2025, recuo de 24% sobre o quarto trimestre de 2024.

A receita líquida no 4T25 também registrou queda, sendo 12,6% inferior ao mesmo período de 2024, para R$ 1,37 bilhão.

A empresa surgiu com tratamentos oncológicos como o core do negócio. No entanto, após o IPO em 2021, a Oncoclínicas expandiu o foco de clínicas que realizavam o diagnóstico e tratamentos como radioterapia e quimioterapia para uma parte de alta complexidade do tratamento oncológico.

Para fomentar a continuidade da expansão, a estratégia se voltou para aquisições de hospitais. O movimento, contudo, não deu certo, dada a falta de expertise para gerir outras áreas hospitalares além da oncológica.

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Como resultado, a companhia, que chegou a adquirir três hospitais gerais e trabalhava na construção de três outros, vem lidando com piora nos resultados, alta alavancagem e elevado consumo de caixa.

Nesse processo, a companhia passou por diversas capitalizações e chegou a estar envolvida com o Banco Master, com parte de caixa da companhia aplicado em CDBs do banco de Daniel Vorcaro, que injetou capital na companhia.

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Repórter
Formada em jornalismo pela Universidade Nove de Julho. Ingressou no Money Times em 2022 e cobre empresas, com foco em varejo e setor aéreo.
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