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PETR4, VBBR3 e UGPA3: Juros e custos apertam balanços, mas empresa desafiam o cenário adverso, diz BB Investimentos

24 ago 2026, 17:26
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(Imagem: Edson Souza / iStock)

A temporada de balanços do segundo trimestre de 2026 trouxe um retrato de empresas operacionalmente resilientes, mas pressionadas pelo aumento dos custos e pelo peso crescente das despesas financeiras. Segundo relatório do BB Investimentos sobre emissores de crédito, a combinação entre inflação, juros elevados e maior endividamento reduziu a rentabilidade em diversos setores, mesmo em companhias que registraram crescimento de receita e EBITDA.

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O cenário foi marcado por uma maior dispersão de resultados entre os segmentos analisados. Enquanto empresas ligadas à distribuição de combustíveis, transporte, logística e mercado imobiliário apresentaram desempenho robusto, setores intensivos em capital e com dívidas indexadas à inflação sofreram forte impacto na última linha dos balanços.

Nos segmentos regulados, como energia elétrica e saneamento, a expansão operacional continuou sendo sustentada pela maturação de investimentos e por reajustes tarifários. Ainda assim, o avanço das despesas financeiras corroeu parte importante dos ganhos. Taesa, Isa Energia e Neoenergia, por exemplo, registraram quedas superiores a 30% no lucro líquido em razão do peso da dívida indexada ao IPCA.

No saneamento, a Sabesp teve compressão de margens diante de custos crescendo acima das receitas, enquanto a Sanepar amargou prejuízo contábil após reconhecer provisões regulatórias próximas de R$ 1 bilhão relacionadas a uma decisão sobre precatórios.

No mercado de crédito privado, o trimestre foi marcado pela continuidade do ajuste dos spreads, ainda que com certa estabilização a partir de maio. Segundo o BB Investimentos, a capacidade das empresas de repassar custos, sustentar margens e preservar cobertura de juros passou a ser um fator determinante para a percepção de risco dos investidores.

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O relatório conclui que, apesar da elevação gradual da alavancagem em vários setores, a maior parte das companhias ainda mantém níveis considerados administráveis, sustentados por disciplina de investimentos, foco na geração de caixa e, em alguns casos, programas de desinvestimentos voltados à redução do endividamento.

Energia cresce, mas lucro encolhe

O setor elétrico seguiu beneficiado pela expansão da base de ativos, especialmente em transmissão. A Taesa (TAEE11) manteve margem EBITDA elevada, de 85%, apoiada pela maturação de projetos e reajustes inflacionários. Ainda assim, o lucro líquido regulatório recuou cerca de 30%.

Situação semelhante ocorreu na Isa Energia (ISAE3; ISAE4), cuja receita avançou 20,9% e o EBITDA cresceu 22,5%, mas o lucro caiu 32% devido ao aumento do endividamento e à indexação da dívida ao IPCA.

Entre as companhias integradas, a Engie Brasil (EGIE3) se destacou positivamente, com crescimento de receita, EBITDA e lucro líquido ajustado, impulsionados por novos ativos e expansão dos projetos de transmissão. Já a Auren (AURE3) teve queda de 12,4% no EBITDA ajustado, afetada por cortes de geração renovável e menor intensidade dos ventos.

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No segmento de distribuição, Equatorial (EQTL3), Neoenergia (NEOE3) e CPFL Energia (CPFE3) apresentaram evolução operacional apoiada pelo crescimento do mercado consumidor e pelos reajustes tarifários. Mesmo assim, o elevado volume de investimentos e o ambiente de juros altos continuaram limitando uma redução mais significativa da alavancagem financeira.

Combustíveis são o grande destaque

O principal destaque positivo da temporada veio do setor de petróleo e distribuição de combustíveis.

A Petrobras (PETR4) reportou um resultado considerado expressivo, beneficiada pela alta de 29,7% do preço médio do Brent, maior volume exportado e crescimento da produção impulsionado pelo pré-sal. O EBITDA ajustado alcançou R$ 100,6 bilhões, alta de 73,8%, enquanto o fluxo de caixa livre avançou 92,3%.

No segmento de distribuição, Vibra Energia (VBBR3) e Ultrapar (UGPA3) aproveitaram um ambiente competitivo mais favorável, marcado pela escassez global de derivados e melhora regulatória.

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A Ultrapar registrou crescimento de 70% do EBITDA ajustado e reduziu sua alavancagem para 0,9 vez dívida líquida sobre EBITDA, o menor nível desde 2008. Já a Vibra encerrou o trimestre com forte geração de caixa e redução significativa do endividamento, levando a alavancagem para 1,3 vez.

Custos desafiam frigoríficos e indústria de base

Nos frigoríficos, o aumento dos preços do gado e dos custos logísticos continuou pressionando margens.

A JBS (JBSS32) registrou prejuízo líquido de R$ 516 milhões, apesar do crescimento da receita. A Minerva Foods (BEEF3) manteve desempenho operacional resiliente, mas viu seu lucro cair 57%, impactado pelas despesas financeiras. A MBRF (MBRF3) também enfrentou pressão sobre os resultados, com lucro líquido recuando 19%.

Em siderurgia e mineração, os resultados foram mistos. A Vale (VALE3) entregou números acima do esperado, impulsionada pelo desempenho dos segmentos de minério de ferro, cobre e níquel. Já a CSN (CSNA3)apresentou prejuízo de R$ 773 milhões, atribuído principalmente ao aumento das despesas financeiras decorrentes da variação cambial sobre a dívida.

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No setor de papel e celulose, tanto Klabin (KLBN11) quanto Suzano (SUZB3)mostraram resiliência operacional, mas foram impactadas pela valorização do real e pela alta dos custos. A Suzano manteve geração de caixa sólida e reduziu a dívida líquida em R$ 1,9 bilhão frente ao trimestre anterior.

Mercado imobiliário e logística sustentam desempenho

O setor imobiliário segue entre os destaques positivos. Cyrela (CYRE3), Direcional (DIRR3) e MRV&Co (MRVE3) mostraram recuperação de geração de caixa e vendas consistentes, mesmo em um ambiente de juros elevados.

A Cyrela voltou a gerar caixa e reduziu a dívida líquida ajustada para R$ 1,9 bilhão. A Direcional retomou a geração de caixa e manteve indicadores de endividamento confortáveis. Já a MRV avançou na recuperação operacional no Brasil e continuou seu plano de desinvestimentos nos Estados Unidos.

Em transporte e logística, os resultados também foram sólidos. Localiza (RENT3) registrou lucro líquido de R$ 1 bilhão, com crescimento de 31%, sustentado pelo forte desempenho do segmento de seminovos. A Movida (MOVI3) apareceu entre os principais destaques do trimestre, impulsionada pela locação de veículos e melhora da rentabilidade.

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Rumo (RAIL3) e MRS Logística mantiveram expansão de volumes transportados, embora tenham sentido o peso das despesas financeiras no lucro.

Hapvida preocupa

No setor de saúde, o principal ponto de atenção é a Hapvida (HAPV3). A companhia registrou deterioração da rentabilidade, com queda de 44% do EBITDA ajustado e aumento da sinistralidade.

Segundo o BB Investimentos, a empresa mantém situação administrável no curto prazo graças ao cumprimento dos covenants financeiros, ausência de concentração de vencimentos relevantes e liquidez adequada. Ainda assim, a desalavancagem dependerá do sucesso das medidas adotadas para recuperar margens e geração de caixa.

Por outro lado, DASA (DASA3) e Rede D’Or (RDOR3) apresentaram evolução operacional positiva. A Dasa teve crescimento de 52,6% no EBITDA e geração de caixa livre de R$ 292 milhões, enquanto a Rede D’Or ampliou receitas e rentabilidade tanto na operação hospitalar quanto na SulAmérica.

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Coordenadora de redação
Formada em Jornalismo pela PUC-SP, tem especialização em Jornalismo Internacional. Atua como coordenadora de redação no Money Times e já trabalhou nas redações do InfoMoney, Você S/A, Você RH, Olhar Digital e Editora Trip.
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