Petróleo dispara com escalada entre EUA e Irã; Brent recupera os US$ 90
Os preços do petróleo dispararam nesta segunda-feira (31), com o mercado reagindo à escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio.
O barril do Brent, referência global da commodity, voltou a superar a marca dos US$ 90 após a retomada dos confrontos entre os dois países, ampliando as incertezas sobre a reabertura do Estreito de Ormuz.
Por volta das 11h, o contrato mais negociado do Brent avançava 5,64%, negociado a US$ 91. Mais cedo, às 8h45, a alta chegou a 6%, levando a cotação para US$ 91,24 por barril. Já o tipo WTI subia 3,17%, cotado a US$ 86,03 o barril.
O movimento interrompe a trajetória de queda observada na semana passada, quando os preços acumularam perdas superiores a 4% diante da expectativa de avanços diplomáticos entre Washington e Teerã.
A nova alta ocorre após forças americanas atacarem, no domingo (30), dois lançadores de foguetes iranianos posicionados na ilha de Larak, no Estreito de Ormuz. Segundo autoridades dos Estados Unidos, a operação teve como objetivo impedir a instalação de novas minas marítimas na região. Foi a primeira ofensiva militar americana contra alvos iranianos em mais de um mês.
A retaliação veio ainda nesta segunda-feira. A Guarda Revolucionária afirmou ter lançado mísseis balísticos contra duas bases aéreas americanas na Jordânia e realizado ataques com drones contra posições militares dos Estados Unidos nos Emirados Árabes Unidos. Autoridades jordanianas disseram ter interceptado oito mísseis, enquanto os Emirados relataram ter reagido a um drone identificado em suas águas territoriais.
Para Bruno Cordeiro, analista de inteligência de mercado da StoneX, a retomada dos ataques diretos entre Washington e Teerã elevou significativamente os prêmios de risco geopolítico embutidos nos preços da commodity.
“O mercado trabalha com um prêmio de risco mais elevado não apenas pelas incertezas sobre a retomada dos fluxos físicos de petróleo e derivados por Ormuz, mas também pela retomada das ofensivas diretas entre os dois países”, afirma. Segundo ele, o cenário reduz as expectativas de avanço nas negociações diplomáticas e aumenta as preocupações com eventuais impactos sobre a infraestrutura petrolífera iraniana.