Casas Bahia (BHIA3): Por que as ações disparam 47% nesta segunda-feira (31)?
As ações da Casas Bahia (BHIA3) operam em disparada no pregão desta segunda-feira (31), após a companhia informar que a Justiça de São Paulo aprovou a antecipação dos efeitos do pedido de recuperação judicial, com a suspensão de cobranças contra a varejista pelo período de 180 dias (6 meses).
A decisão do Juízo da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo suspende, a contar de 19 de agosto e até 15 de fevereiro de 2027, “todas as ações e execuções contra as recuperandas (empresas do grupo)” e estão vedados “novos atos constritivos”.
Por volta de 11h50 (horário de Brasília), as ações BHIA3 disparavam 47,50%, cotadas a R$ 0,59. Acompanhe o tempo real.
Vale lembrar que as ações da varejista negociam na casa dos centavos; dessa maneira, pequenas oscilações causam uma variação expressiva na movimentação da ação.
Apesar da vitória na Justiça, a juíza Taina Maria Leonardo de Oliveira não aprovou, neste momento, o deferimento da recuperação judicial. Para isso, houve a determinação de trabalhos periciais para constatar qual a situação financeira da varejista.
A perícia ficará a cargo da ACFB Administração Judicial, que terá 30 dias para entregar o laudo.
Mesmo com o processamento da ação ainda não deferido, a juíza ressalta que a lei autoriza “expressamente a concessão de tutela de urgência antecedente para suspender execuções e atos de constrição antes da decisão formal de processamento”. Ela ressalta que “o perigo de dano revela-se concreto e atual”.
“Conforme demonstrado pelas recuperandas, a notícia do ajuizamento recuperacional deflagrou corrida de credores contra o patrimônio do Grupo, com bloqueios judiciais que alcançaram cerca de R$ 9 milhões em poucos dias e risco iminente de desfalque patrimonial. Deixar as devedoras desprotegidas durante os 30 dias da constatação prévia comprometeria a viabilidade do soerguimento empresarial”, afirmou.
A companhia pediu também restabelecimento do acesso às suas contas no BTG Pactual, o que a magistrada acatou. “O bloqueio de acesso das devedoras às suas contas correntes e extratos bancários impede a gestão ordinária da atividade”, disse. Ela determinou o restabelecimento do acesso em 24 horas, sob pena de multa diária de R$ 100 mil.
A empresa requereu ainda o estorno de retenções preventivas sobre a “agenda de recebíveis” pelas credenciadoras Cielo, Getnet e Redecard. Segundo Oliveira, “as retenções foram motivadas exclusivamente pela expectativa genérica de cancelamentos futuros (chargebacks) decorrentes do ajuizamento da recuperação”, o que pode “configurar conduta unilateral incompatível com os arranjos de pagamento”.
Recuperação judicial da Casas Bahia
A Casas Bahia anunciou em 16 de agosto que entrou com pedido de recuperação judicial da companhia, em conjunto com algumas subsidiárias.
A empresa afirmou que o pedido ocorre em um contexto de deterioração das condições econômico-financeiras, atribuindo o cenário, entre outros fatores, a um ambiente macroeconômico marcado por taxas de juros elevadas, restrição de crédito, aumento do custo financeiro e pressão sobre o consumo e o capital de giro.
Além disso, a companhia reportou no balanço do segundo trimestre do ano prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões. O valor é 18 vezes maior do que o saldo negativo de R$ 555 milhões apresentado no mesmo período do ano anterior.
De acordo com a varejista, o resultado foi impactado em R$ 9,1 bilhões por eventos não recorrentes, como contratos não performados, baixa de ativos, gastos com reestruturação e Imposto de Renda (IR) diferido.
*Com Estadão Conteúdo