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Minerva (BEEF3): Potencial de 40% não basta — o que o Itaú BBA quer ver para ficar mais otimista?

31 ago 2026, 12:07
Minerva beef3 (2)
(Imagem: Divulgação/Minerva Foods)

O Itaú BBA enxerga um cenário estruturalmente favorável para a Minerva Foods (BEEF3) e calcula potencial de valorização de 40,7% para as ações. Ainda assim, esse espaço para alta não basta para afastar a cautela dos investidores.

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Após uma reunião com o CEO da companhia, Fernando Queiroz, e o CFO, Edison Ticle, o banco afirmou que o mercado deve aguardar sinais mais concretos de geração de caixa e redução da dívida antes de adotar uma postura mais otimista com os papéis.

O Itaú BBA trabalha com preço-alvo de R$ 5,50 para BEEF3 em 2026, ante a cotação de R$ 3,91 utilizada no relatório.

Na avaliação dos analistas, o ritmo de desalavancagem será o fator mais importante para a tese de investimento da Minerva nos próximos trimestres, sobretudo diante do custo de capital ainda elevado.

“A tese de investimento depende cada vez mais da capacidade de transformar essas vantagens estruturais em geração visível de fluxo de caixa livre, normalização do capital de giro e desalavancagem”, afirma o banco.

O que falta para o mercado ficar mais otimista?

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A geração de caixa tornou-se o principal compromisso da administração da Minerva e passou a orientar as decisões financeiras da companhia.

Segundo o Itaú BBA, a empresa está gerindo ativamente capital de giro, estoques, investimentos, dividendos e refinanciamentos para acelerar a redução da dívida e preservar sua flexibilidade financeira.

A administração indicou que despesas financeiras equivalentes a aproximadamente 35% do Ebitda representariam um limite máximo saudável nas condições atuais. Essa proporção corresponderia a uma alavancagem de cerca de 1,7 vez.



Até retornar ao patamar desejado, a Minerva reduziu o pagamento mínimo de dividendos de 50% para 25% do lucro líquido. A companhia também mantém uma posição de caixa mais elevada e realiza a rolagem seletiva de suas dívidas em meio ao ambiente macroeconômico mais pressionado no Brasil.

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Para o Itaú BBA, a normalização do capital de giro representa uma fonte importante de liquidez. Esse processo deve avançar à medida que os recebíveis ligados às vendas para a China sejam recuperados, os ativos biológicos amadureçam e os estoques diminuam.

A redução dos estoques, contudo, pode ocorrer de maneira mais lenta do que em 2025, quando boa parte do movimento ficou concentrada no terceiro trimestre.

Parte da normalização pode avançar para o quarto trimestre de 2026 caso as condições de mercado e as oportunidades de arbitragem nas exportações justifiquem a manutenção dos produtos por mais tempo.

Cenário favorável para a carne bovina

Do ponto de vista operacional, a Minerva encontra um ambiente positivo. A administração espera uma redução da produção mundial de carne bovina em 2026, em meio à oferta mais restrita no Hemisfério Norte e a possíveis mudanças no ciclo pecuário australiano.

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Esse quadro reforça a competitividade estrutural da América do Sul no abastecimento dos mercados internacionais.

O Brasil deve permanecer particularmente bem posicionado graças ao menor custo de produção, à ampla disponibilidade de pastagens e à adoção crescente de confinamento, semiconfinamento e sistemas integrados.

A intensificação das pastagens e os avanços na nutrição animal também têm sustentado ganhos de produtividade.

Além disso, o desenvolvimento do etanol de milho e a consequente maior disponibilidade de DDG, coproduto usado na alimentação do gado, foram descritos pela administração como transformadores para a pecuária.

China e Estados Unidos abrem oportunidades

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A diversificação geográfica da Minerva também deve ganhar valor à medida que o comércio mundial se adapta a um ambiente mais fragmentado, segundo o Itaú BBA.

As recentes medidas de salvaguarda adotadas pela China criaram oportunidades para os exportadores da América do Sul. Já a nova cota anunciada pelos Estados Unidos pode melhorar a posição competitiva brasileira ao reduzir a concorrência de fornecedores tradicionais, como Austrália e Argentina.

Mesmo em um cenário no qual a China busque ampliar sua autossuficiência alimentar e reduzir a dependência de grandes fornecedores, como Estados Unidos e Austrália, a administração não acredita que isso impeça uma relação mais próxima com o Brasil.

A posição brasileira como fornecedor confiável de alimentos no longo prazo deve preservar a relevância do país nesse novo desenho do comércio global.

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Para a Minerva, sua presença internacional permite arbitrar diferenças entre os mercados e ajustar as estratégias produtiva e comercial conforme os mecanismos de cotas se tornem mais claros.

A companhia também acompanha oportunidades em segmentos de maior valor agregado, como carne resfriada, produtos com certificações religiosas, raças específicas e carne bovina de baixo carbono.

A prova que os investidores esperam

O Itaú BBA considera que a plataforma diversificada, a presença global e a capacidade de gestão de riscos deixam a Minerva bem posicionada para atravessar um ambiente macroeconômico mais volátil.

No entanto, essas vantagens ainda precisam aparecer de maneira mais clara nos números da companhia.

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Por isso, embora o cenário permaneça construtivo, os investidores institucionais devem exigir evidências mais concretas de geração sustentável de fluxo de caixa livre e de redução da alavancagem antes de aumentar significativamente a exposição a BEEF3.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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