Petróleo opera em queda nesta sexta, mesmo com riscos persistentes na oferta do Oriente Médio
Os preços do petróleo registram queda nesta sexta-feira (10), mas devem fechar a semana com ganhos na semana devido aos temores de interrupções no fornecimento da principal região produtora do Oriente Médio, após a retomada dos confrontos entre Estados Unidos e Irã nesta semana reduzir o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz.
Os contratos futuros do Brent caíam 63 centavos, ou 0,83%, para US$ 75,67 por barril às 4h59 (horário de Brasília). O petróleo West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, caía 61 centavos, ou 0,85%, para US$ 71,47 por barril.
Na semana, o Brent acumulava alta de cerca de 6%, enquanto o WTI caminhava para um avanço de aproximadamente 5%.
“Os preços recuaram em relação às máximas registradas no meio da semana, mas ainda existe um prêmio de risco substancial, já que o tráfego pelo Estreito de Ormuz voltou a ficar praticamente paralisado, sem sinais claros de quando a reabertura normal poderá ser retomada”, afirmou Vandana Hari, fundadora da consultoria de análise do mercado de petróleo Vanda Insights.
“No entanto, parece que a confiança do mercado de que Estados Unidos e Irã voltarão à via diplomática para resolver a questão está limitando novas altas”, acrescentou Hari.
As Forças Armadas iranianas lançaram ataques contra infraestrutura militar dos Estados Unidos em países do Golfo nesta quinta-feira (9), em resposta aos ataques norte-americanos contra províncias costeiras do sul e regiões do leste do Irã, aumentando ainda mais a tensão em torno de um cessar-fogo que já durava três semanas. Separadamente, a imprensa iraniana informou sobre múltiplas explosões no sul do país, incluindo na cidade de Bushehr, onde está localizada uma das usinas nucleares iranianas.
A retomada dos confrontos ocorreu no mesmo dia em que o Irã sepultou seu líder supremo morto, o aiatolá Ali Khamenei, encerrando uma semana de grandes procissões fúnebres e manifestações. Khamenei foi morto no primeiro dia da guerra, em 28 de fevereiro.
Os novos combates adiaram a reabertura completa do Estreito de Ormuz, por onde passava cerca de 20% do fornecimento diário mundial de petróleo e gás antes do início da guerra.
O tráfego de navios-tanque pelo estreito permaneceu praticamente paralisado ontem, segundo dados de monitoramento marítimo, enquanto os proprietários das embarcações avaliavam os riscos decorrentes dos ataques mais recentes, iniciados após o Irã atingir um navio de gás natural liquefeito (GNL) do Catar que deixava a hidrovia nas proximidades de Omã.
Ainda assim, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na quarta-feira que não acredita que a guerra será retomada em larga escala em razão dos novos confrontos e disse que “qualquer coisa que aconteça será resolvida muito rapidamente”.
“Apesar de os Estados Unidos terem intensificado os ataques contra alvos militares no Irã, o mercado encontrou algum alívio na decisão do governo Trump de evitar atingir a infraestrutura energética iraniana”, afirmou Daniel Hynes, estrategista sênior de commodities do banco ANZ.
“Isso foi reforçado pelas declarações do presidente Trump, que disse não esperar um retorno a um conflito em grande escala.”