PF cumpre mandados de busca e apreensão contra Cláudio Castro, ex-governador do Rio, e dono da Refit
A Polícia Federal cumpre nesta sexta-feira (15) mandados de busca e apreensão contra o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro e contra o dono da Refit, Ricardo Magro.
De acordo com comunicado da PF, que não citou nomes, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros e a suspensão das atividades econômicas das empresas investigadas.
A PF informou que a “Operação Sem Refino” apura “atuação de conglomerado econômico do ramo de combustíveis suspeito de utilizar estrutura societária e financeira para ocultação patrimonial, dissimulação de bens e evasão de recursos ao exterior”.
Na ação, foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão e sete medidas de afastamento de função pública nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal, por determinação do Supremo Tribunal Federal, acrescentou a PF.
Pré-candidato ao Senado, Castro renunciou em 23 de março, dois dias antes de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) finalizar o julgamento que o tornou inelegível até 2030. Mesmo assim, ele é pré-candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro nas eleições 2026.
Considerado o maior sonegador e devedor contumaz do Brasil, o empresário Ricardo Magro mora em Miami (EUA), de onde comanda a Refit. A companhia tem um passivo estimado pelo governo de R$ 26 bilhões. De acordo com o UOL e o G1, seu nome foi incluído na “difusão vermelha” da Interpol, na qual figuram os mais procurados.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu publicamente ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que prendesse o dono da Refit, uma das principais empresas envolvidas no esquema.
O advogado Carlo Luchione, defensor de Castro, disse à Reuters que ainda não havia tido conhecimento da motivação da busca e apreensão, determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
A defesa de Ricardo Magro não respondeu de imediato a pedido de comentário.
Em nota, a Refit disse que questões tributárias envolvendo a companhia estão sendo discutidas no âmbito judicial e administrativo, acrescentando que a atual gestão herdou passivos tributários acumulados por administrações anteriores e, desde então, vem adotando medidas para regularização dessas obrigações
“A Refit jamais falsificou declarações fiscais para ter vantagens tributárias. Laudos científicos da carga apreendida nas últimas operações comprovam que o produto importado é óleo bruto de petróleo, conforme devidamente declarado no documento de importação. Causa estranheza a Receita Federal impedir a realização da perícia judicial que possa corroborar os laudos de profissionais já apresentados em juízo”, acrescentou.