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Pontas opostas do Ibovespa: O que explica a queda da CSN (CSNA3) e a alta da Usiminas (USIM5) no 1º semestre

01 jul 2026, 18:56 - atualizado em 01 jul 2026, 19:25
Usiminas
Ações da CYRE3 também são recomendação de compra no day trade desta terça-feira (Imagem: REUTERS/Stringer)

Duas ações do setor siderúrgico foram destaque no Ibovespa (IBOV) no primeiro semestre. Os desempenhos delas, no entanto, contaram duas histórias diferentes.

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Líder da ponta positiva do principal índice da bolsa brasileira, a Usiminas (USIM5) disparou 42,02% na primeira metade do ano. Já a CSN (CSNA3), por outro lado, encabeçou as baixas do IBOV, derretendo 48,21%.

O cenário para o setor siderúrgico já não era do mais otimistas com a fraqueza da demanda chinesa, mas a elevada alavancagem da CSN pressionou a cotação do papel, segundo analistas consultados pelo Money Times.

De acordo com eles, a Usiminas, em contrapartida, foi favorecida com um resultado positivo do primeiro trimestre de 2026 (1T26), além de uma junção de fatores que proporcionou um “céu azul” na fotografia da ação.

O que levou à queda da CSN?

“Tempestade em copo d’água” resume o cenário enfrentado pela CSN no primeiro semestre, na avaliação do analista Rafael Passos, sócio da Ajax Asset.

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No começo de 2026, os Estados Unidos tinham uma taxa de 50% sobre aço e alumínio vindos do Brasil, o macro apresentava juros elevados e demanda fraca, houve avanço no endividamento da companhia, além da guerra no Oriente Médio encarecer o frete.

“O que salva a CSN é o lado de mineração, que consegue surfar em uma melhora marginal de China. Cerca de 50% do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) da holding é fruto do lado de mineração”, explica Passos. “Já o lado siderúrgico vem derrapando.”

Para o analista, o fato de a CSN Mineração (CMIN3) oferecer dividendos mais gordos do que a CSNA3, também contribuiu para que o investidor não fique posicionado na siderúrgica.

Adicionalmente, o mercado começou a bater mais no pé da CSN com a dinâmica de giro de capital, “que não vai continuar se financiando”, afirma Passos. “É preciso vender ativos, como o lado de cimentos”, diz.

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No entanto, segundo o sócio da Ajax, um ponto complica a venda da divisão de cimentos: o controlador da empresa, Benjamin Steinbruch. “Essa não é a primeira vez que vemos a conversa de venda de ativos da CSN”, acrescenta.

Na mesma linha, o sócio e analista da Fatorial Investimentos, Fabio Leme, observa que os possíveis compradores esperavam um valor mais baixo, entre R$ 11 e R$ 12 bilhões, pela CSN Cimentos. No entanto, Steinbruch mira a entrada de R$ 13 bilhões a R$ 14 bilhões pela unidade, diz.

“Essa é a promessa do Steinbruch que não entregou resultado, a desalavancagem não aconteceu”, afirma, complementando que a alavancagem no 1T26 da companhia foi de 3,4x a relação dívida líquida/Ebitda, com a dívida líquida em R$ 40,5 bilhões.

Diante do cenário desafiador do setor e interno da companhia, Leme avalia que a CSN trabalha para pagar os juros, dependendo mais de siderurgia e mineração do que a Usiminas.

‘Céu azul’ para a Usiminas

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Já a Usiminas vislumbrou um “céu azul”, na visão de Leme. O analista afirma que a ação foi beneficiada pelas medidas antidumping no aço implementadas pelo governo brasileiro, visto que isso eleva os preços no mercado interno, além de apresentar números positivos no primeiro trimestre de 2026.

Na avaliação dos analistas, o valuation da Usiminas também foi um fator que impulsionou a ação. “A empresa consegue aproveitar um pouco desse valuation mais atrativo, que dá um fôlego para o investidor que busca alguns papéis um pouco mais descontados em bolsa. E em termos de alavancagem, ela também está melhor do que a CSN”, considera Passos, da Ajax Asset.

Ao olhar para a relação dívida líquida/Ebitda, a siderúrgica apresentou -0,2x no 1T26, o que indica que há saldo em caixa, explica Leme. No período, a companhia também apresentou lucro líquido de R$ 391 milhões.

“Uma está mais barata do que a outra – justamente nesse ponto – foi o início da arrancada de Usiminas. Após o balanço, o mercado viu que a Usiminas entregou exatamente o que ele queria: preço melhor, mix de produtos bom, balanço limpo e caixa livre”, diz.

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Antes, a CSN tinha um múltiplo de preço por lucro (P/L) de 9,7x, enquanto a Usiminas, de 12,2x P/L. Ainda assim, o investidor considerava USIM5 mais atrativa pela desalavancagem.

Hoje, as ações negociam segundo Leme, são negociadas com um P/L de 7,4x, no caso de CSN, e de 14,4x, no de Usiminas.

O que esperar de Usiminas e CSN agora?

Para Leme, um ponto pode melhorar ainda mais os ventos favoráveis para Usiminas: a falta de renovação do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA, na sigla em inglês). Hoje, os EUA se recusaram a renovar o acordo comercial.

Em comunicado, o representante comercial americano (USTR), Jamieson Greer, afirmou que o tratado “não foi renovado”, mas ressaltou que ele permanece em vigor enquanto as partes negociam mudanças ou até uma eventual rescisão.

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Mesmo com o valution mais caro da Usiminas, Leme avalia que ainda há espaço para andar um pouco mais, de olho em um possível melhora do consumo e na sobretaxação da importação do aço pela União Europeia.

Já no caso da CSN, se a holding conseguir vender a divisão de cimentos por R$ 12 bilhões, Leme considera que isso já ajudaria a aliviar a dívida da companhia em cerca de 25% a 30%. “Concorda que para um ativo que está extramamente descontado isso pode ser um senhor gatilho, ou trigger?”, questiona o analista.

Diante desse cenário, Leme avalia que também vale manter CSN no radar durante o segundo semestre do ano.

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Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
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