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Depois do Fleury (FLRY3), Porto Seguro (PSSA3) desiste da Oncoclínicas (ONCO3) e propostas para a pressão financeira diminuem

14 abr 2026, 8:12 - atualizado em 14 abr 2026, 11:36
Porto Seguro (PSSA3) e a Oncoclínicas (ONCO3) (Imagem Montagem Money Times)
Porto Seguro (PSSA3) e a Oncoclínicas (ONCO3) (Imagem Montagem Money Times)

A Porto Seguro (PSSA3) anunciou ao mercado, na manhã desta terça-feira (14), o encerramento das negociações com a Oncoclínicas (ONCO3) para uma potencial operação que criaria uma nova empresa e traria algum fôlego financeiro para a rede de oncologia.

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O movimento acompanha a desistência do Fleury (FLRY3), que havia se juntando à Porto nas negociações.

A operação previa que a Oncoclínicas aportaria os ativos e operações que detém relacionadas às clínicas oncológicas, bem como endividamentos e passivos da Oncoclínicas no valor total de, no máximo, R$ 2,5 bilhões.

O Fleury e a Porto investiriam, em conjunto, R$ 500 milhões na NewCo por meio de uma holding, da qual seriam os únicos acionistas e por meio da qual passariam a deter o controle da empresa.

Essa nova empresa emitiria debêntures voluntariamente conversíveis em ações ordinárias de sua emissão (debêntures conversíveis), que seriam subscritas pela holding, pela Porto ou pelo Fleury, observado que a Oncoclínicas teria o direito de também subscrever debêntures conversíveis até o limite de 30% do volume total.

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De acordo com o fato relevante da Porto, a Oncoclínicas fica agora liberada da exclusividade de negociação prevista no termo não vinculante entre elas.

Sem Porto e Fleury, ainda há propostas na mesa

Apesar do encerramento da potencial operação envolvendo Porto Seguro e Fleury, a Oncoclínicas ainda tem caminhos no horizonte.

Isso porque, recentemente, houve o anúncio ao mercado de que o acionista MAK Capital Fund LP estaria interessado em realizar um aporte de aproximadamente R$ 500 milhões na companhia. O aporte da gestora estaria condicionado à convocação de uma assembleia geral extraordinária (AGE) para deliberar sobre cinco tópicos.

O primeiro é a informação e discussão sobre a situação econômico-financeira da Oncoclínicas, incluindo, sem limitação, as medidas adotadas ou em curso para repactuação de vencimentos e proteção da operação.

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Somado a isso, o acionista pediu a destituição dos membros do conselho de administração, a fixação do número de membros para compor o conselho durante o mandato em curso e a eleição dos membros do conselho de administração e aprovação da qualificação dos membros independentes.

Vale destacar que a destituição dos membros do conselho de administração já ocorreu, sendo um dos passos requeridos já cumpridos.

Por fim, o aporte da MAK Capital Fund LP estaria condicionado à indicação do presidente e vice-presidente do conselho de administração.

A Oncoclínicas também confirmou o recebimento, no dia 24 de março, de uma oferta não vinculante de financiamento da Mak Capital Fund LP, da Lumina Capital Management e da Lumina Fund III GP (as duas últimas, em conjunto “Lumina”) no valor de R$ 100 milhões a R$ 150 milhões.

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A proposta se operacionalizaria por meio da constituição pela companhia de um fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC) e da cessão de R$ 200 milhões de recebíveis ao FIDC.

“A oferta Mak/Lumina traz exigências de cessão de recebíveis e garantias inviáveis, tal qual a alienação fiduciária de ações de um hospital que não pertence mais à companhia. Neste momento, a administração está avaliando alternativas de estruturação de uma operação viável, que permita dar prosseguimento à negociação com a Mak e a Lumina”, disse a Oncoclínicas em comunicado.

Situação na Oncoclínicas

Na última semana, a Oncoclínicas reportou um prejuízo líquido de R$ 1,516 bilhão referente ao quarto trimestre de 2025, aumentando as perdas de R$ 759 milhões que já haviam sido registradas no mesmo período de 2024.

A companhia apurou um resultado operacional medido pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de R$ 238,8 milhões no último trimestre de 2025, recuo de 24% sobre o quarto trimestre de 2024.

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A receita líquida no 4T25 também registrou queda, sendo 12,6% inferior ao mesmo período de 2024, para R$ 1,37 bilhão.

O JP Morgan avaliou os números do trimestre como abaixo do esperado, impactados pela queda de receita, que reflete a redução de volumes diante de uma estratégia recentemente implementada para diminuir a exposição a pagadores de menor qualidade, que exigem prazos de pagamento mais longos.

Na leitura da equipe de analistas liderada por Joseph Giordano, as limitações no balanço estão restringindo os volumes de serviços, devido à oferta limitada de medicamentos.

Além do resultado abaixo do esperado, os auditores independentes destacaram o capital de giro negativo de R$ 2,3 bilhões, principalmente como consequência do descumprimento de covenants financeiros nos contratos de financiamento.

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Covenants nada mais são do que cláusulas contratuais presentes em empréstimos e debêntures que determinam níveis saudáveis em que a companhia deve se manter, como limite de endividamento. É uma maneira de proteger credores de inadimplência.

O índice de alavancagem da Oncoclínicas está em 4,3 vezes, acima dos limites de covenants. A quebra levou à reclassificação da dívida de longo prazo para o curto prazo, uma vez que os credores passaram a ter o direito de exigir o pagamento antecipado dessas obrigações.

“Essas circunstâncias, combinadas com outros fatores, indicam uma incerteza relevante que pode ‘levantar dúvidas significativas sobre a capacidade da companhia de continuar operando’, segundo a própria empresa, especialmente diante da ausência de geração de fluxo de caixa livre”, destacou o JP Morgan.

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Repórter
Formada em jornalismo pela Universidade Nove de Julho. Ingressou no Money Times em 2022 e cobre empresas, com foco em varejo e setor aéreo.
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