Fundos Imobiliários

Poucos pregões, grande impacto: Tentar acertar o ‘timing’ nos FIIs pode custar caro, segundo a XP

02 out 2026, 14:37
Fundos imobiliários FIIs (Imagem: cherdchai chawienghong/ istockphoto) ID da foto: 2193626844
Poucos pregões, grande impacto: O custo de tentar acertar o timing nos FIIs, segundo a XP (Imagem: cherdchai chawienghong/ istockphoto)

Quando trata-se de fundos imobiliários (FIIs), tentar adivinhar os momentos de entrada e saída pode comprometer significativamente a rentabilidade no longo prazo, apontou um estudo da XP Investimentos.

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Segundo o levantamento, ficar de fora de apenas três dos melhores pregões do IFIX (principal índice da classe na B3) nos últimos 10 anos teria reduzido o retorno total acumulado em cerca de 20%.

Já a ausência nos 30 melhores dias, que representam apenas 1,2% das sessões da década, teria derrubado o retorno acumulado em 68,8%, de +133,9% para +41,7%.

“Em outras palavras, não estar posicionado em fundos imobiliários durante apenas 0,12% a 1,21% dos pregões analisados teria comprometido substancialmente o retorno acumulado pelo investidor ao longo de uma década”, afirmou a XP.

Segundo a corretora, esse resultado reforça a leitura de que o mercado tende a incorporar rapidamente novas informações e mudanças nas expectativas, dificultando a captura desses movimentos por meio de estratégias de market timing.

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“No caso específico dos FIIs, essa dificuldade pode ser ainda mais acentuada pela menor liquidez de parcela relevante da classe, o que limita a capacidade de montar posições relevantes sem pressionar os preços em períodos de recuperação mais intensa”, ponderou a casa.

Além disso, segundo a XP, grande parte das maiores altas diárias observadas ocorreu em cenários de volatilidade acima da média e após períodos de desvalorização ou estabilização do índice, justamente em condições que tendem a aumentar a aversão ao risco e a levar os investidores a reconsiderar sua alocação estrutural.

FIIs de tijolo x FIIs de papel

De acordo com a XP, o custo do “erro de timing” é mais severo nos fundos imobiliários de tijolo do que nos de recebíveis (conhecidos popularmente como papel), devido à maior volatilidade dos ativos reais.

Para os FIIs de tijolo, a ausência nas três maiores altas teria reduzido em 24,8% o retorno total acumulado em 10 anos. O impacto chegaria a aproximadamente 78% no cenário em que as 30 maiores altas fossem excluídas.

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Nos fundos de recebíveis, o mesmo padrão foi observado, embora de forma menos acentuada. As reduções alcançariam 17,3% e 68% diante da exclusão, respectivamente, das 3 e das 30 maiores altas diárias.

“Em nossa avaliação, essa diferença é consistente com a maior volatilidade dos fundos de tijolo, que tende a produzir movimentos mais acentuados de valorização e queda em resposta às mudanças nas condições de mercado”, afirmou a XP.

“Os resultados sugerem, portanto, que, quanto maior a volatilidade da subclasse, maior tende a ser o custo de não capturar seus melhores dias de negociação”, acrescentou.

Disciplina de alocação acima de previsão de mercado

De acordo com a corretora, os dados reforçam uma mensagem central: tentar acertar o market timing nos fundos imobiliários tende a ser uma “estratégia arriscada e potencialmente custosa” em termos de retorno, mesmo quando bem-intencionada.

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“Essas evidências não implicam manter uma exposição invariável aos FIIs nem ignorar mudanças nos fundamentos, no valuation, na liquidez ou nas condições macroeconômicas. A principal implicação é que fatores conjunturais não deveriam levar automaticamente ao abandono da exposição estrutural à classe, sobretudo quando os fundamentos que justificam sua presença no portfólio permanecem preservados”, afirmou a XP.

Para a corretora, uma abordagem que costuma ser mais adequada é definir uma alocação estrutural compatível com os objetivos, as restrições de liquidez e a tolerância ao risco de cada investidor, realizando ajustes táticos em torno desse núcleo.

“Em períodos adversos, mais importante do que tentar antecipar os momentos exatos de saída e reentrada, é avaliar se os fundamentos que justificam a presença dos FIIs no portfólio sofreram mudanças estruturais”, acrescentou.

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Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.
Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.

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