SMTO3, JALL3 e RAIZ4: açúcar se aproxima de US$ 0,20 e usinas disparam na Bolsa; entenda a alta
O contrato do açúcar com vencimento para março de 2027 na Bolsa de Nova York (Intercontinental Exchange) avançavam 5,12%, aos US$ 0,1991, por volta de 14h06 de Brasília.
No mesmo horário, as ações da São Martinho (SMTO3), Jalles (JALL3) e Raízen (RAIZ4) subiam 5,23%, 7,76% e 6,25% na Bolsa.
Segundo Vitor Novaes, analista de commodities do BTG Pactual, o açúcar vem sustentando uma forte valorização à medida que o mercado passa a precificar um balanço global mais apertado para 2026/27.
“Embora a oferta corrente ainda seja confortável, a combinação de riscos climáticos nos principais países produtores vem deteriorando as perspectivas para a próxima safra. Tailândia, Índia e União Europeia enfrentam condições adversas que podem limitar a produção, enquanto, no Centro-Sul do Brasil, o excesso de chuvas tem atrasado a colheita e a moagem”.
Na avaliação do analista, esse cenário aumenta a relevância do risco de déficit global e leva o mercado a incorporar às cotações um prêmio maior pelos riscos climáticos associados ao El Niño.
A valorização também aparece nos dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Divulgado nesta sexta-feira, o índice de preços do açúcar da entidade subiu 6,1% em setembro, na terceira alta mensal consecutiva, e atingiu o maior nível desde abril de 2025.
Clima será fator determinante para produção de açúcar nas usinas brasileiras
As usinas de cana-de-açúcar no Brasil, maior produtor mundial de açúcar e segundo maior produtor de etanol, darão mais atenção às condições climáticas do que aos preços para decidir quanto açúcar ou combustível produzir daqui até o final da colheita, em dezembro.
O clima mais chuvoso do que o normal no centro-sul do Brasil, uma característica dos fenômenos El Niño intensos, provavelmente impedirá que as usinas aumentem a produção de açúcar, como alguns participantes do mercado esperavam após os preços da commodity terem subido mais de 21% no mês passado.
Em vez disso, as usinas brasileiras continuarão a destinar mais cana-de-açúcar à produção de etanol do que à de adoçante, disseram analistas e operadores à Reuters.
*Com informações da Reuters