Federal Reserve

Powell vê juros próximos do neutro e encerra ciclo com Fed cauteloso e inflação ainda fora do alvo

29 abr 2026, 16:45 - atualizado em 29 abr 2026, 16:46
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(Imagem: REUTERS/Kevin Mohatt)

O Federal Reserve manteve os juros dos Estados Unidos inalterados nesta quarta-feira (29), na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, e reforçou uma postura de cautela diante de um cenário marcado por inflação ainda elevada, choques de oferta e aumento das incertezas geopolíticas.

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Na coletiva, o presidente do Fed, Jerome Powell, destacou que a política monetária não segue um caminho pré-definido e que o banco central evita oferecer uma orientação futura rígida devido ao alto grau de incerteza.

“A política monetária não segue um curso pré-estabelecido”, afirmou. Ele disse ainda que o Fed toma decisões reunião a reunião e pode ajustar sua postura “com base nos dados que chegam, na evolução das perspectivas e no balanço de riscos”.

“Estamos bem posicionados para determinar a extensão e o momento de qualquer ajuste com base nas informações recebidas”, completou.

O chairman do Fed avaliou que os juros estão próximos do nível neutro, estimado entre 3% e 4%, o que coloca a política monetária em uma zona “ligeiramente restritiva ou neutra”.

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“Se precisarmos subir juros, vamos sinalizar e agir. Se for apropriado cortar, faremos o mesmo”, disse.
Segundo ele, não houve consenso no Comitê para mudanças na comunicação sobre o viés de política monetária, apesar de divergências internas sobre a adoção de uma postura mais neutra.

O que ainda preocupa o Fed

A inflação segue como principal desafio. Powell reiterou que o índice permanece acima da meta de 2% e que o processo de convergência será gradual. Ele citou uma combinação de choques recentes que dificultam o controle dos preços: tarifas, energia e tensões no Oriente Médio.

“Estamos vendo impactos de energia e tarifas. A questão é quanto disso vai persistir e se espalhar pela economia”, afirmou.

O dirigente destacou que parte do choque das tarifas tende a ser temporário, enquanto o impacto da energia ainda está em desenvolvimento e pode afetar diversos setores, como transporte e serviços.

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O mercado de trabalho também entrou no radar. A taxa de desemprego em 4,3% indica equilíbrio, mas com menor dinamismo, já que há poucas contratações e demissões.

O que esperar daqui pra frente

Powell reforçou que o Fed está em posição confortável para “esperar e observar” a evolução dos dados antes de tomar novas decisões. Segundo ele, a política monetária atual permite ao banco central reagir em qualquer direção conforme o cenário: “Se precisarmos subir juros, vamos fazer isso. Se for apropriado cortar, também faremos”.

Ele afirmou que o Comitê está atento aos efeitos dos choques de energia e ao possível impacto sobre a inflação núcleo, mas destacou que ainda há grande incerteza sobre duração e intensidade desses movimentos.

Última reunião de Powell como presidente e próximos passos

Esta foi a última coletiva de imprensa de Powell como chair do Federal Reserve. Ele afirmou que continuará no cargo até a conclusão de seu mandato e depois seguirá como governador por um período ainda indefinido.

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Powell disse que não pretende atuar como uma espécie de “presidência paralela” e que sua atuação será discreta. “Vou permanecer até que seja apropriado sair”, afirmou.

Novo presidente e transição de comando

Na transição de liderança, Powell afirmou que o processo com o indicado Kevin Warsh deve ocorrer de forma normal. Ele destacou que Warsh tem capacidade para exercer o cargo e demonstrou confiança na transição institucional. “Ele tem habilidades e capacidade para fazer um bom trabalho”, disse.

Ainda assim, Powell fez uma defesa enfática da independência do banco central, afirmando que ela é sustentada principalmente pela lei, mas também por normas institucionais e práticas históricas que separam política monetária e governo.

Ele alertou que essa independência está “sob risco” diante de disputas legais recentes, que levaram o Fed a recorrer à Justiça. “O que importa é a capacidade de conduzir política monetária sem interferência política”, afirmou.

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Segundo ele, bancos centrais independentes são uma das bases de economias bem-sucedidas.
Powell também afirmou que não pretende se manter como figura de influência paralela no comando da instituição e que seu foco é preservar o modelo de decisões baseado em consenso dentro do Comitê, composto por 19 membros com visões diversas.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.

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