Prévia do 1T26 do varejo: Veja os destaques positivos, negativos e os nomes para ficar de olho, segundo Santander
O Santander vê a desaceleração econômica impactando os resultados do primeiro trimestre de 2026 (1T26) do varejo na maioria dos segmentos.
Na visão da equipe de analistas liderada por Lucas Esteves, o varejo de alimentos permanece sob pressão, enquanto o setor farmacêutico deverá se mostrar mais resiliente e manter o ritmo de crescimento. Nesse cenário, a execução é vista como um diferencial fundamental e essencial para a percepção dos investidores.
Na visão do banco, os resultados de C&A (CEAB3), Riachuelo (RIAA3), Assaí (ASAI3) e Arcos Dourados (ARCO) devem performar como os destaques positivos do período, enquanto os balanços do Grupo Mateus (GMAT3) e Azzas 2154 (AZZA3) devem ser mais fracos.
O Santander aponta ainda três nomes para ficar de olho nessa temporada de balanços: Mercado Livre (MELI34), Smart Fit (SMFT3) e Vivara (VIVA3).
Os destaques positivos e negativos
Entre os varejistas de moda, tanto a C&A quanto a Riachuelo devem apresentar resultados sólidos, na visão do Santander.
A Riachuelo pode se destacar, com um crescimento de 9,1% nas vendas nas mesmas lojas (SSS), impulsionado por uma expansão de 140 pontos-base na margem bruta e um aumento de aproximadamente 90 pontos-base na margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) do varejo.
Já para a C&A, a expectativa é de um crescimento mais modesto nas vendas nas mesmas lojas (SSS) do segmento de vestuário (em torno de 3%), com o principal destaque sendo a recuperação trimestral da queda de 0,3% no quarto trimestre de 2025.
Também entre os destaques positivos, o Santander destaca que, embora espere uma queda de 0,6% nas vendas nas mesmas lojas (SSS) do Assaí, a estratégia de preços e a composição das vendas provavelmente impulsionarão uma expansão da margem bruta de aproximadamente 40 pontos-base, compensando parcialmente a redução da alavancagem operacional.
“Os resultados devem reforçar a resiliência da empresa e sua capacidade de se manter lucrativa, apesar do cenário desafiador de consumo”, diz o banco.
Por fim, os analistas esperam um trimestre forte do Arcos Dorados, dona do McDonald’s, com a valorização cambial na maioria dos países onde opera, impulsionando um crescimento da receita de 14% em relação ao ano anterior.
“Combinado com a recuperação contínua das margens, especialmente na divisão da América Latina do Sul, projetamos um aumento do Ebitda de 22% em relação ao ano anterior”, pondera o banco.
Do lado negativo, o Santander espera outro trimestre fraco do Grupo Mateus, seguindo tendências semelhantes ao trimestre anterior, com um ambiente de vendas desafiador e baixa inflação de alimentos, resultando em uma queda de 1,2% nas vendas nas mesmas lojas (SSS).
Somado a isso, os analistas apontam uma pressão contínua sobre a rentabilidade, com a margem Ebitda caindo cerca de 140 pontos-base em relação ao ano anterior, para 6,4%, refletindo a desalavancagem operacional e despesas relacionadas a novas iniciativas.
Por fim, para a Azzas 2154 a expectativa é de mais um trimestre fraco, com queda de receita de 6,5% em relação ao ano anterior, impulsionada por decisões estratégicas relacionadas à dinâmica de vendas e pela contínua fragilidade da unidade de negócios de Produtos Básicos.
“Embora esperemos que a empresa continue buscando eficiência operacional e redução de custos, ainda prevemos alguma desalavancagem operacional, com queda de 11% no Ebitda em relação ao ano anterior”, diz o Santander.
Nomes do varejo para ficar de olho
Entre os nomes para se ficar de olho, o Mercado Livre provavelmente manteve um forte crescimento no primeiro trimestre de 2026, com GMV (volume bruto de mercadorias) subindo 34% em relação ao ano anterior e TPV (volume total de pagamentos) subindo 28% em relação ao ano anterior, impulsionando um crescimento de receita de 42%.
“No entanto, a rentabilidade deve permanecer no foco dos investidores, com a margem Ebit (lucro antes de juros e importos) provavelmente atingindo 7,7%, o que implica uma queda de 5 pontos percentuais em relação ao ano anterior”, diz o banco.
Para a Smart Fit, a expectativa é de mais um trimestre sólido, com crescimento de 26% na receita bruta em relação ao ano anterior e expansão de 23% no lucro líquido em relação ao ano anterior.
No entanto, o Santander pondera que todas as atenções devem estar voltadas para a evolução do número de novos membros de academias no Brasil, que vem sofrendo pressão devido à concorrência e à canibalização de clientes.
No caso da Vivara, após um desempenho fraco em termos de margem no quarto trimestre de 2025, o banco espera que os investidores se concentrem na capacidade da empresa de sustentar um forte crescimento da receita, preservando margens brutas saudáveis.
“Isso ocorre em meio a preocupações de que o aumento dos custos de insumos possa pressionar a acessibilidade dos produtos da linha Life e potencialmente restringir o crescimento da marca”, dizem os analistas do Santander.