Radar das Eleições: Flávio Bolsonaro é o candidato, mas Renan Santos é o ‘sonho’ do mercado
O mercado financeiro tende a apoiar Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial de 2026 caso o cenário atual se mantenha, mas vê em Renan Santos (Missão) um candidato dos sonhos, com uma agenda econômica mais próxima de seus interesses. A avaliação é do fundador do Market Makers, Thiago Salomão, e foi feita na terceira edição do programa Radar das Eleições, apresentado por Vinicius Pinheiro, diretor do Money Times, com participação do editor de Política, Gustavo Porto.
Segundo Salomão, a escolha por Flávio seria pragmática, baseada na avaliação de que o senador é, atualmente, o nome da direita com maiores condições de derrotar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Se a eleição fosse hoje, o Flávio Bolsonaro seria o candidato do mercado financeiro”, afirmou. Porém, segundo ele, “o candidato dos sonhos do mercado seria o Renan” pelas ideias econômicas defendidas pelo líder do Missão.
A discussão teve como ponto de partida a série de entrevistas realizadas pelo Market Makers com candidatos que disputam a Presidência. Além de Flávio Bolsonaro e Renan Santos, Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e até mesmo Aldo Rebelo, que chegou a ser pré-candidato, participaram do programa, o que ainda não ocorreu com Lula.
Nome dos sonhos, Renan tem desempenho limitado
Nome que desperta maior curiosidade entre integrantes do mercado financeiro, Renan Santos ainda tem desempenho limitado nas pesquisas eleitorais. Salomão ponderou que seria exagerado dizer que o líder do Missão é “o candidato do mercado”, principalmente porque o mercado financeiro costuma errar suas previsões políticas.
Ainda assim, segundo ele, existe interesse em avaliar como seria um eventual governo de Renan Santos. O principal atrativo estaria na agenda econômica. “Talvez ele traga as ideias econômicas que mais agradem o mercado”, afirmou Salomão.
Na avaliação dele, Renan tem uma vantagem de poder apresentar propostas impopulares sem necessariamente colocar em risco uma liderança nas pesquisas, ao contrário dos adversários. Entre os temas que poderiam enfrentar resistência eleitoral estão mudanças no reajuste do salário mínimo e uma nova reforma da Previdência.
Salomão avaliou ainda que a exposição pública do candidato, mesmo quando motivada por críticas, pode contribuir para ampliar sua presença no debate eleitoral no futuro. “Estão falando do Renan. Isso para ele, no momento em que está começando a sua vida política, é muito bom”, afirmou.
Caiado se destaca pela experiência e moderação
Na avaliação de Salomão, Ronaldo Caiado foi um dos mais preparados entre os entrevistados do Market Makers. O fundador do podcast destacou a capacidade do ex-governador de Goiás de aprofundar temas como política fiscal e exploração de terras raras, além de sua experiência acumulada ao longo de décadas na política.
“Foi um dos candidatos mais preparados que vieram aqui”, disse Salomão, ressaltando que Caiado também se diferencia por não se enquadrar no extremo da polarização política e “bem longe também da extrema direita”.
Porto lembrou que a trajetória de Caiado passou por uma transformação em relação ao político que foi candidato a presidente pela primeira vez em 1989, com uma atuação mais radical ligada à União Democrática Ruralista (UDR).
O editor de Política também destacou a relação de Caiado com o agronegócio e lembrou que, como governador, enfrentou resistência do setor ao criar uma taxa ao setor destinada a financiar obras de infraestrutura em Goiás. Em recente entrevista ao Money Times, Caiado defendeu a medida e citou que os recursos foram utilizados em benefício do próprio agronegócio, na melhoria da logística e do escoamento da produção.
Zema sem tração
Romeu Zema foi outro nome analisado pelos participantes, especialmente pelo fato de o ex-governador de Minas Gerais enfrentar dificuldades para fazer sua candidatura ganhar tração. Salomão avaliou que Zema demonstrou ser um bom gestor e possui capacidade de explicar suas ações de forma simples.
O problema, segundo ele, estaria no relacionamento com o próprio partido e na fragmentação da direita. “A palavra que falta ali para a campanha do Zema é entrosamento”, afirmou.
Outro obstáculo seria a proximidade histórica de Zema com o bolsonarismo. Para Salomão, essa característica dificulta a conquista de eleitores que já se identificam diretamente com Flávio Bolsonaro.
O bom desempenho de Flávio Bolsonaro
A entrevista de Flávio Bolsonaro ao Market Makers também foi destacada como um ponto importante do programa. Salomão afirmou que o senador teve, em sua avaliação, uma de suas melhores aparições públicas.
O fundador do podcast atribuiu parte do desempenho à presença da economista Daniella Marques ao lado do candidato, que ajudou a aprofundar as respostas relacionadas a economia. Segundo ele, Flávio também demonstrou estar mais à vontade e conseguiu apresentar maior carga emocional ao falar sobre temas políticos.
Para Salomão, a participação teve importância porque ajudou a responder a uma das principais dúvidas do mercado em relação à candidatura de Flávio: sua capacidade de apresentar uma agenda econômica mais clara.
Segundo ele, o senador sinalizou a intenção de montar uma equipe econômica forte e iniciar uma agenda de reformas antes mesmo da posse, caso seja eleito. Entre as propostas mencionadas está a apresentação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para rever gastos públicos, com o objetivo de aumentar a previsibilidade da política fiscal a partir do início do próximo governo.
Outro ponto destacado por Salomão foi a resistência da candidatura de Flávio Bolsonaro diante dos episódios negativos que atingiram sua campanha nos últimos meses. De acordo com ele, apesar dos ataques e de uma eventual oscilação nas pesquisas, o senador segue competitivo.
Vinícius Pinheiro e Gustavo Porto acrescentaram que o chamado “voto envergonhado” pode ser um fator relevante na eleição, diante da possibilidade de parte do eleitorado não declarar publicamente sua preferência por Flávio.
Terceira via tem espaço, mas não tem nomes
A terceira via também foi um dos principais temas da conversa. Pesquisa CNT/MDA divulgada nesta semana mostra que 31,5% dos entrevistados declararam preferência por candidatos que não sejam nem Lula nem Flávio Bolsonaro nem que estejam diretamente apoiados por um dos dois.
Outro levantamento citado no programa, o BTG Pactual/Nexus, mostrou que 23% dos eleitores poderiam mudar de voto no primeiro turno caso outro candidato surgisse como favorito, enquanto 32% disseram estar desconfortáveis com a polarização.
A escolha pragmática do mercado
Na conclusão do programa, Salomão resumiu sua avaliação sobre a preferência do mercado financeiro. Se a eleição fosse realizada nesse momento, Flávio Bolsonaro seria, em sua visão, o candidato com maior potencial de apoio entre os agentes financeiros.
“O candidato dos sonhos do mercado seria o Renan”, afirmou. Mas ele ponderou que o mercado tende a agir de maneira pragmática e apoiar quem considera ter maior possibilidade de vitória.
Com a direita fragmentada, o mercado financeiro estaria menos interessado em um candidato ideal do que em uma alternativa eleitoralmente viável para enfrentar Lula. Essa alternativa seria Flávio Bolsonaro.