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Raízen (RAIZ4): Bank of America eleva projeção de Ebitda em 16,6% — mas desalavancagem está ‘longe de terminar’

18 ago 2026, 11:45
raízen raiz4
(Foto: Divulgação/Raízen)

O Bank of America (BofA) elevou em 16,6% a projeção de Ebitda da Raízen (RAIZ4) para o ano-safra 2026/27, para R$ 13,2 bilhões, após incorporar margens mais fortes no negócio de distribuição de combustíveis.

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A melhora nas estimativas, porém, não foi suficiente para mudar a visão cautelosa do banco sobre a companhia. As analistas Isabella Simonato e Julia Zaniolo reiteraram a recomendação underperform (venda), equivalente a desempenho abaixo da média do mercado, para RAIZ4, com preço-alvo de R$ 0,19 por ação.

Segundo o BofA, há potencial de queda em relação à cotação atual motivada, principalmente, pelo processo de desalavancagem da divisão de Açúcar & Etanol — que está “está longe de terminar”, segundo o banco —, diante da geração limitada de caixa em um ambiente de preços pressionados.

A análise acontece após a Raízen divulgar os resultados do primeiro trimestre da safra 2026/27, período em que reduziu o prejuízo líquido em 11%, para R$ 1,64 bilhão, enquanto o Ebitda ajustado mais que dobrou. A dívida líquida encerrou junho em R$ 56,87 bilhões.



Combustíveis puxam revisão de Raízen (RAIZ4) para cima

A principal mudança nas projeções do Bank of America veio da Raízen Combustíveis. O banco aumentou em R$ 2 bilhões sua estimativa de Ebitda para a divisão, que agora chega a R$ 9,4 bilhões no ano-safra 2026/27.

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O BofA destaca que o primeiro trimestre foi marcado por resultados sólidos na distribuição de combustíveis, com a conversão de 51 novos postos para a bandeira da companhia, ganhos de participação de mercado e uma margem Ebitda ajustada recorde de R$ 493 por metro cúbico.

Segundo os analistas, as margens começaram a perder força em junho, acompanhando a queda dos preços do petróleo. Ainda assim, a expectativa é de que a rentabilidade permaneça acima dos níveis considerados normalizados nos nove meses restantes do ano-safra.

O banco projeta uma margem média de R$ 260 por metro cúbico nesse período, apoiada pelos elevados crack spreads e pelo prêmio ainda alto dos combustíveis importados.

Para o BofA, a escala e a capacidade de sourcing (iso é, capacidade de comprar, contratar e garantir o abastecimento de combustíveis em condições competitivas) da Raízen colocam a companhia em uma posição favorável para capturar esse cenário.

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Mais à frente, os analistas acreditam que as margens podem se sustentar em um novo patamar de R$ 200 por metro cúbico a partir da safra 2027/28, contra níveis entre R$ 100 e R$ 150 por metro cúbico antes da guerra.

Açúcar e etanol ainda preocupam

Se a distribuição de combustíveis levou o BofA a elevar as projeções, o cenário é diferente para Açúcar & Etanol.

O banco reduziu em 10% sua premissa para os preços do etanol em 2026/27 e em 5% para 2027/28. As condições climáticas adversas também vêm afetando a produtividade dos canaviais nesta safra, reduzindo a capacidade de diluição dos custos.

O BofA também incorporou às projeções a venda da usina de Caarapó para a Adecoagro, dentro do processo de simplificação do portfólio da Raízen.

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Apesar dos avanços na redução da estrutura da companhia, os analistas avaliam que a geração de fluxo de caixa continua limitada. Por isso, novas vendas de ativos provavelmente serão necessárias para reduzir o endividamento.

A Raízen vem acelerando essa estratégia. Além de Caarapó, a companhia anunciou a venda das operações de distribuição de combustíveis na Argentina por US$ 1,42 bilhão.

O preço-alvo de R$ 0,19 do BofA considera ainda a conversão de parte da dívida da Raízen em ações a R$ 0,25 por papel e a separação da companhia entre Raízen Energia e Raízen Combustíveis.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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