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Raízen (RAIZ4): Os caminhos para o pagamento de credores na recuperação extrajudicial

11 jun 2026, 14:49 - atualizado em 11 jun 2026, 14:49
raízen raiz4
(Foto: Divulgação)

A Raízen (RAIZ4) deu mais um passo importante em seu processo de recuperação extrajudicial ao apresentar aos credores as condições econômicas do plano que pretende reestruturar um passivo financeiro de R$ 65,1 bilhões.

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O pedido de recuperação extrajudicial foi protocolado em 11 de março de 2026 com adesão inicial de cerca de 47% dos créditos sujeitos ao processo. Na ocasião, a companhia apresentou apenas um plano-base, sem detalhar as condições de renegociação das dívidas.

Em 8 de junho, foi realizada a reabertura das Assembleias Gerais de Debenturistas e Titulares (AGDs e AGTs) para ratificação do Plano de Recuperação Extrajudicial (PRE). A impugnação e homologação do PRE está prevista entre junho e agosto de 2026. Nesse momento, os investidores poderão ser convocados a se manifestar sobre a alternativa de pagamento aplicável aos seus créditos.

Agora, não há nenhuma ação necessária por parte dos investidores.

Entre de setembro de 2026 a março de 2027 será marcado pela implementação do PRE e satisfação das condições suspensivas.

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Segundo a companhia, a deterioração do cenário macroeconômico e do ambiente setorial pressionou sua estrutura de capital. Entre os fatores citados estão ciclos de colheita menos produtivos, redução das margens operacionais e o aumento expressivo dos custos financeiros, impulsionado pela alta da taxa Selic de 2% em 2020 para 15% em 2026.

Quais dívidas entram na recuperação?

Os chamados “Créditos Sujeitos” somam R$ 65,1 bilhões e abrangem principalmente dívidas financeiras quirografárias. Desse montante, aproximadamente R$ 13,8 bilhões correspondem a instrumentos do mercado de capitais, como debêntures e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs).

Ficaram fora do processo dívidas operacionais e obrigações garantidas por alienação fiduciária, cessão fiduciária e outras garantias reais.

O plano estabelece apenas uma classe de credores, composta pelos credores quirografários, garantindo tratamento uniforme para todos os participantes da reestruturação.

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Como será a reestruturação?

A proposta prevê uma ampla reorganização financeira e societária da companhia.

Entre os principais pilares está um aporte de R$ 3,5 bilhões pela Shell, principal acionista da empresa, além da possibilidade de uma injeção adicional de até R$ 500 milhões por um veículo controlado pela Aguassanta Investimentos.

O plano também prevê a separação dos negócios em duas empresas independentes: a Raízen Energia, que concentrará as operações de açúcar, etanol e bioenergia, e a Raízen Combustíveis, responsável pela distribuição de combustíveis da marca Shell. A cisão das empresas e split das ações ocorre entre março de 2027 a dezembro de 2027.

Além disso, 45% dos créditos sujeitos seriam convertidos em participação acionária nas novas companhias, enquanto o restante seria transformado em novos instrumentos de dívida.

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As três opções para os credores

Os credores poderão escolher entre três alternativas de pagamento.

Opção A: conversão parcial em ações e novas dívidas

Na alternativa considerada principal pela companhia, 45% do crédito será convertido em ações ao preço de R$ 0,25 por papel, distribuídas entre ações ordinárias e preferenciais.

Os 55% restantes serão transformados em novas debêntures, divididas entre as duas futuras empresas do grupo.

Do total da dívida original, 17,6% será convertido em títulos da Raízen Energia e 37,4% em títulos da Raízen Combustíveis.

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No caso da Raízen Energia, os credores receberão debêntures incentivadas, debêntures não incentivadas ou CRAs remunerados a CDI + 1,25% ou IPCA + 9% ao ano. Os papéis terão vencimentos em 2033 e 2035 e poderão contar com período de carência de até três anos.

Já os títulos da Raízen Combustíveis terão remuneração de CDI + 2,75%, vencimentos em 2032 e 2034 e serão garantidos por participações societárias relacionadas a ativos de combustíveis e lubrificantes.

Opção B: alongamento com desconto expressivo

A segunda alternativa prevê a transformação integral dos créditos em uma nova dívida de longo prazo.

Nesse caso, haverá um desconto de 80% sobre o valor do crédito, reduzindo cada R$ 1 devido para R$ 0,20. O abatimento será aplicado primeiro sobre juros vencidos e, posteriormente, sobre o principal.

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Os novos títulos terão vencimento em março de 2047, remuneração equivalente à Taxa Referencial (TR) e pagamento integral apenas no vencimento.

Essa também será a opção padrão para os credores que não manifestarem escolha dentro do prazo estipulado.

Opção C: pagamento em dinheiro

A terceira alternativa funciona como uma modalidade de saída imediata para pequenos credores.

O pagamento corresponderá ao menor valor entre 75% do crédito devido ou R$ 9.750 por credor.

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A distribuição seguirá a ordem dos menores créditos para os maiores, respeitando um limite global de R$ 150 milhões destinado a essa modalidade.

Caso sobrem recursos após a alocação inicial, os credores poderão indicar previamente uma alternativa para direcionamento do saldo remanescente.

O que está em jogo

A proposta busca equilibrar a preservação da liquidez da companhia com a necessidade de oferecer uma solução viável aos credores. Enquanto a Opção A aposta na recuperação de valor por meio da participação acionária e do alongamento da dívida, a Opção B privilegia a previsibilidade em troca de um desconto significativo. Já a Opção C oferece liquidez imediata, mas limitada a valores menores.

A aprovação do plano e o nível de adesão dos credores serão determinantes para o sucesso da reestruturação e para a continuidade da estratégia de reorganização da Raízen.

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Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu. Atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por pouco mais de 3 anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, ficou entre os 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio.
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