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Raízen (RAIZ4): sem decisão ainda, assembleias de credores devem ser retomadas na segunda-feira (8)

04 jun 2026, 8:25 - atualizado em 04 jun 2026, 8:25
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(Foto: Divulgação)

As assembleias de debenturistas da Raízen (RAIZ4) aprovaram, nesta quarta-feira (3), a suspensão das reuniões para serem retomadas em 8 de junho, na próxima segunda, segundo atas publicadas pela companhia de açúcar e etanol. As assembleias envolveram a segunda, terceira e quarta emissões de debêntures da Raízen.

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A companhia havia divulgado anteriormente uma minuta do seu plano de recuperação extrajudicial (RE) levado para deliberação dos credores, buscando uma reestruturação de dívidas no valor aproximado de R$65 bilhões, o maior para esse tipo de negociação na história do Brasil.

A proposta inclui injeções de capital, reestruturação da dívida, mudanças na governança e uma reorganização societária na joint venture entre a Cosan (CSAN3) e a Shell.

Os termos gerais do plano incluem um aporte de R$ 3,5 bilhões pela Shell, a R$ 0,25 no fechamento da operação, além de um potencial aporte adicional de R$ 500 milhões por um veículo controlado pela Aguassanta Investimentos, de Rubens Ometto.

A Raízen propõe três opções na minuta. A chamada “Opção A” converte parte da dívida em ações (45%) e o restante (55%) em novos títulos com prazos mais longos. Nesse caso, o investidor vira acionista e continua credor da empresa.

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Já a segunda proposta prevê que o investidor aceite um desconto de 80% sobre o valor da dívida, recebendo apenas 20% do total, em um único pagamento no futuro previsto para março de 2047.

Por fim, o terceiro plano é voltado para pequenos investidores. Ele oferece pagamento mais rápido em dinheiro, equivalente a 75% da dívida, limitado a R$ 9.750. No entanto, existe um limite global de recursos para esse plano, o que pode levar a rateios caso a demanda seja maior do que o montante disponível.

A reestruturação abrange ainda uma segregação da empresa em Raízen Energia, com foco nas operações de açúcar e etanol, e Raízen Combustíveis, com a separação prevista para 2027.

O conselho de administração passará a ter sete membros, sendo quatro deles, incluindo o presidente, nomeados pelos credores apoiadores e três pelos acionistas contribuintes. A Shell poderá manter ao menos um representante no conselho durante a vigência do contrato de licenciamento da marca.

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O caso Raízen

A Raízen estreou na bolsa em meio ao boom de IPOs de 2021, avaliada em R$ 76 bilhões e com a promessa de liderar uma revolução dos combustíveis verdes, impulsionada pelo etanol de segunda geração (E2G).

Na prática, porém, a tese encontrou obstáculos relevantes: o arrefecimento do apetite global por investimentos ESG, o avanço do etanol de milho — alternativa mais barata e escalável — e um cenário de preços pressionados para açúcar e etanol.

Quase cinco anos após o IPO, realizado em 5 de agosto de 2021, a joint venture entre Cosan e Shell perdeu valor de mercado e se transformou em uma penny stock, quando uma ação negocia na casas dos centavos. Ao mesmo tempo, a companhia acumulou uma dívida bilionária após um ciclo agressivo de aquisições e expansão de ativos.

Na tentativa de reverter essa trajetória, a Raízen iniciou, no fim de 2024, um processo de reestruturação focado na redução da alavancagem. O movimento incluiu uma ampla troca no comando executivo, com a chegada de Nelson Gomes ao cargo de CEO, após passagens por ExxonMobil, Cosan, Compass, Comgás e Moove.

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Até fevereiro de 2026, a companhia já havia levantado cerca de US$ 5 bilhões com iniciativas de desinvestimento, incluindo a venda de usinas e outros ativos.

No terceiro trimestre da safra 2025/2026, porém, veio outra pancada: a companhia reportou prejuízo de R$ 15,65 bilhões. A dívida líquida saltou de R$ 38,6 bilhões no 3T25 para R$ 55,3 bilhões no 3T26, enquanto a alavancagem medida pela relação dívida líquida/Ebitda passou de 3 vezes para 5,3 vezes no mesmo intervalo.

O cenário desencadeou rumores, negociações e promessas de aporte por parte de Cosan e Shell, em discussões que se arrastaram por semanas. Até que, em 11 de março, a Raízen protocolou um pedido de recuperação extrajudicial para suspender, por 90 dias, o pagamento de dívidas que somam cerca de R$ 65 bilhões.

O movimento levou à exclusão da companhia do Ibovespa e outros índices da bolsa brasileira.

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* Com informações da Reuters

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É jornalista formada pela ECA-USP, com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais para Jornalistas pela B3. Tem mais de 25 anos de experiência e passagem pelas principais redações do país – entre elas, Estadão, Folha, UOL e CNN Brasil. Atualmente, é editora-chefe do Money Times.
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