Política

Roberta Luchsinger diz que Lulinha reuniu-se ‘inúmeras vezes’ com ministros e que foi usada como ‘boi de piranha’

17 out 2026, 21:38 - atualizado em 17 out 2026, 21:48
A empresária Roberta Luchsinger concede entrevista à CNN Brasil. Foto: Reprodução

A empresária e lobista Roberta Luchsinger afirmou que seu amigo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva, reuniu-se “inúmeras vezes” com ministros, contrariando versão apresentada por Lula anteriormente. A afirmação foi feita em entrevista à CNN Brasil veiculada na noite deste sábado (17).

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A empresária, de 41 anos, é diretora da RL Consultoria e Intermediações e foi alvo de mandados de busca e apreensão, bloqueio de bens e valores e determinação para usar tornozeleira eletrônica no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A PF também investiga suspeitas de tráfico de influência envolvendo Luchsinger e Lulinha.

“É público, é notório que o Lulinha, inúmeras vezes, esteve com ministros. Inclusive, viajou para a casa do ministro Camilo [Santana] no Ceará”, afirmou ela, dizendo que Lula mente ao declarar que seu filho nunca esteve com representantes do alto escalão do governo federal.

“Presidente que não sabe o que está ocorrendo na antessala dele é mentiroso ou senil”, afirmou, lembrando ainda da afirmação feita por Lula, dois dias antes, em entrevista à Rede Globo, de que não sabia que o Bolsa Família não havia sido reajustado em seu governo.

Ela afirmou ainda que pretende firmar um acordo de delação premiada e que está disposta a colaborar com as investigações envolvendo sua relação com Lulinha, dizendo que não poupará o presidente nem seu filho.

Empresária rebate críticas de Lula

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A entrevista também foi marcada pelo confronto entre Luchsinger e o presidente. A empresária rebateu declarações públicas em que Lula a classificou como “pilantra” e afirmou que o chefe do Executivo tinha conhecimento das reuniões que o filho promovia com ministros.

Segundo ela, o presidente teria adotado dois pesos e duas medidas ao criticar sua atuação sem atribuir responsabilidade semelhante ao próprio filho.

“Se eu sou pilantra e toda essa turma andava e frequentava a minha casa, eles são pilantras como eu”, declarou à CNN.

A primeira vez que o presidente Lula se referiu a Luchsinger como “pilantra” foi durante entrevista à TV Globo, em 27 de agosto. Menos de dois meses depois, às vésperas do primeiro turno, ele voltou a usar o termo para descrever a empresária, comparando-a com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado pelas fraudes do Banco Master.

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Luchsinger disse que já apoiou Lula publicamente e que o defendeu quando ele foi preso, em abril de 2018. Agora, afirma não acreditar mais na inocência do presidente e critica a maneira como passou a ser retratada por ele.

A empresária também declarou que tem recebido ameaças de morte e que suas duas filhas foram alvo de intimidações. Ela acusou Lula de contribuir para sua exposição pública ao criticá-la em entrevistas. Em outra declaração à CNN, disse que se considera usada como “boi de piranha” no episódio.

O que disse o presidente

Em nota à CNN, a equipe de comunicação do presidente Lula afirma que ele “desconhece inteiramente os fatos relatados pela senhora Roberta Luchsinger”. “Como já esclareceu em outras ocasiões, jamais manteve qualquer interlocução com ela, nunca recebeu suas demandas e tampouco tem conhecimendo de supostas tratativas como as mencionadas. Importante ressaltar que não existe nenhum contrato do governo federal com a Roberta”, continua.

“Causa estranheza que essas declarações sejam lançadas justamente às vésperas do segundo turno da eleição. O Brasil já assistiu, em outros processos eleitorais, à divulgação de denúncias sem comprovação, usadas como instrumento de manipulação da opinião pública. A repetição desse expediente representa uma tentativa irresponsável de tumultuar o processo democrático e interferir na livre escolha dos eleitores.”

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É jornalista formada pela ECA-USP, com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais para Jornalistas pela B3. Tem mais de 25 anos de experiência e passagem pelas principais redações do país – entre elas, Estadão, Folha, UOL e CNN Brasil. Atualmente, é editora-chefe do Money Times.
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