Roberto Campos, economista liberal: “A chamada ‘Terceira Via’ é incompetência para praticar o capitalismo e covardia para aplicar o socialismo”
Como em praticamente todas as eleições disputadas nos últimos anos, o termo “terceira via” voltou ao debate público como uma alternativa à polarização política do país.
Apesar das tentativas de lideranças e partidos de construir candidaturas nesse campo, nomes identificados com a chamada terceira via frequentemente enfrentam dificuldades para se consolidar eleitoralmente.
A crítica ao conceito, no entanto, não é recente. O economista e político brasileiro Roberto Campos, avô do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, ficou associado a uma frase frequentemente citada nos debates políticos:
“A chamada Terceira Via é incompetência para praticar o capitalismo e covardia para aplicar o socialismo.”
Mas o que exatamente significa a chamada terceira via? E por que ela recebe críticas de diferentes correntes ideológicas?
A Terceira Via
A terceira via é uma corrente política geralmente posicionada no centro do espectro ideológico. Sua proposta é combinar elementos associados ao livre mercado com políticas de proteção social, buscando um caminho intermediário entre modelos tradicionalmente identificados com a direita e a esquerda.
Ao classificar a terceira via como “incompetente” e “covarde”, Roberto Campos expressava uma crítica à tentativa de conciliar princípios considerados contraditórios.
Na visão liberal, a terceira via pode ser vista como um capitalismo excessivamente regulado, que reduz a eficiência econômica sem abandonar a intervenção estatal.
Já entre setores da esquerda, a crítica costuma ser a de que o modelo não promove mudanças estruturais profundas, limitando-se a reformar aspectos do sistema existente sem transformá-lo de forma significativa.
Por isso, a terceira via acaba sendo alvo de questionamentos vindos de diferentes posições ideológicas, justamente por tentar ocupar um espaço intermediário entre elas.
*Sob supervisão de Renan Dantas.