EUA e Irã atacam infraestruturas, aumentando temores de uma escalada
Os Estados Unidos atacaram pontes no Irã, e Teerã respondeu atacando uma usina de energia e dessalinização no Kuweit nesta sexta-feira (17), enquanto os dois lados corriam o risco de uma nova escalada ao ampliar seus alvos para incluir infraestrutura.
No mar, onde o conflito renovado voltou a interromper o abastecimento de energia proveniente do Golfo Pérsico, fuzileiros navais dos EUA abordaram um petroleiro próximo ao Estreito de Ormuz. Homens armados apreenderam outra embarcação ao largo do Iêmen, gerando preocupação com a segurança no outro grande ponto de estrangulamento do Oriente Médio para o transporte de petróleo, na foz do Mar Vermelho.
A agência de notícias semioficial iraniana Tasnim informou na noite desta sexta-feira que a marinha da Guarda Revolucionária havia “atacado” um navio com bandeira tailandesa que tentava atravessar o Estreito de Ormuz. A agência não forneceu mais detalhes.
Washington e Teerã vêm testando os limites da escalada desde que seu acordo de cessar-fogo fracassou na semana passada, aumentando a possibilidade de um retorno à guerra total.
Após relatos da escalada nesta sexta-feira, os preços de referência do petróleo bruto Brent subiram 3% e estavam a caminho de um terceiro ganho semanal consecutivo, exercendo pressão política sobre o presidente dos EUA, Donald Trump, antes das eleições legislativas de novembro.
Trump ameaçou lançar ataques aéreos em grande escala contra a infraestrutura do Irã e também se recusou a descartar um ataque terrestre na costa ou nas ilhas do Irã. Autoridades norte-americanas afirmaram que os ataques ao sul do Irã têm como objetivo, em parte, oferecer opções a Trump.
Tais medidas correm o risco de provocar uma escalada por parte do Irã, que poderia atingir a infraestrutura vital de países vulneráveis do Golfo, ou fazer com que seus aliados no Iêmen perturbem ainda mais o abastecimento global de energia ao atacar navios no Mar Vermelho.
Mohsen Rezaei, assessor do líder supremo do Irã, alertou nesta sexta-feira contra uma escalada por parte dos EUA ou qualquer tentativa de ocupar território iraniano.
“Se os ataques dos EUA continuarem por mais alguns dias, entraremos em uma fase de operações ofensivas em grande escala”, disse Rezaei, ex-comandante sênior da Guarda Revolucionária, à televisão estatal.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, mostrou-se preocupado com a escalada, particularmente com os “ataques à infraestrutura civil no Irã e em toda a região”, disse seu porta-voz.
O Comando Central Militar dos EUA havia informado anteriormente que seus alvos incluíam “infraestrutura logística militar”, a primeira vez que mencionou infraestrutura em mais de uma semana.
Nos últimos ataques, o Comando Central informou que retomou os ataques ao Irã pela sétima noite consecutiva.
“Os ataques têm como objetivo continuar a enfraquecer as capacidades militares iranianas, sob orientação do comandante-em-chefe”, afirmou o comunicado divulgado no X.
Pouco depois, a mídia iraniana noticiou explosões ouvidas ou ataques realizados nas cidades de Sirik, Ahvaz e Yazd.
A mídia estatal iraniana havia informado mais cedo que pelo menos cinco pontes foram atingidas no sul. Sete pessoas teriam morrido em ataques a pontes no porto de Bandar Khamir, no sul do país, onde a estação ferroviária também foi atingida. Um aeroporto teria sido atingido mais a leste e longe da costa, em Iranshahr, em uma província na fronteira com o Paquistão.
Vídeos verificados pela Reuters mostraram escombros, grades quebradas e um veículo danificado em uma ponte destruída em Bandar Khamir. Um dos vídeos mostrava um incêndio.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que três moradores foram mortos enquanto atravessavam a ponte de Bandar Khamir, acrescentando que o Irã não permitiria que o sangue deles “fosse derramado em vão”.
O Irã anunciou ataques a países do Golfo que abrigam bases aéreas dos EUA, incluindo Barein, Catar e Kuweit, além de um navio norte-americano no norte do Oceano Índico.
A Marinha iraniana disparou um míssil de cruzeiro terra-mar contra o que chamou de navio hostil dos EUA no norte do Oceano Índico, informou a agência de notícias estatal Irna nesta sexta-feira. O Exército iraniano afirmou que o lançamento do míssil causou “medo e pânico” e forçou o navio a se afastar do alcance da Marinha iraniana.
Autoridades do Kuweit informaram que uma das usinas de geração de energia e dessalinização de água do país foi atingida por um ataque iraniano, causando danos, um incêndio e a interrupção de um grande número de unidades de geração de eletricidade.
Os ricos Estados árabes do Golfo Pérsico dependem de usinas que produzem eletricidade e removem o sal da água do mar para tornar habitáveis suas cidades no deserto. Quando o Irã atingiu uma usina de dessalinização do Kuweit em 30 de março, isso foi visto como uma grande escalada.
O Exército do Kuweit informou que estilhaços causaram danos materiais em vários locais, mas não houve vítimas, enquanto soldados ficaram feridos em ataques com drones iranianos a instalações do Exército.
O país vinha enfrentando ataques com mísseis balísticos e drones desde o amanhecer, e os militares os interceptaram, informou o Exército.
O acordo provisório do mês passado para pôr fim à guerra ruiu desde 7 de julho, quando o Irã atacou navios no Estreito de Ormuz e os Estados Unidos responderam com ataques aéreos. Desde então, o Irã anunciou o fechamento do estreito, e Washington restabeleceu seu próprio bloqueio aos portos iranianos.