Sabesp (SBSP3): UBS BB vê janela de oportunidade e eleva ação para compra; ‘ruídos’ pré-eleitorais não preocupam
O UBS BB elevou a recomendação da Sabesp (SBSP3) de neutra para compra, sem mexer no preço-alvo, de R$ 38 por ação, que implica em um potencial de alta de 36%. Na visão da equipe de analistas liderada por Giuliano Ajeje, a queda de 20% das ações em relação à máxima de abril abre um ponto de entrada atrativo.
Quando o banco revisou Sabesp para recomendação neutra, a visão era de que o preço das ações refletia adequadamente a operação da companhia e um maior potencial de valorização dependeria de crescimento inorgânico, mas os analistas dizem agora que o cenário mudou.
A baixa dos papéis, dizem eles, ocorreu pela saída de capital estrangeiro do Brasil, e não por uma deterioração dos fundamentos da empresa.
Na visão do UBS BB, uma reversão desse cenário ou a execução bem-sucedida dos investimentos de capital (capex) em um ritmo próximo de R$ 5 bilhões por trimestre poderia ajudar na reprecificação da Sabesp.
Nas estimativas dos analistas, a empresa é negociada a uma TIR (taxa interna de retorno) real de 13,1%, com um potencial de valorização de 36% em relação ao preço atual das ações.
“A empresa está em uma posição favorável para entregar um sólido crescimento do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) por meio de investimentos para alcançar a universalização, levando ao crescimento líquido da RAB.”, dizem os analistas.
Redução de estimativas
O UBS BB reduziu as estimativas de despesas de capital para a Sabesp nos próximos anos, considerando o desafio operacional de executar um ritmo de investimentos muito mais acelerado.
A empresa teve um início fraco no 1T26 (R$ 3,7 bilhões em despesas de capital), considerando os R$ 20 bilhões estimados pela empresa. Para ainda atingir esse valor, os analistas ponderam que a empresa precisa de R$ 5,4 bilhões por trimestre para o restante de 2026, 45% a mais do que o executado no 1º trimestre.
Agora, o banco estima investimentos (capex) de R$ 19 bilhões para 2026 (ante R$ 20 bilhões anteriormente), R$ 21,5 bilhões para 2027 (ante R$ 22,4 bilhões) e R$ 19 bilhões para 2028 (ante R$ 19,2 bilhões).
“Ainda assim, esses valores representam uma forte aceleração dos investimentos em comparação aos níveis pré-privatização, de cerca de R$ 6 bilhões por ano, antecipando a universalização do saneamento em São Paulo”, dizem os analistas.
A estimativa é que a RAB líquida (base regulatória de ativos) da Sabesp cresça de aproximadamente R$ 88 bilhões em 2024 para R$ 143 bilhões em 2027.
Risco eleições
Os analistas citam notícias recentes sobre possíveis candidatos ao governo do Estado de São Paulo avaliando uma revisão da privatização da Sabesp.
Na leitura do banco, a probabilidade de uma reversão completa seja baixa, considerando o arcabouço legal, regulatório e institucional, sendo mais prováveis desafios por meio de mudanças regulatórias.
Os analistas citam algumas restrições a uma reversão:
- Legal: há um direito adquirido, com contrato assinado;
- Alto custo: uma reversão poderia exigir uma recompra compensada das ações, com custos elevados;
- Obstáculos institucionais: a reversão exigiria processos legislativos, assim como ocorreu na privatização, envolvendo alta complexidade e disputas judiciais.