Santander (SANB11): CFO vê ‘piora macro’ e responde se dividendos podem diminuir com resultado mais fraco desde 2023
Ainda sem o seu novo CEO, Gilson Finkelsztain, coube ao CFO do Santander (SANB11), Carlos Muñiz, ‘dar a cara’ para explicar melhor os números do banco.
O banco lucrou R$ 3 bilhões, cifra bem abaixo do consenso do mercado. Trata-se do pior resultado desde 2023. Na bolsa, a reação foi imediata, com os papéis despencando 6%.
Muñiz, que assumiu o cargo no começo do ano, é franco ao dizer que está cauteloso com o cenário macroeconômico. Com os juros na casa dos 14%, o banco viu suas provisões dispararem 20% ante o primeiro trimestre e 11% na comparação anual.
A intenção do banco é continuar ‘aparando as arestas’ de carteiras antigas, principalmente daquelas que embutem maior risco.
‘A realidade é que, com as dúvidas que temos sobre o entorno macro, prefiro jogar um pouco mais seguro, mesmo que isso esteja custando no curto prazo’, diz.
Para isso, o banco tem sacrificado produtos mais rentáveis, como os créditos rotativos, e focado em linhas com garantias.
‘Feliz ou infelizmente, os clientes mais arriscados, os que têm maior possibilidade de pagar, geram maiores comissões. Estamos deixando isso um pouco de lado para outros clientes.’
Sai a baixa renda, entra a alta
Para a diretora de RI do Santander, Camila Stolf Toledo, a mudança de mix, ou seja, a alteração no perfil dos clientes, é a parte que mais tem pressionado os resultados.
Dentro da pessoa física, houve crescimento de 8% no ano no perfil Select, enquanto a carteira de baixa renda caiu 8% no período.
‘Num primeiro momento, pressiona o resultado. A gente impacta aqui a receita, mas ainda tem a contrapartida elevada de PDD. Ao longo do tempo, esperamos colher os benefícios dessa mudança’, diz.
Mesmo com a mudança, a baixa renda ainda representa aproximadamente 40% do portfólio. ‘Mas, ao longo do tempo, isso vai sendo diluído’, diz.
Melhora do ROE vem quando?
Ainda segundo o CFO, ao incorporar uma deterioração nas perspectivas macroeconômicas em meio às altas taxas de juros no Brasil, haveria impacto até o quarto trimestre.
Ele afirmou ainda que o banco buscaria melhorar seu retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) por meio de uma maior geração de receitas não relacionadas ao crédito, redução de custos e normalização das provisões para devedores duvidosos (PDD).
A matriz espanhola espera que o Santander supere ROE de 20% até 2028.
‘Quero um banco mais ‘chato’, mais previsível, que não traga surpresas positivas, mas que também não traga surpresas negativas’, disse ele em uma teleconferência com analistas.
E os dividendos?
Muñiz foi questionado ainda se a queda dos números poderia afetar a distribuição de juros sobre o capital próprio. Atualmente, a política do banco é distribuir 50% do lucro, enquanto o banco paga média de R$ 2 bi por trimestre.
Em resposta, o executivo disse que não há plano de alterar essa parcela comprometida com o mercado.
Já a diretora de RI lembrou que houve períodos em que o Santander ficou um pouco acima ou um pouco abaixo desse número.
‘Mas acho que é uma referência aqui, mais de longo prazo, do que a gente tem em relação ao payout.’