Santander (SANB11): ‘Pagamos mais imposto. Isso é um bom sinal’, diz CEO
O CEO do Santander (SANB11), Mario Leão, disse que o banco entregou mais um resultado de boa qualidade, mesmo com a queda do lucro, que caiu 1,8% em relação ao mesmo período do ano passado.
No período, o banco lucrou R$ 3,8 bilhões, enquanto o consenso do mercado aguardava lucro de R$ 4 bilhões.
Em coletiva com jornalistas, em São Paulo, Leão lembrou que o lucro antes de imposto cresceu 5,4% em relação ao quarto trimestre, para R$ 4,6 bilhões, embora o número tenha recuado 3,5% em relação ao mesmo período do ano passado.
“Sendo prático, pagar imposto é bom sinal, é sinal de que eu estou oferecendo mais, eu estou gerando mais atividade orgânica, e com isso o lucro acaba caindo”.
Ainda segundo o executivo, trata-se de um efeito matemático. No Brasil, não existe consolidação fiscal. Na prática, cada veículo paga o seu imposto, mesmo que tenha holding.
“Então, como eu tenho uma base de impostos diferidos muito grande no banco, e essa base de impostos diferidos consome capital, é importante que eu consiga absorver esses impostos diferidos mais rápido, porque eu libero capital para emprestar para cliente PF, cliente PJ, comprar títulos do Tesouro“.
Para ele, trata-se de um rearranjo para maximizar os resultados. A expectativa é que o banco consiga recuperar os resultados e o ROE (retorno sobre o patrimônio líquido, na sigla em inglês), que caiu para 16% neste trimestre.
ROE vai para os 20%?
Pergunta recorrente entre analistas e investidores, Leão reafirmou a expectativa de o banco entregar um ROE acima dos 20%, algo que o banco espera que ocorra em 2028.
“Temos bastante segurança de que esse ROE volta a ter uma direção de crescimento ao longo do ano”.
Ao fazer um balanço sobre seu período como CEO do banco, ele garantiu que o Santander terá, neste ano, um lucro maior do que em 2021, quando ele assumiu o cargo. Leão deverá deixar o cargo até julho, quando assumirá Gilson Finkelsztain, da B3 (B3SA3).
“Te garanto, nós vamos ter um lucro anual maior do que 2021; o ROE ainda não. O ROE possivelmente a gente vai ter que esperar até 2028”, afirmou, acrescentando que se sente também “dono do lucro inteiro de 2026”.
Inadimplência
Outro ponto de preocupação é a inadimplência. Nas dívidas de longo prazo, o índice acima de 90 dias segue pressionado, atingindo 3,3%, com alta de 0,2 p.p. no trimestre e 0,6 p.p. no ano, especialmente em pessoa física nas faixas de menor renda e, em pessoa jurídica, nas empresas de menor faturamento.
Apesar disso, nas despesas com provisão para crédito duvidoso (PDD), colchão usado pelos bancos para se proteger de calotes, o banco provisionou R$ 6,3 bilhões, alta de 3,9% no trimestre e queda de 0,7% no ano. Segundo Leão, o número subiu pouco, considerando o cenário macro.
“Esse é um ponto dado. Ainda há uma visão positiva sobre a evolução dessa linha a cada trimestre e também na comparação anual, mas é inevitável que, com a queda mais lenta dos juros, a velocidade de melhora diminua”.
Na prática, afirma, isso afeta o resultado de mercado. Quanto mais devagar os juros caem, mais lentamente a conta melhora.