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São Martinho (SMTO3): Itaú BBA adota visão conservadora, rebaixa ação e corta preço-alvo em 32%

11 jun 2026, 11:45 - atualizado em 11 jun 2026, 11:45
usinas açúcar etanol jalles são martinho
(iStock.com/Mailson Pignata)

A São Martinho (SMTO3) perdeu espaço entre as preferidas do Itaú BBA para o setor sucroenergético. O banco rebaixou a recomendação da companhia de compra para neutra (market perform) e reduziu o preço-alvo das ações para R$ 21,00, uma queda de 32% em relação aos R$ 31,00 anteriormente projetados.

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A mudança de visão reflete um cenário mais desafiador para os mercados de açúcar e etanol, que não reagiram como o esperado mesmo após a escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio.

Segundo os analistas, o setor já havia precificado um possível impacto positivo da alta do petróleo sobre os biocombustíveis, mas os efeitos práticos acabaram sendo limitados.

“O que parecia ser um gatilho relevante para os resultados das empresas de açúcar e etanol não se materializou na intensidade esperada”, destaca o relatório.

Açúcar segue pressionado

Um dos principais fatores por trás da revisão é a perspectiva mais conservadora para os preços do açúcar. O Itaú BBA passou a trabalhar com projeções mais próximas da curva futura da commodity, abandonando parte da visão mais otimista adotada anteriormente.

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Embora os preços internacionais estejam próximos dos custos de produção da indústria global, o mercado continua pressionado pelas expectativas de uma safra robusta no Centro-Sul do Brasil em 2026/27, estimada em cerca de 640 milhões de toneladas de cana-de-açúcar.

Além disso, mesmo com a redução parcial das posições vendidas de fundos especulativos nos últimos meses, os preços não apresentaram uma recuperação consistente, reduzindo o entusiasmo dos investidores.

Etanol também decepciona

No caso do etanol, a expectativa era de que a alta do petróleo impulsionasse a competitividade do biocombustível. Entretanto, medidas para conter os preços da gasolina limitaram esse efeito.

Os analistas observam que a relação entre os preços do etanol e da gasolina em São Paulo está atualmente em torno de 60%, abaixo da média histórica de 68%, refletindo um ambiente de oferta mais abundante.

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A expansão acelerada da produção de etanol de milho também contribui para esse cenário. O banco estima que a indústria adicionará aproximadamente 2 bilhões de litros de nova capacidade produtiva apenas no próximo ano.

Real forte e investimentos pesam para SMTO3

Outro fator que motivou a revisão foi a valorização do real frente ao dólar, movimento que reduz a rentabilidade das exportações de açúcar.

Ao mesmo tempo, a São Martinho se prepara para avançar na segunda fase de sua planta de etanol de milho. Embora o projeto seja visto como positivo para a geração de valor no longo prazo, o ciclo de investimentos tende a pressionar a geração de caixa nos próximos anos.

Na avaliação do BBA, a combinação entre commodities pressionadas, câmbio menos favorável e aumento do capex reduz a atratividade da ação no curto prazo.

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Ebitda segue robusto

Apesar do tom mais cauteloso, o banco continua destacando a qualidade operacional da companhia.

A expectativa é de que a São Martinho processe 23,7 milhões de toneladas de cana na safra, com ATR de 142,5 kg por tonelada, refletindo uma recuperação da produtividade agrícola.

Com isso, o Itaú BBA projeta Ebitda de R$ 3,1 bilhões no exercício fiscal de 2027 e de R$ 3,2 bilhões em 2028.

Os analistas ressaltam que a empresa continua sendo uma das referências do setor sucroenergético brasileiro, graças à sua estrutura de custos competitiva, disciplina financeira e política de gestão de riscos.

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Ainda assim, entendem que o momento exige maior cautela. Para o banco, uma retomada mais consistente do interesse dos investidores dependerá de sinais mais claros de recuperação dos preços do açúcar e do etanol, além de um ambiente mais favorável para as exportações brasileiras.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu. Atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por pouco mais de 3 anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, ficou entre os 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio.
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