Economia

Selic em 13,75%? Bradesco ainda enxerga cortes e vê inflação mais resistente

30 jun 2026, 10:29 - atualizado em 30 jun 2026, 10:29
Bradesco BBDC4 bancos empresas
(Imagem: REUTERS)

O Bradesco revisou sua projeção para a taxa Selic no fim de 2026 e agora espera que os juros básicos encerrem o próximo ano em 13,75%, acima da estimativa anterior, de 12,75%. A mudança reflete uma piora do cenário para a inflação e reforça a expectativa de que o Banco Central conduzirá um ciclo de cortes mais lento do que o projetado anteriormente.

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A revisão ocorre em um contexto de deterioração das perspectivas para os preços. O banco também elevou sua estimativa para o IPCA de 2026, de 5,0% para 5,3%, e para 2027, de 3,7% para 4,1%, refletindo o impacto acumulado da guerra no Oriente Médio, da alta dos alimentos, dos efeitos do El Niño e da resiliência do setor de serviços.

Segundo os economistas do Bradesco, embora a estabilização do câmbio e a queda dos preços do petróleo devam aliviar parte das pressões sobre os bens industriais ao longo dos próximos meses, a inflação de serviços continua resistente, mantendo os núcleos pressionados.

Nesse cenário, o banco avalia que o ciclo de flexibilização monetária será mais lento do que previa anteriormente.

O relatório destaca que o Banco Central reduziu a Selic para 14,25% em junho e indicou, na ata do Copom, que poderá fazer pausas ao longo do processo de cortes diante do ambiente mais incerto.

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Apesar disso, o banco continua esperando um ciclo de afrouxamento em 2027, com a Selic encerrando o período em 11%.

Para a equipe técnica, “o juro real elevado, a expectativa de certa estabilidade cambial e de impulsos fiscais e de crédito negativos no próximo ano” devem favorecer a convergência da inflação, abrindo espaço para a continuidade do ciclo de flexibilização monetária.

“Vale destacar que, em 11%, o juro real ao final do próximo ano, em cerca de 7,5%, ainda estará acima do nível que nós e o Banco Central estimamos como neutro para a economia na ausência dos estímulos correntes e dos choques vigentes”, avaliam.

PIB cresce mais em 2026, mas desacelera depois

O Bradesco também revisou para cima sua expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, de 1,8% para 2,0%. A melhora reflete o desempenho acima do esperado da atividade econômica no primeiro trimestre e os estímulos ao consumo, impulsionados pelo mercado de trabalho, pelas medidas de crédito e pela ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda.

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Ainda assim, a instituição avalia que o crescimento continuará abaixo do potencial devido ao patamar restritivo dos juros. Para 2027, a projeção foi reduzida de 2,0% para 1,5%, diante da expectativa de dissipação dos estímulos fiscais e de crédito, o que deve enfraquecer o consumo e os investimentos.

No câmbio, o Bradesco manteve a previsão de R$ 5,00 por dólar ao final de 2026, citando a resiliência da moeda brasileira diante dos choques recentes, mas elevou a projeção para R$ 5,20 no fim de 2027, em razão de um ambiente externo mais desafiador para os mercados emergentes.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
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