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Juros nos EUA: Só uma alta pelo Fed resolve a dor de cabeça em 2026? Para o Itaú, a resposta mudou

25 set 2026, 13:43
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Foto: yalcinsonat1/iStock

O Itaú Unibanco avalia que a perspectiva para a política monetária dos Estados Unidos ficou mais dura. Em relatório de cenário macro global, os economistas passaram a projetar mais duas altas de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) até o fim do ano, diante de uma inflação que segue resistente e de uma atividade econômica ainda aquecida.

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A equipe de economistas agora espera aumentos de 0,25 ponto percentual nas reuniões de outubro e dezembro, ante a previsão anterior de apenas uma alta adicional em outubro. Com isso, os Fed Funds devem encerrar o ano no intervalo entre 4,25% e 4,50%.

A mudança, de acordo com o banco, reflete a avaliação de que a inflação norte-americana continua longe da meta de 2% e que o BC dos EUA precisará manter uma postura mais restritiva.

“Os dados apontam para um núcleo de inflação que não deve sair do entorno de 3% nos próximos anos e sugerem que o Fed e o consenso de mercado seguem subestimando a inflação à frente”, afirma o Itaú.

Segundo o banco, apesar do ciclo de aperto monetário, a economia dos EUA continua mostrando resiliência. O investimento privado segue forte, impulsionado pelo avanço da inteligência artificial, enquanto o patrimônio das famílias permanece elevado graças aos ganhos acumulados nos mercados acionários.

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O relatório destaca ainda que o Fed já iniciou o movimento de ajuste em setembro e indicou novas elevações nos próximos meses. “Os discursos indicam preferência de vários membros por agir preventivamente, minimizando o risco de ficar atrás da curva”, afirma.

Petróleo

No mercado de commodities, a principal mudança foi na trajetória esperada para o petróleo. Embora as projeções de fim de ano tenham sido mantidas em US$ 80 por barril em 2026 e US$ 75 em 2027, a expectativa agora é de preços mais elevados no curto prazo.

A revisão do banco reflete a avaliação de que os conflitos no Oriente Médio devem durar mais do que o inicialmente previsto, em um cenário marcado pela falta de avanços nas negociações entre Estados Unidos e Irã e por restrições adicionais à oferta de derivados.

Além disso, ataques dos houthis. aliados do Irã, vêm afetando as exportações da Arábia Saudita, enquanto restrições também atingem a Rússia. Na avaliação do Itaú, o risco para os preços continua inclinado para cima, especialmente se novas medidas limitarem ainda mais a circulação global de derivados.

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Apesar disso, a expectativa de médio prazo segue sendo de normalização gradual do fluxo de petróleo, permitindo que os preços retornem ao patamar de US$ 80 por barril no fim de 2026.

Europa deve levar juros a 3%

Na Europa, a deterioração do cenário energético também levou a uma revisão das projeções para a política monetária.

O Itaú agora esper que o Banco Central Europeu (BCE) promova duas altas adicionais de juros, em outubro e dezembro, elevando a taxa terminal para 3%, acima dos 2,5% projetados anteriormente.

“O banco central reforçou a preocupação com o cenário de inflação em meio ao choque de energia, mantendo uma função de reação muito sensível aos preços do setor”, afirma o relatório.

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A avaliação é que o impacto econômico de uma política monetária mais restritiva segue limitado, já que a atividade na região continua sustentada pelo estímulo fiscal na Alemanha e pela força do crescimento global.

Com os preços dos derivados ainda pressionados, a expectativa é de que a inflação europeia permaneça acima de 3% ao longo de 2027.

China mantém crescimento, mas estímulos seguem limitados

Para a China, as projeções do Itaú para o crescimento da atividade foram mantidas em 4,7% para 2026 e 4,5% para 2027.

Segundo o relatório, o desempenho robusto das exportações continua sendo o principal suporte para a atividade econômica, beneficiada pela demanda global resiliente e pelo ciclo de investimentos ligados à inteligência artificial.

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Esse cenário, detalha o banco, reduz a necessidade de medidas mais agressivas para estimular o consumo doméstico, que segue fraco.

“Enquanto as exportações seguirem resilientes, o foco continuará em fazer o mínimo necessário de estímulo para sustentar a atividade”, afirma o banco.

Ainda assim, o documento aponta que a execução dos estímulos fiscais já anunciados tem sido irregular desde julho, o que aumenta o risco de que o crescimento fique mais próximo da banda inferior da meta oficial do governo chinês, entre 4,5% e 5%.

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Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.

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