Tenda (TEND3) aprova recompra de até 5 milhões de ações; saiba os detalhes
A construtora Tenda (TEND3) aprovou um novo plano de recompra de ações, que prevê a possibilidade de aquisição de até 5 milhões de papéis ordinários da companhia.
Segundo fato relevante divulgado ao mercado, o programa foi aprovado pelo Conselho de Administração e terá duração de até 12 meses, contados a partir desta quarta-feira, 30 de setembro de 2026.
A empresa destacou que, no momento, possui 122.578.152 ações em circulação e não possui papéis em tesouraria.
As eventuais recompras serão realizadas na B3, a preços de mercado, com intermediação da Itaú Corretora de Valores e do Banco Bradesco.
De acordo com a companhia, o plano tem como objetivo “maximizar a geração de valor para os acionistas por meio de uma administração eficiente da estrutura de capital”.
Tenda também fecha contratos de derivativos
Além do programa de recompra, a construtora também autorizou contratos de derivativos com liquidação exclusivamente financeira.
Nesse caso, a empresa esclareceu que não haverá compra ou venda de ações, mas uma proteção contra oscilações no preço dos papéis, especialmente diante de compromissos ligados à remuneração baseada em ações de executivos e funcionários.
A companhia afirmou ainda que as operações autorizadas não devem prejudicar o cumprimento de suas obrigações nem comprometer o pagamento de dividendos obrigatórios, considerando sua situação de liquidez, endividamento e geração de caixa.
TEND3 em queda
O movimento ocorre em meio a um momento de maior atenção do mercado para as ações da construtora.
Nos últimos dias, TEND3 vem sendo acompanhados por investidores após a empresa detalhar, em evento com analistas, questões operacionais ligadas ao programa habitacional Pode Entrar e às condições de crédito da Caixa Econômica Federal (CEF).
No último pregão (29), por exemplo, os papéis da empresa fecharam em queda de 4,17%, cotados a R$ 27,33 na bolsa de valores.
Valores a receber
Em documento divulgado ao mercado ontem, a Tenda apontou que possui R$ 52,7 milhões em valores atrasados a receber da Prefeitura de São Paulo — montante relacionado justamente ao programa Pode Entrar.
A Prefeitura da capital paulista acumula ainda R$ 21,79 milhões em cifras extras referentes a correção, juros e multa, resultando em um total de quase R$ 75 milhões em pagamentos em atraso à TEND3.
A construtora também apontou, no documento, que medidas recentes adotadas pela Caixa tendem a impactar seus indicadores operacionais.
Entre elas, citou a greve dos funcionários do banco, iniciada em 10 de setembro, que provocou represamento burocrático nas agências de financiamento imobiliário.
Outro ponto mencionado foi o maior rigor da CEF na concessão de crédito. Como possível implicação operacional, a incorporadora apontou uma redução na conversão de vendas, com maior pressão sobre clientes com renda informal ou mista.
JP Morgan vê cautela da Tenda no 3T26
Segundo analistas do JP Morgan, a Tenda adotou um “tom cauteloso” em relação ao terceiro trimestre de 2026 (3T26), justamente diante dos critérios mais rigorosos de pontuação de crédito da Caixa e dos atrasos recentes nos pagamentos do programa Pode Entrar.
Para o banco norte-americano, inclusive, a velocidade de vendas da construtora entre julho e setembro deve ser afetada pela maior rigidez da CEF, que ainda não teria retornado aos níveis observados em junho.
Sobre a parceria com a Prefeitura de São Paulo, a casa apontou que a companhia informou que os R$ 75 milhões estão atrasadosdesde maio, mas que esses valores não impactarão o resultado do terceiro trimestre e devem ser resolvidos “em breve”.
Apesar dos desafios no programa habitacional, o JP Morgan destacou que a Tenda demonstrou capacidade de executar as obras de forma eficiente e rápida.
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