Tesouro pode fazer atuação extraordinária no mercado de títulos se necessário, diz coordenador
O coordenador-geral de Operações da Dívida Pública do Tesouro Nacional, Helano Dias, afirmou nesta sexta-feira que a gestão da dívida pública busca garantir o financiamento do governo, mas também observa a funcionalidade do mercado, ressaltando que o órgão poderá fazer atuações extraordinárias se necessário.
Em entrevista coletiva, Dias afirmou que o mercado teve “dificuldade técnica” maior no período recente, o que levou o Tesouro a cancelar o leilão de Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B) programado para a terça-feira desta semana.
“A gente continua monitorando o mercado. Se houver alguma percepção de que a gente tenha que contribuir de uma maneira não ordinária… a gente vai informar o mercado”, disse, antes de ponderar que a situação do mercado melhorou nos últimos dias.
Dias afirmou que o Tesouro segue uma espécie de protocolo quando o mercado apresenta volatilidade elevada ou algum tipo de problema, com etapas que não necessariamente precisam ser seguidas em ordem sequencial.
A primeira delas é uma redução do nível de oferta de títulos. A segunda seria o que ele chamou de “oferta de crise”, um lote muito pequeno de títulos para não gerar pressão no mercado.
O terceiro movimento, segundo ele, seria o próprio cancelamento de leilões. Por fim, o Tesouro pode atuar com leilões de compra e venda de títulos ou mesmo apenas recomprando papéis para dar liquidez ao mercado.
Em março, o Tesouro fez intervenções pesadas no mercado ao fazer recompras de títulos públicos para reduzir distorções no mercado em meio à forte pressão trazida naquele momento pelo início da guerra no Oriente Médio.
O coordenador afirmou que uma série de fatores têm contribuído para uma performance técnica pior das NTN-Bs – que pagam aos investidores a variação da inflação mais uma taxa prefixada.
Entre os fatores que tiram a atratividade desse título, segundo ele, está a percepção de que inflação será controlada ao longo do tempo e a previsão de aumento dos juros nos EUA.
“A gente tem um nível elevado de reserva de liquidez, que nos dá um grau de tranquilidade, que nos permite contribuir para que o mercado respire e possa voltar a fluir de maneira normal, e a gente possa voltar a emitir o mais breve possível”, disse.
Após as NTN-Bs atingirem remunerações reais superiores a 8% ao ano no período recente, Dias afirmou que o Tesouro atua para aliviar pressões do mercado, mas é apenas um tomador de preços.
“O nível dos juros é uma questão não para o Tesouro, mas uma questão da macroeconomia do país. Não tenho dúvida que o Brasil pode melhorar em vários aspectos, mas também tenho certeza que o país tem um bom posicionamento”, disse, citando o nível confortável de reservas internacionais, investimentos estrangeiros consistentes e uma economia que tem surpreendido.