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Tombo de 20%: Inter (INTR) muda rota e 6 analistas dizem o que fazer com a ação

12 maio 2026, 13:04 - atualizado em 12 maio 2026, 13:04
Inter
(Imagem: Divulgaão)

O investidor do Inter (INTR) não está acostumado com quedas acentuadas do papel. A última vez que a ação havia tombado mais de 15% foi em janeiro de 2023, segundo dados da Investing.

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De lá para cá, o banco mais subiu do que caiu, acumulando valorização superior a 300%. Porém, bastaram três sessões para o papel despencar 20%.

É verdade que, nesse meio-tempo, o mercado também não ajudou. Mas resultados abaixo do esperado e um novo plano estratégico não foram tão bem recebidos pelos investidores.

Na última sessão, a ação voltou a cair forte, cerca de 7%, justamente no dia em que o banco realizou um encontro com investidores em Nova York para tentar mudar o rumo da narrativa. Ao que parece, porém, o mercado percebeu que pesou a mão. Por volta das 11h40, o papel subia 4,82%, a US$ 6,29.

E, de fato, mesmo que alguns analistas tenham cortado o preço-alvo, as recomendações de compra foram mantidas.

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O que diz o novo plano?

Antes, o Inter possuía a ambiciosa meta estratégica “60-30-30” para 2027, que projetava alcançar:

  • 60 milhões de clientes;
  • 30% de índice de eficiência; e
  • ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) de 30%.

A estratégia era focada na rentabilidade da carteira de crédito e no controle de custos para acelerar a lucratividade.

Considerando que o banco encerrou o primeiro trimestre com ROE de 16%, seria necessário praticamente dobrar a rentabilidade em menos de dois anos — algo visto como improvável pelo mercado.

No evento realizado na última terça-feira (11), o Inter adiou essa meta em dois anos, para 2029. Mais do que isso, o banco também estabeleceu uma faixa de ROE entre 26% e 30%.

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O Inter também lançou outro desafio: a chamada “Rule of 50”, válida já a partir de 2026. A ideia é combinar crescimento de receita e rentabilidade de forma que a soma dos dois indicadores alcance 50%.

Para sustentar essa expansão, a gestão pretende focar em três pilares:

  • o Single Smart Super App, integrando toda a jornada do cliente;
  • uma base robusta de dados, alimentada diariamente por milhões de transações; e
  • a Seven, nova assistente de inteligência artificial do Inter.

Além disso, o motor de crédito continua central para a tese, sustentado por governança de preços centralizada e processos mais sofisticados de concessão.

O uso de inteligência artificial também será fundamental para análise de crédito e controle da inadimplência. Atualmente, a IA já é responsável por cerca de 90% dos volumes analisados, com impacto positivo sobre os índices de calote.

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Para 2026, a administração sinalizou:

  • expansão da margem financeira em torno de 35%;
  • crescimento do crédito com melhora do mix de produtos;
  • margem líquida próxima de 10%; e
  • custo de risco ao redor de 6%.

E o ROE?

Agora, o Inter terá de arregaçar as mangas para elevar o ROE dos atuais 15% para uma faixa entre 26% e 30% até 2029 — um salto de pelo menos 10 pontos percentuais.

Segundo a administração, esse avanço viria de diferentes frentes:

  • 1 pp a 2 p.p. de eficiência de capital, via aumento da alavancagem de 9,6x para 11x;
  • 2 p.p. a 3 p.p. de otimização de tesouraria, principalmente com maior alocação em FIDCs; e
  • 2 p.p. a 4 p.p. de eficiência operacional e diluição de custos.

Do ganho total implícito, a gestão espera entregar entre 2 p.p. e 3 p.p. no curto prazo, enquanto os demais 8 p.p. a 12 p.p. seriam capturados gradualmente nos próximos anos, conforme o ambiente macroeconômico melhore.

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Por outro lado, o foco em manter taxas elevadas de crescimento pode pressionar os índices de eficiência no longo prazo.

Apesar do discurso otimista, o mercado parece disposto a pagar para ver se todo esse crescimento realmente vai se concretizar.

Para o UBS BB, o mercado nunca incorporou um ROE estrutural de 30% nas ações — e provavelmente continuará sem incorporar, pelo menos até que o banco mostre avanços concretos.

“Mantemos nossa visão de que isso provavelmente será um desafio”, disseram os analistas.

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Hora de recalcular a rota

A avaliação geral é de que o Inter acertou ao aumentar a transparência com o mercado. Manter os investidores bem informados costuma ser bem recebido.

Por outro lado, ficou claro que o ritmo de crescimento deve ser menor nos próximos anos, o que levou diversas casas a revisarem suas projeções.

O Bradesco BBI, por exemplo, cortou suas estimativas de lucro líquido para:

  • R$ 1,7 bilhão em 2026 (queda de 8,4%);
  • R$ 2,3 bilhões em 2027 (queda de 11,8%).

Os números agora ficam 8,8% e 7,7% abaixo do consenso do mercado, respectivamente.

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As estimativas implicam:

  • ROE de 15,8% em 2026; e
  • ROE de 18,8% em 2027.

O UBS BB também revisou suas projeções, reduzindo as estimativas em cerca de 4% para 2026 e 5% em média para 2027 e 2028.

Segundo o banco, o corte reflete principalmente maiores provisões, acima do esperado.

A administração indicou ainda que o custo de risco deve permanecer elevado, em torno de 6%, parcialmente compensado por uma maior receita líquida de juros (NII), impulsionada pela mudança no mix da carteira.

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No total, o UBS estima:

  • lucro de R$ 1,8 bilhão em 2026;
  • lucro de R$ 2,2 bilhões em 2027;
  • ROAE de 16,2% em 2026; e
  • ROAE de 18% em 2027.

Os analistas também projetam ROE de 20% em 2029 — abaixo da meta apresentada pelo banco.

Inter: oportunidade ou risco?

Entre os analistas consultados pelo Money Times, o sentimento segue dividido. De seis casas, duas mantiveram recomendação neutra e três reiteraram compra.

CasaRecomendaçãoPreço-alvoPotencial
Bradesco BBICompraR$ 4137%
BTGCompraR$ 5170%
UBS BBCompraUS$ 10,471%
JPMorganCompraR$ 4860%
SafraNeutra
XPNeutraR$ 4550%

Mesmo após reduzir as projeções, o Bradesco BBI afirma que o papel continua barato, negociando a cerca de:

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  • 7,8x preço/lucro; e
  • 1,2x preço/valor patrimonial.

“Mantemos recomendação de compra, acreditando que a correção recente oferece um ponto de entrada atrativo diante do potencial de execução e da assimetria positiva no horizonte de médio e longo prazo”.

O preço-alvo caiu de R$ 42 para os BDRs.

O BTG também reduziu o preço-alvo, de R$ 60 para R$ 51. O banco projeta crescimento de receita bruta em torno de 20% entre 2026 e 2028, o que deixaria o Inter abaixo tanto da “Rule of 50” quanto das ambições de ROE apresentadas pela administração.

Mesmo assim, a casa manteve recomendação de compra.

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“Historicamente, investidores dispostos a comprar durante períodos de ceticismo acabaram sendo bem recompensados”.

Para o JPMorgan, a maioria dos investidores aguardará o segundo trimestre de 2026 para obter maior visibilidade sobre a margem de intermediação financeira (NIM), o custo de receita (CoR) e a dinâmica da folha de pagamento privada, o que pode limitar o desempenho das ações no curto prazo.

“No entanto, acreditamos que a queda de 23,5% em relação à queda de 3% do EWZ desde 6 de maio foi excessiva”.

Ceticismo continua

Por outro lado, o Safra reforçou sua visão mais cautelosa sobre o papel.

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Segundo os analistas, não faz sentido recorrer a narrativas típicas de empresas de tecnologia justamente em um momento em que o ROE desacelera e crescem os questionamentos sobre qualidade de ativos e custo de risco.

“De fato, o evento reforçou nossa visão mais conservadora sobre a trajetória de rentabilidade do banco”.

Ainda assim, o Safra reconhece alguns pontos positivos:

  • crescimento de 30% na base de clientes principais;
  • rentabilidade da carteira de cartões; e
  • confiança da gestão em atingir as novas metas de longo prazo.

Mesmo assim, os analistas seguem neutros.

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“Utilizando R$ 1,7 bilhão como melhor hipótese para o lucro líquido de 2026, as ações negociam a aproximadamente 8x lucro”.

Na visão da XP, o debate em torno do Inter deixou de ser “se o modelo funciona” e passou a ser “quanto de rentabilidade adicional ainda é realisticamente possível extrair daqui para frente”.

“Diante da reação do mercado e da recalibração das expectativas de médio prazo sugerida no evento, preferimos manter uma postura mais cautelosa com o nome neste momento”, afirmou a corretora.

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Editor-assistente
Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, cobre mercados desde 2018. Ficou entre os jornalistas +Admirados da Imprensa de Economia e Finanças das edições de 2022, 2023 e 2024. Possui curso intensivo de mercado de capitais oferecido pelo Insper em parceria com a B3. É também setorista de bancos. Antes, atuou na assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho e como repórter do portal Suno Notícias, da Suno Research.
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