Mercados

Trade eleitoral: Por que o BTG (BPAC11) salta 27%, o dobro do Banco do Brasil (BBSA3)

05 out 2026, 13:40 - atualizado em 05 out 2026, 13:41
BTGImagem: Divulgação/BTG Pactual
(Imagem: Divulgação/BTG Pactual)

A surpresa com o resultado das eleições — a maior vitória da direita desde 1989, ano da redemocratização — fez os mercados mirarem o “céu” nesta segunda-feira.

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O Ibovespa chegou a saltar 7%, em um movimento que adicionou mais de 209 mil pontos ao índice de uma só vez. E, obviamente, os bancos, um dos setores mais líquidos da Bolsa e com maior exposição ao cenário doméstico, dispararam.

Por volta das 13h19, as altas eram as seguintes:

BancoTickerPreçoAlta
BTG PactualBPAC11R$ 83,8026,98%
BradescoBBDC4R$ 21,6813,68%
Banco do BrasilBBAS3R$ 26,6512,44%
ItaúITUB4R$ 49,9511,44%

O que chama a atenção, sobretudo, é o fato de o BTG estar disparando muito mais do que outros bancos, como o Banco do Brasil, uma estatal que, em tese, poderia ter um impacto maior sob um eventual governo Bolsonaro.

Para um gestor ouvido pela reportagem, porém, a diferença é natural. Segundo ele, o mercado está precificando uma redução relevante dos juros com a definição do cenário eleitoral.

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“Então, isso beneficia todos os bancos, uns mais do que outros, dependendo de quais estão mais expostos a negócios que podem ser muito alavancados em um cenário prospectivo melhor da economia.”

O BTG, por exemplo, pode ter uma vantagem maior em termos do quanto seu negócio pode crescer em um ambiente econômico mais favorável do que, por exemplo, Itaú, Bradesco ou Banco do Brasil. “Isso vale para a XP, se quisermos classificá-la como banco”, afirma.

“Inclusive, a gente tinha uma posição bem grande, somando B3 (B3SA3), BTG e XP. A gente tinha essa visão voltada para o mercado de capitais e uma assimetria bem superior em relação aos melhores bancos de varejo, que poderiam se beneficiar de forma mais desproporcional desse movimento”, diz.

Um outro analista disse que BPAC11 é a alavanca operacional para a melhora do mercado de capitais.

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“Se o risco Brasil cai, os juros longos fecham e a Bolsa sobe, aumenta a expectativa de mais volume, emissões, M&A, gestão de recursos e atividade de trading. Por isso o BPAC11 pode reagir muito mais que um banco tradicional”.

Ao olhar para os demais bancos, mais expostos à economia real, uma eventual vitória de Flávio poderia melhorar o ambiente para a economia brasileira e reduzir os receios em relação a um ciclo de crédito mais favorável.

Isso, porém, não muda o fato de que o brasileiro ainda está endividado. As projeções apontam para um 2027 mais difícil para a economia, com juros ainda elevados e crescimento menor.

De qualquer forma, diz o gestor, a possibilidade de que esse cenário desemboque em um ciclo vicioso negativo para a carteira de crédito dos bancos e para a economia por alguns anos fica um pouco menos provável com a definição do resultado eleitoral.

Banco do Brasil pode ser privatizado?

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Ainda segundo o gestor, embora os fundamentos do Banco do Brasil permaneçam frágeis em relação à dinâmica de resultados, a perspectiva de um governo mais liberal na economia volta a colocar na mesa a possibilidade de privatização da instituição.

“Então, nesse cenário, pode haver um descompasso entre o que o mercado precifica de múltiplo e o que é a realidade de resultado do banco. É natural, portanto, que ele tenha uma reprecificação e possa até entrar em uma onda de reprecificação ainda maior.”

O Banco do Brasil viu seu lucro derreter 60% nos últimos balanços, mas o movimento está mais relacionado a questões setoriais do que a ações do governo federal, com o agronegócio enfrentando um dos piores momentos de sua história no mercado de crédito.

Daniella Marques, ex-assessora especial do Ministério da Economia e ex-presidente da Caixa Econômica Federal, atualmente na campanha de Flávio, “puxou a sardinha” para seu lado ao ser questionada sobre a privatização durante um evento do Grupo Esfera.

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Segundo ela, até os Correios, que acumulam rombos bilionários, perderam a janela para serem privatizados. Para Daniella, porém, “mais de 20 estatais” poderiam entrar na mira do governo. O Banco do Brasil, disse, “poderia [ser privatizado]”, já que negocia abaixo de uma vez o seu patrimônio.

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Editor-assistente
Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, cobre mercados desde 2018. Ficou entre os jornalistas +Admirados da Imprensa de Economia e Finanças das edições de 2022, 2023 e 2024. Possui curso intensivo de mercado de capitais oferecido pelo Insper em parceria com a B3. É também setorista de bancos. Antes, atuou na assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho e como repórter do portal Suno Notícias, da Suno Research.
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