Trump exige fim de programa nuclear do Irã para acordo e prevê queda do petróleo ‘em breve’
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que não haverá acordo com o Irã caso o país não abandone o programa nuclear, incluindo o enriquecimento de urânio, e voltou a adotar tom duro em meio à guerra no Oriente Médio. Em entrevista à Fox Business, ele também disse esperar queda iminente dos preços do petróleo.
“Se o Irã não concordar em desistir do programa nuclear, não haverá acordo”, declarou o republicano. Apesar da postura firme, Trump projetou alívio no mercado de energia. “Os preços do petróleo vão cair muito em breve e vão voltar ao patamar de antes dos ataques no Irã”, afirmou.
O presidente também ressaltou a capacidade militar dos Estados Unidos ao comentar o conflito. “Poderíamos destruir pontes e usinas de energia em uma hora”, disse, reforçando a pressão sobre Teerã.
Falas sobre a China
Segundo Trump, a China apoia a atuação de Washington no Estreito de Ormuz e declarou que está “abrindo permanentemente” a via estratégica, em meio ao conflito com o Irã. Em publicação na Truth Social nesta quarta-feira (15), o republicano disse que Pequim está “muito feliz” com a medida e que a decisão beneficia “também o mundo”.
Trump acrescentou que a China teria concordado em não enviar armamentos a Teerã, ao relatar conversas com o presidente Xi Jinping. Segundo ele, os dois países estão “trabalhando juntos de forma inteligente”.
O presidente ainda adotou tom otimista sobre as relações bilaterais, afirmando que Xi “vai me dar um grande abraço” em um encontro previsto para as próximas semanas, e defendeu a cooperação em vez do confronto: “Isso não é melhor do que brigar???”. A reunião bilateral entre os dois líderes está marcada para ocorrer entre 14 e 15 de maio, em Pequim.
Apesar disso, Trump fez uma ressalva ao destacar o poderio militar americano: “Somos muito bons de briga, se for necessário – muito melhores do que qualquer outro”.
Pouco antes, em entrevista à Fox Business, o republicano já havia dito que não vê resistência de China e Arábia Saudita ao bloqueio dos EUA em Ormuz e reiterado que Pequim não estaria fornecendo armas ao Irã, reforçando a narrativa de alinhamento internacional em torno da estratégia americana na região.
Ameaças a Powell
Trump ainda voltou a elevar o tom das críticas ao Federal Reserve (Fed) e ao seu presidente, Jerome Powell, ao comentar investigações conduzidas pelo Departamento de Justiça (DoJ) sobre a reforma do prédio da instituição.
Em entrevista à Fox Business, Trump afirmou que o caso vai além de um possível crime. “É mais do que apenas um caso criminal. Precisamos descobrir se Powell é incompetente ou se há corrupção”, disse, reiterando críticas diretas ao dirigente. “Powell é incompetente”, acrescentou.
Questionado sobre a possibilidade de interferir nas apurações, o republicano respondeu que é necessário esclarecer os fatos. “Temos que descobrir o que aconteceu lá”, afirmou.
Trump também voltou a ameaçar a permanência de Powell no comando do banco central. Segundo ele, caso o dirigente não deixe o cargo no tempo previsto, poderá ser demitido. “Se Powell não sair a tempo, terei que demiti-lo”, disse.
O presidente demonstrou ainda expectativa de mudanças na política monetária com uma eventual troca no comando da autoridade monetária. Ele afirmou acreditar que seu indicado, Kevin Warsh, será aprovado pelo Senado na semana que vem para o Fed e projetou queda nos juros. “Espero que ele seja aprovado. Acho que as taxas cairão quando Warsh assumir”, declarou.