Usiminas (USIM5) ainda vale a aposta? Itaú BBA corta recomendação, mas aponta três gatilhos para valorização
O Itaú BBA rebaixou a recomendação para as ações da Usiminas (USIM5) de compra para neutra e reduziu o preço-alvo para o fim de 2027 de R$ 11, para R$ 8,00. Considerando a cotação de R$ 7,14 utilizada pelo banco, o novo preço-alvo ainda implica potencial de valorização de cerca de 12%.
Na avaliação dos analistas, a dinâmica de preços da indústria brasileira de aços planos tem se mostrado mais fraca do que o esperado. Além disso, a recente queda dos preços do minério de ferro e os custos elevados de frete e diesel sustentam uma postura mais conservadora em relação à companhia.
Segundo o relatório, esse cenário deve resultar em uma geração de fluxo de caixa livre (FCF) mais limitada, levando o banco a considerar que as ações da Usiminas estão atualmente negociadas em níveis justos.
O BBA destaca que os preços domésticos das bobinas laminadas a quente acumulam alta de 10% em 2026, impulsionados pela melhora do sentimento do mercado após a adoção de medidas antidumping contra importações de aço da China.
No entanto, a expectativa agora é de estabilidade dos preços nos próximos trimestres, diante do elevado volume de estoques de aço importado e da concorrência de produtos estrangeiros intensivos em aço, como máquinas, veículos e equipamentos.
Com isso, o banco revisou suas projeções para a companhia. A estimativa de Ebitda para 2026 foi reduzida de R$ 3 bilhões para R$ 2,7 bilhões. Para 2027, a projeção caiu de R$ 3,6 bilhões para R$ 2,8 bilhões, o que representa uma redução de aproximadamente 22%.
Vale lembrar que no segundo trimestre de 2026, a Usiminas registrou lucro líquido de R$ 428 milhões, um salto de 236% na comparação com o mesmo período do ano passado e uma contração de 52% ante o primeiro trimestre.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado da companhia totalizou R$ 761 milhões no período, um avanço de 86% na comparação com o mesmo período em 2025.
A margem Ebitda ajustada avançou 6,2 pontos percentuais, chegando a 12% no segundo trimestre deste ano. Já a receita líquida recuou 7% na comparação anual, para R$ 6,13 bilhões no período de abril a junho.
Apesar da visão mais cautelosa, o Itaú BBA aponta possíveis gatilhos para uma valorização acima do esperado. Entre eles estão um fortalecimento inesperado dos preços do aço, a adoção de novas medidas antidumping sobre bobinas laminadas a quente e uma redução dos custos de produção da Usiminas.
*Com supervisão de Juliana Américo