Por que o Citi não considera a OPA da Braskem (BRKM5) atrativa?
A Braskem (BRKM5) divulgou os detalhes da oferta pública de aquisição de ações (OPA) ligada ao processo de mudança de controle da companhia. Na avaliação do Citi, porém, a operação não apresenta uma proposta atrativa para os acionistas minoritários, o que deve limitar a adesão à oferta.
Segundo o banco, a transação combina uma oferta obrigatória de tag along para ações ordinárias e uma oferta voluntária para ações preferenciais, abrangendo até 100% das ações em circulação. A operação foi estruturada sem desembolso de caixa, por meio de uma troca de ações por debêntures da NSP Investimentos S.A..
Pelos termos da oferta, os investidores que aderirem receberão, para cada ação da Braskem, duas debêntures da primeira série (OSPI12) e uma da segunda série (OSPI22). Os títulos possuem valor nominal de R$ 3,08, remuneração anual de 0,10% e vencimento em 31 de dezembro de 2090.
O Citi destaca, contudo, que o ofertante atribui às debêntures valor econômico de zero.
“Na nossa visão, não identificamos um cenário favorável para os acionistas minoritários. Portanto, acreditamos que a oferta não deverá contar com uma participação significativa dos minoritários”, afirma o banco.
Diante desse cenário, o Citi reiterou sua recomendação de Venda/Alto Risco para as ações da petroquímica, com preço-alvo de R$ 4,50, o que implica um potencial de valorização de 13,6% em relação aos níveis atuais.
“Mantemos nossa recomendação de Venda/Alto Risco, sustentada principalmente pelas incertezas relacionadas ao plano de reestruturação da companhia e pelos fundamentos negativos do mercado petroquímico no médio e longo prazo”, diz o relatório.
Reestruturação segue como principal foco
Além da OPA, o banco chama atenção para as negociações em torno do plano de reestruturação financeira da Braskem, que seguem avançando nas últimas semanas.
Segundo o Citi, uma das principais divergências envolve a proposta apresentada por detentores de títulos de dívida da companhia, que defenderiam um aporte de aproximadamente US$ 3 bilhões da Petrobras.
Com os prazos ficando mais apertados, a expectativa é que o conselho de administração da Braskem se reunisse nesta sexta-feira (25) para formalizar a rejeição da proposta.
O banco ressalta que a companhia precisa obter o apoio da maioria de seus credores para apresentar um plano definitivo até 24 de novembro de 2026. Atualmente, a Braskem conta com o respaldo inicial de cerca de 40% dos credores, mas precisa alcançar pelo menos 50% mais um voto para aprovar a proposta final de reestruturação.
O objetivo é renegociar aproximadamente US$ 11 bilhões em dívida, dos quais cerca de US$ 7 bilhões estão nas mãos de investidores em títulos.
Outro fator que adiciona incerteza ao processo, segundo o Citi, é o cenário político doméstico em meio à proximidade das eleições presidenciais.
Além disso, o banco lembra que o CEO da Petrobras descartou recentemente a possibilidade de ampliar a participação da estatal na Braskem. Com isso, eventuais discussões sobre aumento de capital não deveriam resultar em uma fatia maior da Petrobras na petroquímica.