Presidente do PL critica carta de Flávio Bolsonaro: ‘ninguém aprovou, queremos tocar o país para a frente’
O presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, reprovou nesta quinta-feira (29) a carta com teor golpista publicada pelo candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL). O dirigente disse que ‘ninguém aprovou’ o documento e que a intenção agora é ‘tocar o País para a frente’.
“Ninguém quer ter problema, ninguém aprova essa situação que aconteceu com o Flávio. Ele passou por uma situação difícil, compreendemos, mas não aprovamos [a carta], queremos tocar o país para frente”, declarou a jornalistas em Brasília, após visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está em prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado.
Antes da visita, Valdemar disse que não ter gostado da publicação do senador. “Não gostei”, afirmou ao ser questionado sobre o que tinha achado da carta de Flávio.
Carta de Flávio Bolsonaro não rende apoio entre aliados
A declaração mostra que a cúpula do PL e também outras legendas reprovaram o conteúdo do documento, no qual Flávio não reconhece o resultado das urnas e se autodeclara ‘o verdadeiro presidente eleito do Brasil’.
A carta, divulgada por apoiadores e pelo próprio senador na quarta-feira (28) teve três versões. A primeira tinha um brasão escrito “Estados Unidos do Brazil”, com o nome do país escrito em inglês e a data de 15 de novembro de 1889. O emblema remonta à Proclamação da República e vigorou até 1968.
O manifesto foi enviado pelo comunicador Paulo Figueiredo. Quinze minutos após distribuir o texto, ele divulgou uma nova versão, atualizando o brasão com nome correto do país. Flávio abrandou o tom em uma terceira versão, publicada no X às 17h51, autointitulando-se ‘o líder do Brasil’.
A conversa do líder do PL com Jair Bolsonaro
Valdemar disse não ter tratado sobre o assunto com Bolsonaro, mas afirmou que o ex-presidente não sabia que Flávio deixaria o Brasil. “Flávio não falou para o pai. Nem o Bolsonaro sabia que ele ia, ninguém sabia. Eu também não sabia”, falou.
O senador deixou o país após perder as eleições para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ser intimado pela Polícia Federal (PL) a entregar o passaporte.
A decisão ocorreu no âmbito de uma investigação contra ele que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). A ordem de apreensão do passaporte foi determinada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes.
Segundo Valdemar, a conversa com Bolsonaro girou em torno das eleições para o Congresso e não teria abordado uma suposta articulação entre os partidos para um indulto ou uma anistia a Bolsonaro.
“Eu estava há quase um ano sem ver Bolsonaro, tinha tanto assunto para falar para ele. Conversei sobre eleição, falei com os candidatos em todos os Estados, os deputados estaduais, federais, os candidatos nossos ao governo do Estado, que fizemos o maior número de governadores”, disse.
*Com informações do Estadão Conteúdo.