Vale (VALE3): o que o mercado quer ver no balanço hoje após o relatório de produção e vendas
Com a divulgação de seu balanço do segundo trimestre de 2026 após o encerramento do pregão da B3 nesta quinta-feira, a Vale (VALE3) se encontra sob grande expectativa do mercado.
A mineradora já adiantou ter entregado o melhor segundo trimestre desde 2018, impulsionada por uma produção robusta e preços favoráveis de suas commodities. Contudo, a principal preocupação que ronda os resultados é a evolução dos custos.
O desempenho operacional da Vale no período gerou otimismo entre os analistas. A companhia registrou a maior produção de minério de ferro para um segundo trimestre nos últimos oito anos, totalizando 84,3 milhões de toneladas entre abril e junho, um aumento de 1% em relação ao ano anterior.
Além disso, a divisão de metais básicos, especialmente o cobre, foi vista como a principal alavanca de crescimento. A produção de cobre atingiu 98,4 mil toneladas, representando o melhor resultado para um segundo trimestre desde 2017, com os embarques superando as estimativas de parte dos analistas.
Os preços realizados das commodities também contribuíram para o cenário positivo. O minério de ferro foi vendido por uma média de US$ 95 por tonelada, uma alta de 11,6% na comparação anual e acima das projeções de bancos como BTG Pactual e Safra, beneficiado por ajustes de qualidade mais favoráveis.
As pelotas alcançaram US$ 137 por tonelada, um avanço de 2,2% impulsionado por prêmios mais elevados. Já o cobre foi comercializado por uma média de US$ 14.062 por tonelada, superando as estimativas devido a menores custos de tratamento e refino e ajustes comerciais mais favoráveis.
Apesar desses indicadores operacionais promissores, a principal incógnita para o balanço é a evolução dos custos. Na avaliação do BTG Pactual, o segundo trimestre deve refletir pressões de curto prazo provenientes de fatores externos, como a alta do diesel, influenciada pelo conflito no Oriente Médio, os efeitos da variação cambial e paradas programadas para manutenção de algumas operações.
Esses fatores tendem a elevar o custo por tonelada produzida, o que pode limitar parte dos ganhos provenientes dos maiores volumes e dos preços realizados mais fortes. Em outras palavras, mesmo com mais vendas e preços melhores, a Vale pode ver parte de seu lucro ser consumida pelo aumento das despesas de produção e transporte.
No entanto, o BTG ressalta que essas pressões são de caráter pontual e não indicam uma deterioração dos fundamentos da companhia. A avaliação é de que a Vale mantém uma execução operacional consistente, com disciplina na alocação de capital e avanço na divisão de metais básicos, especialmente no cobre. Assim, a atenção do mercado estará voltada para a magnitude dessas pressões de custos e para as sinalizações da administração sobre a trajetória das despesas no restante do ano.
Após a prévia operacional, diversos bancos revisaram suas expectativas para a Vale. O Itaú BBA, por exemplo, elevou sua projeção para o Ebitda proforma em 5,5%, atingindo US$ 3,83 bilhões, destacando o resultado do cobre e a resiliência dos preços do minério de ferro.
O Safra estima um Ebitda de US$ 3,9 bilhões, enquanto a XP Investimentos aumentou sua expectativa para o Ebitda ajustado para US$ 3,9 bilhões, além de elevar as projeções de receita líquida (US$ 10,5 bilhões) e lucro líquido (US$ 1,7 bilhão).
O Bank of America (BofA) manteve a estimativa de US$ 3,9 bilhões para o Ebitda, mas apontou a possibilidade de atingir US$ 4,1 bilhões, dependendo de como ficaram os custos. O Citi, por sua vez, manteve suas projeções para o Ebitda inalteradas em US$ 3,8 bilhões.
Apesar das revisões de projeções, as recomendações para as ações (VALE3) divergem. A XP e o Safra mantêm uma recomendação neutra para o papel, citando o atual nível de valuation e as pressões sobre os custos como fatores que limitam um potencial maior de valorização. Contudo, eles acreditam que os fundamentos mais sólidos do mercado de cobre e a recuperação dos preços dos metais devem sustentar os papéis nos níveis atuais.
Por outro lado, os outros bancos recomendam a compra da ação, com base nos embarques robustos, preços resilientes do minério de ferro e o avanço do cobre, que, em sua visão, consolidam uma perspectiva positiva. Eles avaliam que a Vale combina fundamentos sólidos com uma avaliação atrativa, mesmo diante das pressões de custos de curto prazo.