Banco do Brasil (BBAS3): O novo tombo no resultado da próxima quarta (13)
O Banco do Brasil (BBAS3) divulgará o seu resultado do primeiro trimestre com o mercado esperando números ruins em meio a um cenário do agronegócio ainda ruim. Consenso da Bloomberg espera lucro de R$ 4,1 bilhões, tombo de 46% em relação ao mesmo período do ano passado.
A própria administração já sinalizou que a inadimplência no agronegócio segue elevada. “O primeiro semestre tende a ser mais apertado — isso já vínhamos discutindo desde o ano passado”, afirmou a CEO Tarciana Medeiros.
O Safra projeta lucro de R$ 3,38 bilhões, queda de 41% em relação ao trimestre anterior, com ROE de 7,2%. O resultado reflete a combinação de sazonalidade desfavorável do NII e aumento relevante das provisões (estimadas em R$ 19 bilhões).
O Bank of America também espera números fracos, com lucro ao redor de R$ 4 bilhões, impactado pela deterioração da carteira rural, conforme dados recentes do Banco Central.
Além disso:
- o NII deve ser pressionado por desempenho mais fraco da tesouraria;
- a receita com tarifas deve crescer apenas em linha com a inflação;
- a geração de receita tende a ser mais fraca.
As provisões devem subir, refletindo:
- piora mais acentuada da inadimplência no agro;
- aumento de defaults corporativos;
- pedidos de recuperação judicial.
A XP acrescenta que o crescimento da carteira deve ser modesto e concentrado no varejo, com o consignado privado ainda avançando, mas em ritmo mais moderado.
O Itaú BBA, por exemplo, projeta lucro de R$ 3,6 bilhões, queda de 36% em relação ao quarto trimestre, e um ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) de apenas 7,5%, contra 12,1% no período anterior.
Para os analistas, enquanto a carteira de crédito desacelera, as despesas com provisões devem permanecer elevadas, em cerca de R$ 17,4 bilhões, impulsionadas pela deterioração dos estágios de crédito em diferentes carteiras.
Com um início de ano mais fraco, o banco deverá correr se quiser atingir o piso do guidance de lucro para 2026, entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões. A estimativa do Itaú BBA está em R$ 21 bilhões.
| ro (em R$) | A/A | ROE | A/A | |
| XP | 3,4 bi | -48.3% | 7.4% | -9,3 pp |
| Safra | 3,3 bi | -54.2% | 7.2% | -9,5 PP |
| BofA | 4 bi | -46% | 7.4% | -9,3 pp |
| Itaú BBA | 3.6 bi | | 7.5% | – 9,2 pp |
| JPMorgan | 3.4 bi | -48.3% | 7% | -9,7 pp |
BTG: Supressas no caminho
.O BTG Pactual também enxerga um trimestre fraco, com o lucro líquido provavelmente entre R$ 3 bilhões e R$ 3,5 bilhões — de 30% a 15% abaixo do consenso.
Os analistas lembram que o resultado do quarto trimestre, de R$ 5,7 bilhões, foi inflado por um efeito tributário positivo extraordinário e bastante expressivo.
‘Portanto, uma comparação com um trimestre mais fraco não deve ser surpresa na ausência de evidências claras de melhorias operacionais’.
Mesmo assim, para o BTG, a magnitude da queda sequencial nos lucros e no ROE, em comparação com o quarto trimestre, ainda pode surpreender.
Além disso, o banco destaca que as ações subiram cerca de 10% no último mês e aproximadamente 17% no acumulado do ano, superando concorrentes como o Bradesco (BBDC4). ‘Reiteramos uma postura mais cautelosa’.
Banco do Brasil: pior do que o esperado
Ainda segundo o BTG, a principal inflexão era esperada a partir dos reembolsos da última colheita, após o banco ‘apertar’ as exigências para empréstimos a agricultores. No entanto, a avaliação é de que o primeiro trimestre já ficou aquém das expectativas iniciais.
Combinado à deterioração contínua das condições do agronegócio — especialmente devido aos custos mais elevados do diesel e ao câmbio —, ‘vemos um risco crescente de que o segundo trimestre também possa decepcionar’.
Isso porque o aumento dos preços do diesel e dos fertilizantes, devido à guerra no Irã, deve representar um obstáculo principalmente para a próxima safra, ao elevar os custos de produção. Já a desvalorização do real provavelmente já pressiona as margens dos produtores no curto prazo.
‘Embora anteriormente esperássemos alguma melhora no lucro antes de impostos (EBT), agora vemos uma probabilidade maior de queda de aproximadamente 20% em relação ao trimestre anterior’.