‘Vamos mandar os dados para o cidadão do comércio dos EUA’, diz Lula sobre queda no desmatamento na Amazônia
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou ao embate contra os Estados Unidos e pediu aos representantes do governo que enviem os dados sobre a queda no desmatamento da Amazônia, divulgados nesta quinta-feira (11), a representantes comerciais daquele país para contestar possíveis tarifas contra o Brasil. Lula pediu ainda a comparação dos dados do Brasil nos setores ambiental e trabalhista como contraponto às ameaças comerciais.
“Vamos pegar os dados e mandar para o cidadão do comércio dos Estados Unidos e comparar com o que acontece lá, para justificar se há motivo para uma taxação maior. Eles não sabem o trabalho que nós temos feito para chegar ao desmatamento zero até 2030”, disse “Não é COP, não é ONU. É nossa meta, é questão de justiça”, disse o presidente no evento em que foram apresentados os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em Brasília (DF).
Segundo o Inpe, houve uma queda de 61,4% no desmatamento na Amazônia em maio ante igual mês do ano passado. É a maior redução mensal da série tanto em termos porcentais quanto em números absolutos. No período de dez meses, houve uma redução de 37,5% no desmatamento na região, menor valor para esse período.
Lula citou a parceria e compromissos assinados com prefeitos da região amazônica para o combate ao desmatamento a partir dos municípios. “Colocamos prefeitos no mesmo nível de igualdade de representantes do Ministério do Meio Ambiente, passamos a oferecer ajuda financeira para ter condições de agir e o resultado foi extremamente positivo”, disse.
Dados apresentados no evento apontam que durante os três anos de parcerias com 71 municípios houve uma queda de 65,5% do desmatamento nas regiões atendidas.
Trabalho
Além do ambiental, o presidente defendeu também a comparação entre Brasil e Estados Unidos na questão trabalhista, um dos pontos utilizados por representantes daquele país para anunciar uma tarifa de 12,5% contra produtos de 60 países, entre eles o Brasil.
“Vamos comparar os direitos dos trabalhadores americanos e brasileiros. Estamos negociando com alguém que não tem parâmetro e não se comporta de forma adequada para negociar”, afirmou.
No restante do discurso, Lula repetiu os ataques ao presidente Donald Trump, dos Estados Unidos, com a retórica de que a guerra do governo brasileiro é a da narrativa e de que o líder estadunidense “não foi eleito para ser imperador do mundo”.
“A gente não quer briga, respeito, igualdade ecivilidade para o comércio entre os dois países”, concluiu.