Vem aí nova gigante farmacêutica? AstraZeneca negocia fusão com Bristol Myers Squibb; ações reagem
O Financial Times noticiou, e a agência de notícias Reuters confirmou nesta segunda-feira (3) que houve conversas preliminares entre a anglo-sueca AstraZeneca e a norte-americana Bristol Myers Squibb para uma potencial fusão que criaria uma das maiores empresas farmacêuticas do mundo.
A notícia causou reação no mercado financeiro. As ações da Astra Zeneca (AZN) tombaram 8,96% na bolsa de Londres e operavam em forte queda na Nyse, chegando a quase -7% por volta das 16h45. Já as da Bristol Myers (BMY) operavam perto da estabilidade no mesmo horário, com leve alta de 0,23%.
Na sexta-feira (31), as duas empresas somavam uma capitalização de mercado de quase US$400 bilhões, com a AstraZeneca avaliada em US$264,11 bilhões e a Bristol Myers em US$133,41 bilhões.
Analistas e investidores questionavam a lógica do negócio, considerando não haver necessidade óbvia de uma aquisição transformadora para a Astra Zeneca, apesar de potenciais benefícios financeiros.
“Uma fusão com a Bristol não faz sentido estratégico nem financeiro”, disse Markus Manns, gestor de portfólio da Union Investment, acionista da AstraZeneca. “Muitas megafusões anteriores destruíram valor e não há necessidade aparente de a Astra fazer isso”.
Embora a AstraZeneca tenha concluído este ano uma listagem direta na Bolsa de Valores de Nova York, ressaltando seu foco em seu maior mercado e seu objetivo de se beneficiar das avaliações mais altas nos EUA, um acordo com a Bristol Myers significaria, na prática, uma empresa britânica adquirindo uma das principais gigantes farmacêuticas dos EUA.
Manns disse que o presidente-executivo da AstraZeneca, Pascal Soriot, em seus 14 anos à frente da empresa, sempre priorizou a pesquisa e o desenvolvimento em detrimento do corte de custos. “Uma fusão perturbaria profundamente uma empresa bem administrada e com um pipeline completo”, alertou.
Analistas da Jefferies afirmaram em uma nota que estavam perplexos com as notícias sobre as negociações, considerando que a AstraZeneca possui um forte “perfil de crescimento e inovação”. “Se há uma empresa que não precisa de engenharia financeira, essa empresa é a AstraZeneca”, escreveram eles.
* Com informações da Reuters