Federal Reserve

Warsh vê alívio na inflação, mas reforça compromisso com meta de 2% e evita antecipar próximos passos do Fed

01 jul 2026, 12:13 - atualizado em 01 jul 2026, 12:13
Kevin Warsh fed
(Foto: REUTERS/Ann Saphir)

O chair do Federal Reserve, Kevin Warsh, afirmou nesta quarta-feira (1) que os riscos e as expectativas de inflação diminuíram nas últimas semanas, mas fez questão de reforçar que o banco central americano continua totalmente comprometido em levar a inflação de volta à meta de 2%.

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Em sua primeira aparição pública internacional desde assumir o comando do Fed, durante o Fórum Anual de Política Monetária do Banco Central Europeu (BCE), em Sintra, Portugal, Warsh sinalizou que a melhora do cenário inflacionário não significa que a autoridade monetária esteja próxima de declarar vitória.

“As expectativas de inflação nas primeiras semanas deste período diminuíram; os riscos de inflação também diminuíram”, afirmou.

Na sequência, mandou um recado ao mercado: “Se houver pessoas entre as famílias, no setor empresarial ou nos mercados financeiros que pensaram que este banco central ficaria à vontade com uma inflação acima de 2%, ficarão decepcionadas.”

Segundo ele, o compromisso da instituição permanece o mesmo: “Vamos garantir a estabilidade de preços nos Estados Unidos.”

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As declarações reforçam uma postura cautelosa do novo chair, que evitou dar qualquer indicação sobre o rumo dos juros e deixou claro que as próximas decisões dependerão exclusivamente da avaliação dos membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc).

Sem pistas sobre juros

Questionado sobre a possibilidade de novas altas de juros, Warsh repetiu diversas vezes que não pretende utilizar forward guidance, estratégia em que o banco central sinaliza previamente seus próximos movimentos de política monetária.

Segundo ele, as decisões continuarão sendo tomadas apenas durante as reuniões do Fomc.

“Entramos naquela sala e fechamos a porta; teremos um bom debate, mas não tenho muito mais a dizer do que isso.”

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Warsh já havia afirmado que o forward guidance “não é a política adequada para o momento atual”, indicando que pretende devolver maior protagonismo aos dados econômicos na condução da política monetária.

Apesar de não antecipar os próximos passos, o chair sinalizou que as discussões do Fomc deverão ser intensas. “Posso apenas dizer que vamos ter uma boa briga na próxima reunião do Fomc”.

Após a reunião de junho, investidores elevaram as apostas sobre uma alta dos juros nos próximos meses. As declarações desta quarta-feira (1), no entanto, reforçam que Warsh pretende evitar qualquer comprometimento prévio antes das reuniões.

Fed continuará independente

Outro tema abordado foi a independência do Federal Reserve, que ganhou destaque após as disputas entre o governo Donald Trump e a autoridade monetária.

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Warsh afirmou que a recente decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos não altera a autonomia do banco central.

A declaração ocorre poucos dias após a Suprema Corte decidir que a diretora Lisa Cook poderia permanecer no cargo, apesar da tentativa do presidente Donald Trump de removê-la. O episódio marcou mais um capítulo das tensões entre a Casa Branca e o Federal Reserve durante a gestão de Jerome Powell, antecessor de Warsh.

Embora tenha reafirmado a independência da instituição, Warsh evitou comentar diretamente o caso de Cook ou as pressões sofridas por Powell.

IA pode mudar o cenário econômico

Boa parte da participação de Warsh foi dedicada aos impactos da inteligência artificial sobre a economia americana. Segundo ele, a revolução tecnológica ainda está no início, mas já começa a produzir efeitos relevantes.

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Na avaliação do chair, o crescimento potencial da economia americana vem acelerando graças aos ganhos de produtividade. “O crescimento potencial tem apresentado uma tendência de alta”, disse.

Warsh afirmou que, se os últimos quatro trimestres servirem de referência, existem razões para otimismo e que os Estados Unidos têm potencial para ser um dos principais vencedores globais na corrida da inteligência artificial.

“O boom da IA está se manifestando, em primeiro lugar, nos EUA”, afirmou.

Ao mesmo tempo, reconheceu que ainda existe grande incerteza sobre quando esses ganhos chegarão efetivamente à economia real. Segundo ele, caberá justamente ao banco central avaliar os efeitos da tecnologia sobre a inflação.

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Warsh acrescentou que um aumento estrutural da oferta decorrente dos ganhos de produtividade teria “enormes implicações” para a condução da política monetária.

Modernização da política monetária

Warsh também defendeu mudanças na forma como o Federal Reserve acompanha a economia. Segundo ele, a instituição deve ampliar o uso de informações além das estatísticas oficiais.

“Gostaria de usar novas fontes de dados além das agências governamentais”, ressaltou. Para isso, afirmou que pretende consultar especialistas tanto de dentro quanto de fora dos Estados Unidos.

Ele também indicou que novidades sobre os grupos de trabalho criados pelo Fed deverão ser divulgadas na próxima semana e disse esperar que seus estudos se tornem um bem público.

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Outro ponto destacado foi o balanço patrimonial da autoridade monetária, Warsh reiterou que prefere um Fed com menos ativos em carteira: “Não é segredo que quero um balanço patrimonial menor”.

Apesar disso, garantiu que qualquer alteração será comunicada previamente ao mercado.

Mercado de trabalho segue sólido

Warsh também afirmou que o mercado de trabalho americano permanece estável e que o lado da oferta da economia continua sólido.

Na avaliação do chair, a combinação entre melhora nas expectativas de inflação, produtividade crescente e um mercado de trabalho resiliente permite que o Federal Reserve siga conduzindo a política monetária com base na evolução dos dados, sem necessidade de oferecer sinalizações antecipadas ao mercado.

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*Com informações da Reuters e Broadcast

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
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