XP corta projeções para incorporadoras, mas mantém uma ação como preferida; veja qual
Depois de o Banco Safra passar a tesoura nos preços-alvo das incorporadoras de média e alta renda, chegou a vez da XP revisar suas estimativas para as construtoras após analisar os resultados do primeiro semestre e avaliar que riscos apontados no início de 2026 se materializaram.
Entre as empresas sob cobertura, a corretora apontou que a Cyrela (CYRE3) permanece como sua principal preferência (top pick) no segmento, seguida por Lavvi (LAVV3) e Moura Dubeux (MDNE3).
Segundo os analistas Ygor Altero e João Rodrigues, responsáveis pela avaliação, a crescente exposição da Cyrela ao nicho de baixa renda por meio de sua marca Vivaz, a menor dependência do cenário macroeconômico em relação aos pares e o sólido histórico de execução sustentam a visão positiva para a companhia.
De acordo com a dupla, a incorporadora também apresenta “valuation atrativo”, negociando a 4,6 vezes o múltiplo preço sobre lucro (P/L) estimado para 2027.
Lavvi e Moura Dubeux na lista das preferidas
No caso da Lavvi, os analistas apontam que a construtora combina uma estratégia mais conservadora de crescimento, que limita os riscos de execução, mas com um dos maiores retornos sobre o patrimônio líquido (ROE) do setor.
A XP estima ROE de 27,4% para a companhia em 2027, enquanto aponta que as ações são avaliadas em 4 vezes o lucro projetado para o mesmo ano.
Quanto à Moura Dubeux, que também foi incluída entre os nomes preferidos, a corretora afirma que a incorporadora apresentou desempenho acima das projeções no primeiro semestre, sustentada por um ambiente competitivo considerado mais saudável no Nordeste.
Segundo a casa, os papéis MDNE3 negociam a 4,4 vezes o lucro estimado para 2027.
Estoques e VSO preocupam
Apesar de ter selecionado os três nomes, a XP ressaltou que já havia alertado, em fevereiro, para a estratégia das incorporadoras de médio e alto padrão de manter ou até elevar os lançamentos em 2026 em relação a 2025.
Na avaliação dos analistas, essa estratégia se tornou mais difícil diante da combinação de estoques elevados em São Paulo — um dos maiores mercados do país—, juros ainda altos e incertezas relacionadas ao ano eleitoral.
Sete meses depois, a corretora pontua que boa parte dessas preocupações se confirmou, com os níveis de estoque de imóveis na capital paulista não apresentando melhora relevante nos últimos meses, enquanto a velocidade de vendas (VSO) recuou de forma generalizada no segmento.
A Moura Dubeux foi apontada como exceção nesse cenário, beneficiada justamente por um ambiente competitivo mais favorável e pela força da comercialização no Nordeste.
Diante disso, a XP reduziu em 4% sua projeção agregada de lançamentos para 2026 e em 12% a estimativa de vendas líquidas, desconsiderando a MDNE3.
Eleições entram no radar
Para a corretora, o principal desafio para as incorporadoras continua sendo encontrar um equilíbrio entre oferta e demanda.
O cenário eleitoral, porém, também aparece entre os fatores de atenção para o setor.
De acordo com os analistas, a eleição de outubro pode alterar a política fiscal brasileira e trazer maior visibilidade para as perspectivas econômicas, o que eventualmente poderia representar um vetor positivo para as construtoras.