Economia

XP vê impacto limitado de nova tarifa dos EUA, mas alerta para efeitos setoriais

02 jun 2026, 17:20 - atualizado em 02 jun 2026, 17:20
Presidente dos EUA, Donald Trump morning agenda wall street ibovespa
(REUTERS/Nathan Howard)

A proposta do governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros deve ter impacto limitado para a economia brasileira como um todo, mas pode gerar efeitos mais significativos em setores específicos e em empresas com elevada dependência do mercado americano, disse a XP Investimentos.

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O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) anunciou na segunda-feira (1º) uma determinação com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, propondo uma tarifa extra de 25% sobre produtos brasileiros. A consulta pública ficará aberta até 1º de julho, enquanto a decisão final deverá ser tomada até 15 de julho.

Caso a medida seja implementada nos termos atuais, a tarifa efetiva média aplicada às exportações brasileiras subiria de 12,2% para 18,5%, um aumento de 6,25 pontos percentuais.

A XP, em relatório assinado pela economista Luíza Pinese, destaca que a nova proposta representa mais um capítulo da deterioração das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, marcada desde o início de 2025 por sucessivas elevações tarifárias envolvendo produtos como aço, alumínio, cobre, veículos e autopeças.

Apesar do aumento das barreiras comerciais, a XP avalia que os efeitos agregados sobre a economia brasileira tendem a ser contidos. Segundo a análise, os Estados Unidos responderam por 10,8% das exportações brasileiras, participação que diminuiu ao longo de 2025 após os choques tarifários anteriores.

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Além disso, a XP ressalta que as exportações brasileiras atingiram níveis recordes no ano passado, mesmo com a redução dos embarques para os Estados Unidos, graças ao redirecionamento de volumes para mercados como China e outros destinos.

Maioria das exportações fica fora da nova tarifa

A XP destaca que o escopo da proposta exclui uma parcela relevante das exportações brasileiras.

Dos US$ 37,7 bilhões exportados pelo Brasil para os Estados Unidos em 2025, cerca de US$ 28,3 bilhões, equivalentes a 75% do total, ficariam fora da nova tarifa.

Parte dessas exportações já está sujeita às tarifas da Seção 232 e, por isso, foi excluída da Seção 301. Outro grupo relevante, equivalente a US$ 22,1 bilhões ou 58,5% das exportações bilaterais, também está isento da proposta.

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Entre os produtos preservados estão petróleo bruto e derivados, aeronaves e peças aeronáuticas, celulose química, minério de ferro, café, carne bovina, suco de laranja e fertilizantes.

Segundo a XP, isso faz com que a tarifa adicional de 25% recaia sobre aproximadamente US$ 9,4 bilhões a US$ 9,5 bilhões em exportações brasileiras, o equivalente a cerca de 25% do fluxo comercial entre os dois países.

Máquinas pesadas e madeira aparecem entre os mais vulneráveis

Na avaliação da XP, os principais impactos devem se concentrar em segmentos específicos.

O relatório aponta que o setor de máquinas pesadas para construção apresenta elevada exposição ao mercado americano e tende a estar entre os mais afetados caso a medida avance.

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A casa também cita os produtos de madeira, como madeira perfilada e portas, como segmentos estruturalmente mais vulneráveis devido à forte dependência dos Estados Unidos como destino das exportações.

Entre os itens que não foram contemplados pelas isenções estão carregadeiras, transformadores elétricos, bulldozers, produtos derivados de sebo bovino, niveladores, portas, madeiras processadas e alguns equipamentos utilizados na mineração e construção.

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Editor
Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com MBA em finanças. Colaborou com revista Veja, Estadão, entre outros.
Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com MBA em finanças. Colaborou com revista Veja, Estadão, entre outros.
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