Ações da C&A (CEAB3) disparam até 10% com balanço melhor do que o esperado; o que agradou no 3T26?
As ações da C&A (CEAB3) reagem positivamente ao salto de 145% no lucro líquido do terceiro trimestre de 2026 (3T26), que alcançou R$ 170,3 milhões frente aos R$ 69,5 milhões de igual intervalo de 2025.
Por volta de 12h20 (horário de Brasília), as ações lideravam as altas do Ibovespa (IBOV), com avanço de 7,20%, a R$ 7,30. Na máxima do dia, até esse horário, o salto chegou a 10,43%. Acompanhe o tempo real.
Na visão do Bradesco BBI, a varejista reportou bons resultados no trimestre, superando as expectativas em um cenário desafiador.
O destaque ficou com a margem bruta de vestuário, que atingiu 56%, impulsionada pela estratégia “Full Power” e contribuição cambial positiva. As vendas nas mesmas lojas (SSS) de vestuário também surpreenderam positivamente o BBI, com alta de 1,0%, refletindo a recuperação do fluxo de clientes.
A geração de caixa livre chama atenção como outro ponto forte, somando R$ 152 milhões no trimestre, mesmo diante de maiores necessidades de Capex (investimentos) para reformas e expansão, além de maior pressão no capital de giro.
“O saldo do trimestre é positivo, com a empresa entregando resiliência em métricas operacionais importantes e forte geração de caixa. Embora o valuation atual (cerca de 4x p múltiplo P/L para 2027) embuta muito pessimismo e o cenário para 2027 seja desafiador para o setor, a capacidade da C&A de superar seus pares pode sustentar seus múltiplos e reduzir a percepção de risco”, dizem os analistas.
Trimestre melhor do que o esperado
A XP Investimentos avalia o balanço do terceiro trimestre como fraco, mas melhor do que o esperado, com com a margem bruta de vestuário novamente surpreendendo positivamente.
Combinada com receitas mais fortes do C&A Pay, a melhora mais do que compensou as maiores despesas com vendas, levando o Ebitda ajustado a ficar 11% acima da estimativa da casa , embora tenha recuado 8% na comparação anual devido a investimentos não recorrentes em marketing.
Nesse contexto, embora a receita do período tenha sido fraca, os analistas acreditam que a atenção dos investidores deve permanecer nos estoques ainda elevados e na recuperação esperada para o quarto trimestre do ano.
“A empresa destacou uma inflexão no tráfego em meados de setembro, enquanto a reabertura de lojas reformadas e uma base de comparação mais fácil, com celulares saindo da base e um 4T25 fraco, devem atuar como ventos favoráveis. Mantemos nossa recomendação de compra“, diz a XP.
Embora o cenário macroeconômico permaçadesafiador, com juros persistentemente elevados pressionando o consumo e representando riscos de baixa para as perspectivas de crescimento da companhia, o BTG Pactual segue construtivo em relação à execução da C&A, especialmente no programa contínuo de renovação de lojas e no foco disciplinado em rentabilidade.
Ao mesmo tempo, a remuneração aos acionistas oferece uma camada adicional de suporte à tese de investimento, reforçando a visão positiva apesar dos ventos contrários de curto prazo sobre a demanda.
A recomendação do BTG para CEAB3 é de compra, com preç-alvo de R$ 19.
O 3T26 da C&A
O salto de 145,1% no lucro líquido reportado da C&A no terceiro trimestre de 2026 foi impulsionado pelo reconhecimento de créditos fiscais de PIS e Cofins decorrentes de avaliações jurídicas sobre insumos essenciais.
Quando se desconsidera esse efeito, o lucro líquido ajustado pós-IFRS 16 recuou 23,3%, somando R$ 56,5 milhões ante R$ 73,6 milhões no mesmo período do ano anterior.
A receita líquida consolidada avançou 2,3% na comparação anual, totalizando R$ 1,88 bilhão. Esse crescimento foi puxado sobretudo pela receita líquida de vestuário, que somou R$ 1,69 bilhão (alta de 2,6%) em um ambiente macroeconômico marcado por juros elevados, endividamento das famílias e por fatores transitórios de fluxo associados à Copa do Mundo na primeira metade do trimestre.
A melhora gradual do fluxo a partir de setembro, aliada à chegada da nova coleção de verão e à disciplina na gestão de estoques, permitiu à companhia registrar a sua 21ª expansão trimestral consecutiva na margem bruta de vestuário, que atingiu 56,0% (avanço de 0,6 p.p.) apoiada pela precificação dinâmica e pelos benefícios iniciais da nova estratégia logística.
O canal digital (site e aplicativo) cresceu 27,6% e atingindo uma participação de 8,0% nas vendas de mercadorias, impulsionado por melhorias na jornada de compra de dois cliques e iniciativas de social commerce.
Por outro lado, o Ebitda ajustado pós-IFRS 16 recuou para R$ 317,6 milhões (com margem de 16,9%), o que refletiu os investimentos não recorrentes em marketing concentrados nas comemorações dos 50 anos da marca no Brasil e na participação no festival Rock in Rio.
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*Com Estadão Conteúdo