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Antimicrobianos: Brasil pode ficar fora do mercado europeu até 2028, aponta especialista

13 jul 2026, 16:23
boi antimicrobianos carne
(Foto: iStock/Smederevac)

“Tic, tac, tic, tac”. A indústria da carne acompanha com atenção a contagem regressiva até 3 de setembro, data que marca a entrada em vigor das novas exigências da União Europeia para a importação de produtos de origem animal. Caso o Brasil não consiga comprovar o cumprimento das regras até lá, poderá ficar impedido de embarcar carne bovina para o bloco.

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Historicamente conhecida pelo rigor de suas normas sanitárias, a União Europeia avalia que o Brasil ainda precisa apresentar garantias adicionais relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal.

Segundo Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado, o principal desafio não está apenas na exigência em si, mas na forma como o processo de adequação vem sendo conduzido.

“Essa nova diretriz precisa ser feita ‘de cima para baixo’ e não ‘de baixo para cima’. É preciso uma normativa do Ministério da Agricultura que passe pelas Secretarias de Agricultura dos estados até chegar à indústria e ao pecuarista.”

Iglesias avalia que o Brasil demorou a acompanhar a evolução das normas internacionais e agora paga o preço. Segundo ele, o país precisa correr contra o tempo para reunir a documentação capaz de comprovar que não utiliza os antimicrobianos proibidos pela União Europeia na produção animal.

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Outro ponto destacado pelo especialista é que a adaptação só será viável se houver incentivos econômicos para toda a cadeia.

“A indústria precisa ser bem remunerada pelo importador e criar um programa robusto de bonificação, premiando o pecuarista que entregar animais com esse tipo de especificação técnica. Foi o que aconteceu com o ‘boi China’, em 2020 e 2021, quando havia um prêmio entre R$ 20 e R$ 40 por arroba. Depois, a precocidade virou a regra no mercado brasileiro.”

Na avaliação de Iglesias, a discussão sobre os antimicrobianos acabou se transformando em um jogo de transferência de responsabilidades entre o setor público e o privado, o que dificulta ainda mais a adequação de uma cadeia tão fragmentada quanto a pecuária de corte.

“Se analisarmos esse cenário sob uma ótica mais pessimista, e não houver flexibilização por parte da União Europeia, o Brasil pode ficar fora do mercado europeu por cerca de dois anos, até conseguir reunir toda a documentação exigida.”

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Questionado sobre alternativas caso a Europa suspenda as compras, Iglesias diz que o Brasil continua tentando abrir o mercado japonês, mas ainda enfrenta dificuldades.

Ele reconhece que a União Europeia responde por apenas cerca de 3% das exportações brasileiras de carne bovina, porém ressalta que o bloco funciona como um “mercado vitrine”.

Retirada dos antimicrobianos aumenta custos

Iglesias afirma que deixar de utilizar os antimicrobianos não representa um risco sanitário para a produção, mas exigirá mudanças estruturais na cadeia e elevará os custos da atividade.

Entre os principais impactos, ele cita:

  • aumento dos custos operacionais;
  • mudanças profundas no manejo dos animais;
  • adaptação dos protocolos de tratamento;
  • revisão das práticas produtivas em toda a cadeia.
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Segundo o analista, trata-se de uma transformação que exige coordenação nacional e liderança do poder público.

Além disso, foco principal não deve ser o uso dos antimicrobianos em si, mas sim a rastreabilidade: o Brasil precisará controlar toda a cadeia produtiva para comprovar a origem dos animais e atender às exigências internacionais.

Além disso, ele afirma que um sistema robusto ajudaria o país a responder críticas frequentes feitas por importadores sobre:

  • desmatamento;
  • trabalho escravo;
  • sustentabilidade da pecuária.

Para Iglesias, fortalecer a rastreabilidade também significa defender internacionalmente a imagem da carne brasileira.

O que dizem a indústria e o Ministério da Agricultura?

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O Money Times procurou a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), que informou não estar concedendo entrevistas sobre o tema. Segundo a entidade, toda a comunicação relacionada ao assunto está centralizada em um grupo de trabalho coordenado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Como posicionamento institucional, a Abiec divulgou a seguinte nota em 12 de maio:

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) esclarece que o Brasil segue plenamente habilitado a exportar carne bovina ao mercado europeu. Não há, neste momento, qualquer proibição das exportações para o bloco.

A medida anunciada está relacionada à implementação de novas exigências regulatórias referentes ao uso de antimicrobianos na produção animal, com entrada em vigor prevista para setembro de 2026. O eventual impedimento às exportações somente ocorrerá caso as garantias e adequações requeridas pelas autoridades europeias não sejam apresentadas até a data estabelecida.

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O setor privado tem trabalhado em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico e colaboração com as autoridades competentes sobre o tema. Há, inclusive, previsão de uma missão europeia ao Brasil no segundo semestre para dar continuidade ao processo técnico.

A carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios dos principais mercados internacionais, com rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente. Atualmente, o Brasil exporta para mais de 170 países, sustentado por um dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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