Ibovespa sobe com apoio de bancos, mas recua mais de 8% na semana; Gol cai 3%

O Ibovespa (IBOV11) subiu 1,15%, a 104.171,57 pontos, após ter chegado a perder o patamar dos 100 mil pontos pela primeira vez desde outubro de 2019.
O volume financeiro da sessão foi de 40 bilhões de reais.
Na semana mais curta em razão do Carnaval no Brasil, o Ibovespa caiu 8,36%. Em fevereiro, o declínio foi de 8,4%, resultando em perda de 9,9% em 2020.
Só na quarta-feira de Cinzas, quando a bolsa reabriu após fim de semana prolongado pelo Carnaval, o Ibovespa desabou 7%, sessão na qual as saídas de estrangeiros no mercado à vista superaram as entradas em mais de 3 bilhões de reais.
“O impacto econômico do surto de Covid-19 parece mais grave do que o inicialmente esperado”, disseram em relatório estrategistas do Goldman Sachs na Ásia.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou o alerta de risco de disseminação e impacto global para “muito alto”, enquanto o estrago global com o surto já alcançou 6 trilhões de dólares.
Nos últimos dias, multiplicaram-se as revisões em projeções econômicas e para resultados de empresas.
“É difícil vislumbrar o que poderia fornecer certeza suficiente para impedir o medo de vencer antes do fim de semana”, destacou Jasper Lawler, chefe de pesquisa no London Capital Group, chamando a atenção para dados de atividade de serviços e setor manufatureiro na China no sábado.

À tarde, contudo, o chairman do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos), Jerome Powell, trouxe algum alento ao afirmar que a autoridade monetária está monitorando de perto os avanços do surto e que “usaria suas ferramentas e atuaria conforme apropriado para apoiar a economia”.
Os principais índices de Wall Street reduziram perdas, com o Dow Jones fechando em baixa de 1,39%. O S&P 500 perdeu 0,82% e o Nasdaq fechou estável. No acumulado da semana a queda dos três foi maior que o do Ibovespa.
No Brasil, onde até o momento apenas 1 caso foi confirmado, economistas do Bradesco liderados por Fernando Honorato avaliam que os efeitos, por ora, devem ser pontuais e acontecer através da desaceleração do crescimento mundial, mas não descartam efeitos em estoques ou reflexos do aumento da aversão a risco.
Destaques
– Gol (GOLL4) e Azul (AZUL4) cederam 3% e 1,5%, ainda afetadas pelas preocupações sobre a demanda de viagens em razão da disseminação global do coronavírus, com empresas aéreas europeias já alertando sobre lucros e demanda menores. O setor aéreo local ainda é enfraquecido pela alta do dólar para níveis recordes. CVC Brasil (CVCB3) perdeu 1,83%.
– Via Varejo (VVAR3) caiu 1,92%, pressionada pelas perspectivas de menor crescimento no país, uma vez que o setor vinha encontrando apoio no cenário de retomada da economia. Dados também mostraram alta no desemprego em janeiro sobre dezembro. Natura (NTCO3) cedeu 0,04%.
– PagSeguro (PAGS), listada em Nova York, caiu 4,2% mesmo após reportar alta de 29,4% no lucro líquido do quarto trimestre ante mesmo período de 2018. No setor de meio de pagamentos, Cielo (CIEL3) subiu 5,55% e , também negociada em Nova York, recuou 4,7%.
– Itaú Unibanco (ITUB4) e Bradesco (BBDC4) avançaram 3% e 1,87%, respectivamente, com o setor aparecendo como ‘porto seguro’ para investidores. Banco do Brasil (BBAS3) fechou em alta de 2,34%.
– Petrobras (PETR4) e Petrobras (PETR3) subiram 0,16% e 1,19%, respectivamente, mesmo com a queda dos preços do petróleo no mercado internacional.
– Vale (VALE3) caiu 0,36%, com os futuros de minério de ferro na China ampliando perdas, para marcar a primeira queda mensal desde outubro, com o rápido crescimento do coronavírus alimentando os temores de uma recessão global.
– Fleury (FLRY3) valorizou-se 4,17%. O UBS destacou que laboratórios podem se beneficiar de um aumento nos volumes de exames/diagnósticos e em alguns casos dos serviços de vacinação. “O Fleury, em particular, poderia ver um aumento adicional nas vendas.” Ainda no setor de saúde, Raia Drograsil (RADL3) subiu 5,86%, mas Qualicorp (QUAL3) recuou 1,86%.
– MRV (MRVE3) teve acréscimo de 7,26%, tendo no radar balanço do quarto trimestre, previsto para segunda-feira após o fim do pregão. Mais cedo a Abecip divulgou que os financiamentos imobiliário com recursos da caderneta de poupança somaram 7,27 bilhões de reais em janeiro, alta de 42,7% sobre um ano antes.
O índice está 2,6% acima da média dos últimos 200 dias de negócios. Nas últimas 52 semanas, o Ibovespa acumula 5,8% de ganho.
Veja o fechamento de outros índices da B3 nesta sexta-feira:
– IBrX 100 <.IBRX>:0,06%, 43.652,63 pontos.
– IBrX 50 <.IBX50>:0,15%, 16.752,72 pontos.
– IBrA <.IBRA>:0,01%, 4.109,52 pontos.
– Índice Small Cap (SMLL) <.SMLL>:-0,71%, 2.582,30 pontos.
– Índice MidLarge Cap (MLCX) <.MLCX>:0,11%, 1.980,47 pontos.
– Índice Dividendos (IDIV) <.DIVI>:0,44%, 6.272,53 pontos.
– Índice Financeiro (IFNC) <.IFNC>:1,45%, 11.945,55 pontos.
– Índice de Consumo (ICON) <.ICON>:-0,19%, 4.858,31 pontos.
– Índice de Energia Elétrica (IEE) <.IEE>:-0,22%, 74.744,43 pontos.
– Índice de Materiais Básicos (IMAT) <.IMAT>:-1,16%, 3.194,70 pontos.
– Índice do Setor Industrial (INDX) <.INDX>:-1,07%, 19.100,18 pontos.
– Índice Imobiliário (IMOB) <.IMOB>:-0,46%, 1.278,28 pontos.
– Índice Utilidade Pública (UTIL) <.UTIL>:-0,33%, 8.388,18 pontos.
– Índice de BDRs Não Patrocinados-GLOBAL (BDRX) <.BDRX>:-3,10%, 7.499,02 pontos.
– Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) <.ISE>:0,18%, 3.905,63 pontos.
– Índice de Ações com Governança Diferenciada (IGCX) <.IGCX>:-0,18%, 16.549,17 pontos.
(Atualizado 19h07)