Atrativa demais para ser ignorada? Após queda de 38%, Aura Minerals (AUGO) volta a ser compra para o Safra; entenda o motivo
O Banco Safra elevou a recomendação de Aura Minerals (AUGO) de neutro para compra, mas cortou o preço-alvo de US$ 110 para US$ 105, o que ainda implica um potencial de valorização de 74% ante o último fechamento (5).
De acordo com o banco, a nova precificação da companhia reflete os resultados do primeiro trimestre de 2026 da companhia e uma nova premissa para o preços das commodities. Além disso, a AUGO caiu cerca de 38% desde o rebaixamento da ação pelo Safra no fim de abril.
“O momento (momentum) se deteriorou em todo o setor de ouro, mas a AUGO teve desempenho inferior ao da maioria de seus pares, possivelmente refletindo sua valorização mais forte durante a alta do mercado e um impulso de resultados relativamente mais fraco após os números do primeiro trimestre”, avalia o banco.
Além disso, o Safra considera que outras commodities, como cobre, alumínio e aço, podem parecer mais atrativas no atual contexto macroeconômico, marcado pela demanda impulsionada por inteligência artificial e pela busca por segurança no fornecimento de metais industriais.
Ainda assim, na avaliação do banco, a relação risco-retorno das mineradoras de ouro — e da Aura Minerals em particular, considerando um preço do ouro de US$ 3.400 por onça-troy — parece “atraente demais para ser ignorada”, o que pode ser um bom ponto de entrada para a ação.
“Nos últimos 25 anos, os preços do ouro normalmente atingiram seu ponto mais baixo no início de julho e avançaram de forma consistente a partir daí, o que se combina favoravelmente com os níveis atuais de valuation descontados. Também continuamos a enxergar uma possível inclusão da empresa em índices como o Russell e o GDX no terceiro trimestre de 2026 como um catalisador positivo”, acrescenta o Safra.
Por volta das 12h03 (horário de Brasília), a Aura Minerals recuava 3,30% (US$ 58,41) no Nasdaq.
Fraqueza do ouro é oportunidade?
Segundo o Safra, diante das tensões geopolíticas, avanço da aversão a risco e alta dos juros reais globais, os preços do ouro perderam força, com alguns países vendendo suas reservas para apoiar as moedas locais e os setores ligados à IA — como semicondutores, memória e computação quântica — concentraram os fluxos de investimento.
“Após uma correção de cerca de 20% em relação às máximas, a normalização da volatilidade implícita (com o índice GVZ retornando para a faixa dos 20 pontos, após pico próximo de 48) e a menor concentração de posições compradas na commodity, acreditamos que o nível atual de aproximadamente US$ 4.340 por onça representa um bom ponto de entrada”, afirma o banco.
Além disso, o Safra revisou o preço de longo prazo para o ouro para US$ 4.640 por onça-troy, ante US$ 4.830 anteriormente.
Valuation segue atrativo
Para o Safra, do ponto de vista operacional, a Aura continua se destacando. A companhia apresenta expectativa de crescimento anual composto (CAGR) da produção de 19% entre 2026 e 2028, bem acima dos 10% das juniors e dos 3% das intermediárias. O CAGR do Ebitda é estimado em 27%, também superior aos 10% das juniors e ao crescimento praticamente nulo das intermediárias.
Por outro lado, o banco prevê que rendimento médio do fluxo de caixa livre entre 2026 e 2028 é de 12%, abaixo dos 14% das juniors e dos 13% das intermediárias.
“Ainda assim, as ações da AUGO parecem mais atraentes em termos relativos, já que combinam crescimento superior com negociação a múltiplos descontados”, explica o Safra.
Revisão de estimativas
O Safra revisou as projeções de Ebitda da Aura para US$ 1,044 bilhão em 2026, um crescimento de 1%, e para US$ 1,474 bilhão em 2027, um recuo de 2%.
“O aumento da projeção para 2026 reflete principalmente premissas mais elevadas para os preços do cobre (+7%) e volumes ligeiramente maiores em onças equivalentes de ouro”, detalha o banco.
Já a pequena redução na estimativa para 2027, complementa, decorre de premissas mais conservadoras para o preço do ouro (-2%), o que reduz a contribuição de Ebitda de todas as operações. As estimativas operacionais permaneceram, em linhas gerais, inalteradas em relação às projeções anteriores.